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Aplicações de IA e o perigo oculto das permissões no smartphone

Alfredo Beleza por Alfredo Beleza
21/03/2026
Em Segurança

Cada vez que instala uma nova aplicação, o smartphone apresenta uma série de pedidos de acesso que a maioria dos utilizadores aceita sem ler. A ESET, maior empresa europeia de cibersegurança, emitiu um alerta a 19 de março de 2026 sobre os riscos reais e crescentes associados a esta prática, com particular destaque para as apps de IA ( aplicações de Inteligência Artificial). O hábito de clicar em “permitir” sem avaliar as implicações pode expor credenciais bancárias, localização em tempo real e o conteúdo do ecrã a terceiros sem o conhecimento do utilizador.​

Apps de ia e o perigo oculto das permissões no smartphone

O mecanismo que ninguém lê

Sempre que se instala uma nova aplicação ou ativa uma funcionalidade, o sistema operativo apresenta um pedido de permissão. Este mecanismo funciona como uma “sentinela invisível” que regula o acesso a dados e recursos do dispositivo — mas a sua eficácia depende inteiramente da atenção do utilizador. Embora algumas permissões sejam essenciais para o funcionamento das aplicações, outras são excessivas ou servem propósitos que nada têm a ver com a utilidade declarada da ferramenta.​

O perigo das permissões de sobreposição

Um dos vetores de ataque mais sofisticados explorados por aplicações maliciosas é o uso de permissões de sobreposição para executar técnicas de clickjacking. Neste cenário, o utilizador acredita estar a interagir com botões legítimos da interface, mas está na realidade a clicar em elementos invisíveis que autorizam ações em segundo plano. Esta tática subverte os mecanismos de segurança do sistema operativo e facilita a instalação de malware sem levantar suspeitas imediatas.​

As apps de IA como novo vetor de risco

A proliferação de aplicações baseadas em Inteligência Artificial introduziu uma nova camada de risco para a privacidade digital. Muitas destas ferramentas solicitam acesso permanente ao microfone, à lista de contactos e até ao conteúdo visível no ecrã do dispositivo. Esta recolha contínua permite a criação de perfis comerciais detalhados e expõe informações sensíveis em caso de interceção ou fuga de dados.​

As aplicações de saúde e fitness representam um risco semelhante, ao recolherem dados biométricos com potenciais impactos no mundo real, como a partilha com seguradoras ou entidades terceiras. Em ambos os casos, o utilizador concede as permissões voluntariamente, convicto de que está a interagir com uma aplicação de confiança.​

Acessibilidade como vetor de ataque

Originalmente concebidos para apoiar utilizadores com limitações motoras ou visuais, os serviços de acessibilidade oferecem um controlo quase total sobre o smartphone. Quando esta permissão é concedida a uma aplicação não confiável, os atacantes conseguem intercetar códigos SMS de autenticação e monitorizar todas as interações realizadas no dispositivo. Este é frequentemente o mecanismo central utilizado por spyware e ransomware para roubar credenciais bancárias e exigir resgates financeiros.​

Níveis de risco das permissões

A avaliação do perigo associado a cada permissão depende do contexto da aplicação e do seu potencial de exploração abusiva.​

PermissãoNível de RiscoImpacto na Segurança
Sobreposição de ecrãCríticoPermite clickjacking e interação com elementos invisíveis ​
Serviços de acessibilidadeCríticoConcede controlo total e interceção de SMS de autenticação ​
Microfone e câmaraAltoPossibilita escuta ativa e ativação remota ​
Localização em segundo planoMédio/AltoPermite rastreio físico contínuo e criação de perfis de rotina ​
Registos de SMS e chamadasAltoExpõe códigos de segurança e autenticação de dois fatores ​

Estratégias de mitigação de risco

A defesa mais eficaz exige uma auditoria regular aos acessos concedidos, através das definições de privacidade disponíveis tanto no Android como no iOS. Ricardo Neves, responsável de Marketing e Comunicação da ESET Portugal, recomenda a aplicação do princípio do privilégio mínimo: “antes de aceitar qualquer permissão, os utilizadores devem questionar se essa autorização é realmente necessária para o funcionamento da aplicação.”​

As boas práticas fundamentais incluem:​

  • Descarregar aplicações apenas de lojas oficiais
  • Ler avaliações e comentários de outros utilizadores antes da instalação
  • Revogar permissões desnecessárias após a instalação
  • Selecionar “permitir apenas durante a utilização” ou “apenas uma vez” sempre que possível
  • Atualizar regularmente o sistema operativo e as aplicações instaladas
  • Utilizar soluções antimalware de fornecedores reconhecidos

Principais destaques

  • As apps de IA solicitam cada vez mais acesso permanente ao microfone, contactos e conteúdo do ecrã.​
  • Permissões de sobreposição permitem clickjacking — o utilizador clica em elementos invisíveis sem o saber.​
  • Os serviços de acessibilidade, quando concedidos a apps maliciosas, permitem controlo total do dispositivo.​
  • A localização em segundo plano possibilita o rastreio físico contínuo sem interação ativa do utilizador.​
  • A revisão regular das permissões em iOS e Android é a principal linha de defesa individual.​

Perguntas Frequentes (FAQ)

Como revogar permissões já concedidas no Android?

Aceda a Definições > Aplicações > [nome da app] > Permissões. Em versões recentes do Android, pode também aceder a Definições > Privacidade > Gestor de Permissões para uma visão global por categoria.​

As apps nas lojas oficiais são sempre seguras?

Não necessariamente. A presença numa loja oficial reduz o risco, mas não o elimina. Aplicações com recolha excessiva de dados ou práticas questionáveis já foram identificadas tanto na Google Play Store como na App Store da Apple. A leitura das avaliações e a verificação das permissões solicitadas antes da instalação são passos indispensáveis.​

As apps de IA são mais perigosas que as restantes?

Representam um risco emergente e distinto: solicitam permissões de alto impacto (microfone, ecrã, contactos) em nome de funcionalidades legítimas, e os utilizadores tendem a concedê-las com menor resistência por confiarem nas marcas envolvidas.

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Tags: ESET
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Alfredo Beleza

Alfredo Beleza

É o fundador e director editorial do TecheNet. Com carreira internacional como CEO e director comercial e de marketing em empresas em Portugal, na Suíça e no Brasil, desenvolveu uma perspectiva aprofundada sobre a intersecção entre tecnologia, negócios e mercados globais. Com formação em Gestão, Administração e Marketing pela Webster University, na Suíça, fundou o TecheNet como um projecto editorial comprometido com o rigor e a imparcialidade da informação tecnológica em língua portuguesa.

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