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CEO da Anthropic compara venda de chips à China a “armas nucleares”

Vitor Urbano por Vitor Urbano
22/01/2026
Em Tecnologia, Inteligência Artificial

O Fórum Económico Mundial em Davos é habitualmente palco de discursos polidos e visões otimistas sobre o futuro, mas Dario Amodei, CEO da Anthropic, decidiu quebrar o protocolo. Numa entrevista explosiva à Bloomberg, o líder de uma das empresas de IA mais avançadas do mundo lançou um ataque feroz contra a recente decisão dos EUA de permitir que a Nvidia venda chips de IA de alto desempenho à China, usando uma analogia que deixou a audiência em choque.

“Acho que isto é uma loucura”, afirmou Amodei. “É um pouco como vender armas nucleares à Coreia do Norte e gabar-se de que a Boeing fez os invólucros”.

Esta declaração não é apenas uma opinião pessoal; é um aviso de segurança nacional vindo de alguém que conhece a tecnologia por dentro. E o que torna o momento ainda mais tenso é o facto de a Nvidia ser um dos maiores investidores da Anthropic, tendo injetado mais de 10 mil milhões de dólares na empresa.

A inteligência como arma de guerra

A crítica de Amodei surge na sequência do levantamento parcial das restrições de exportação pelos EUA, que autorizaram a Nvidia e a AMD a retomar as vendas de certos chips (como a linha H200) a clientes aprovados na China. Para os fabricantes de chips, isto é negócio; para Amodei, é um erro geopolítico catastrófico.

O CEO da Anthropic argumenta que tratar chips de IA como uma mercadoria de exportação neutra é ignorar a sua natureza. “Os modelos de IA são essencialmente cognição, são essencialmente inteligência”, explicou.

Para ilustrar o perigo, Amodei sugeriu que se imaginem os modelos alimentados por estes chips como “100 milhões de pessoas mais inteligentes do que qualquer vencedor do Prémio Nobel, todas sob o controlo de um país ou de outro”. Ao fornecer o hardware necessário para treinar e correr estes modelos, os EUA estão, na sua visão, a entregar uma vantagem militar e de segurança incalculável a um rival estratégico.

Nvidia - anthropic - inteligência artificial

O dilema dos chips “ligeiramente desatualizados”

A defesa habitual da Nvidia e do governo americano é que os chips permitidos para exportação não são os de topo de gama (como os Blackwell B200), mas sim versões ligeiramente menos capazes. Amodei desmontou esse argumento rapidamente.

Segundo ele, mesmo chips “ligeiramente desatualizados”, quando ligados em rede numa escala massiva, podem produzir capacidades transformadoras. Os laboratórios de IA chineses estão a tornar-se peritos em otimizar hardware existente. Dar-lhes acesso a milhares de chips H200 é, na prática, acelerar o seu desenvolvimento em anos, corroendo a vantagem que o ocidente tenta manter.

Tensão no “Clube da IA”

Este episódio expõe uma fratura crescente dentro de Silicon Valley. De um lado, estão os fabricantes de hardware (Nvidia, AMD, Intel) e os fornecedores de cloud, que querem maximizar o seu mercado global e veem a China como um cliente indispensável. Do outro, estão as empresas de modelos de segurança (como a Anthropic), que veem a proliferação de IA não controlada como uma ameaça existencial.

O facto de Amodei estar disposto a criticar publicamente o seu próprio investidor (Nvidia) demonstra a gravidade com que encara a situação. A analogia das “armas nucleares” pode ser exagerada para alguns, mas serviu o seu propósito: abanou a complacência de Davos e forçou uma conversa difícil sobre se o lucro a curto prazo vale o risco de segurança a longo prazo.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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