Se estavas a contar os dias para regressar ao mundo mágico criado por C.S. Lewis já no final deste ano, vais ter de armar-te de paciência. A Netflix acaba de anunciar que a aguardada adaptação de “Narnia: O Sobrinho do Mágico” (“The Magician’s Nephew”) sofreu um adiamento significativo. Originalmente previsto para a época do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, o filme tem agora estreia marcada para o dia 12 de fevereiro de 2027.
Contudo, este não é um daqueles adiamentos que sinaliza problemas na produção. Pelo contrário, esta mudança de calendário esconde uma das maiores revoluções na estratégia comercial da gigante do streaming: a Netflix vai apostar todas as suas fichas num lançamento tradicional e em grande escala nas salas de cinema.
A Netflix rende-se aos grandes ecrãs e ao IMAX
A adaptação de “O Sobrinho do Mágico” marca o tão aguardado regresso de Greta Gerwig à cadeira de realizadora e argumentista após o fenómeno global que foi Barbie. E um filme com esta envergadura pedia um palco à altura.
Inicialmente, a Netflix tinha delineado um plano onde o filme seria exibido exclusivamente em ecrãs IMAX durante duas semanas antes de aterrar no catálogo de streaming na época do Natal. Para os padrões da empresa, isto já era um passo incrivelmente ambicioso. Mas agora, os planos tornaram-se ainda mais grandiosos.
A nova estratégia transforma este lançamento naquilo que a Netflix apelida de “evento global”. O filme terá pré-estreias exclusivas em formato IMAX a 10 de fevereiro de 2027, seguidas de um lançamento mundial massivo em todas as salas de cinema a 12 de fevereiro. A grande novidade? O filme só ficará disponível para os subscritores na plataforma de streaming a 2 de abril de 2027. Trata-se de uma janela de exclusividade nos cinemas de quase dois meses, algo absolutamente inédito para uma grande superprodução da marca do “N vermelho”.

Uma mudança necessária na estratégia de Hollywood
Esta cedência aos cinemas não acontece num vácuo. A empresa IMAX já lançou um comunicado onde sublinha que este adiamento permitirá ao filme usufruir de “uma janela de exibição teatral completa”, garantindo que as grandes cadeias de cinema não terão motivos para boicotar o lançamento (como costumam fazer com filmes que vão logo para o streaming).
Recentemente, a AMC Theatres (uma das maiores cadeias de cinema do mundo) destacou o enorme sucesso que teve ao exibir o final de Stranger Things nos seus ecrãs, mostrando abertura para mais colaborações. A verdade é que a histórica resistência da Netflix a lançamentos exclusivos nos cinemas tem-lhe custado caro em algumas frentes. Por exemplo, essa mesma resistência foi apontada como o motivo principal que levou os criadores de Stranger Things a assinarem o seu próximo grande acordo de exclusividade com a Paramount, em vez de continuarem com a Netflix.
O elenco de luxo e a origem da magia
Para garantir que este regresso a Narnia atrai multidões às bilheteiras, a produção não poupou no talento. O elenco conta com nomes de peso da indústria, incluindo Daniel Craig e a lendária Meryl Streep.
Em vez de começar pela mítica história do “Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, a Netflix e Gerwig escolheram adaptar “O Sobrinho do Mágico”. Este livro, embora tenha sido escrito mais tarde, serve como prequela de toda a saga, explicando as origens do universo de Narnia, da Feiticeira Branca e do icónico guarda-roupa.
No comunicado oficial do adiamento, Greta Gerwig explicou a sua profunda ligação ao projeto, revelando que leu o livro pela primeira vez em criança e que se “apaixonou pelo conceito maravilhosamente improvável, mas completamente brilhante, de um leão cósmico a cantar o mundo de Narnia para a vida”. Se o filme conseguir capturar uma fração dessa magia poética, a espera até fevereiro de 2027 valerá cada segundo, especialmente se puderes vê-lo num ecrã gigante com um balde de pipocas na mão.
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