A relação entre computação quântica e Bitcoin entrou numa nova fase de alerta após investigadores da Google Quantum AI publicarem um whitepaper que reduz drasticamente as estimativas de recursos necessários para comprometer a criptografia das principais criptomoedas. O estudo, desenvolvido em colaboração com a Ethereum Foundation e a Universidade de Stanford, conclui que quebrar o algoritmo ECDSA, que protege as carteiras de Bitcoin e Ethereum, pode exigir menos de 500.000 qubits físicos, cerca de 20 vezes menos do que cálculos anteriores apontavam.

O ataque que ninguém queria ver possível
Ao utilizar o algoritmo de Shor, um computador quântico suficientemente poderoso poderia derivar a chave privada de uma carteira em poucos minutos, segundo o blog oficial da Google Quantum AI, assinado por Ryan Babbush e Hartmut Neven . Meios especializados como o Finbold e o TechFlow estimam esse intervalo em aproximadamente nove minutos, marginalmente abaixo do tempo médio de confirmação de um bloco Bitcoin, que ronda os dez minutos . Com base nesse cenário, os investigadores calculam uma probabilidade de 41% de interceptar uma transacção antes de esta ser registada definitivamente na blockchain. Os investigadores identificaram dois designs de circuito distintos: um com menos de 1.200 qubits lógicos e 90 milhões de operações, e outro com menos de 1.450 qubits lógicos e um número inferior de operações.
Uma divulgação com ética
Num gesto considerado exemplar pela comunidade criptográfica, a equipa da Google optou por não publicar os circuitos de ataque reais, divulgando em alternativa uma prova de conhecimento zero, conforme explicado no blog oficial . Este mecanismo permite verificar a validade das conclusões sem fornecer um guia operacional a potenciais atacantes. A abordagem adoptada reconhece que avanços desta natureza exigem responsabilidade na forma como são comunicados ao público.
Computação quântica e Bitcoin: milhões de BTC já vulneráveis
O estudo vai além da janela de transacção e identifica uma vulnerabilidade de longo prazo. Cerca de 6,9 milhões de BTC, mantidos em carteiras com chaves públicas expostas, estão sujeitos a ataques futuros mesmo fora do período de confirmação, segundo a CCN . A situação poderá ter sido agravada pela actualização Taproot de 2021, que tornou mais chaves públicas visíveis por defeito na blockchain. Justin Drake, co-autor do estudo e investigador da Ethereum Foundation, estima uma probabilidade mínima de 10% de que, até 2032, a computação quântica represente uma ameaça real e operacional ao Bitcoin, de acordo com o TechFlow .
A migração que não pode esperar
A Google definiu 2029 como prazo interno para migrar a sua própria infraestrutura para criptografia pós-quântica e instou o ecossistema cripto a adoptar medidas semelhantes, segundo The Street . Analistas da Bitfinex, consultados pelo Decrypt, reconhecem que se trata de “um desafio de engenharia real para o sector das criptomoedas”, sublinhando que ainda está “longe de representar um perigo existencial no estado actual”. As recomendações do whitepaper incluem a transição para algoritmos resistentes à computação quântica, a rotação regular de chaves criptográficas e a prevenção da reutilização ou exposição de chaves públicas .
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