A LG pode estar prestes a fazer mais uma despedida dolorosa do mercado de eletrónica de consumo. Depois de encerrar o seu carismático departamento de smartphones em 2021, agora parece ser a vez do icónico segmento de televisões dizer adeus.
Segundo um novo relatório divulgado pelo meio sul-coreano EBN, a marca está a discutir planos drásticos de reestruturação com a Hisense. A possibilidade de uma venda total do negócio está em cima da mesa de negociações.
Se isto se vier a confirmar, significa o fim de uma era na tecnologia. A LG construiu quase 60 anos de história no fabrico de televisões, mas a atual pressão do mercado está a forçar mudanças pesadas para a fabricante.

Concorrência feroz das marcas chinesas aperta o cerco
O cenário não está fácil para as gigantes tradicionais da tecnologia. A verdade é que marcas como a Hisense e a TCL têm ganho um terreno absurdo à boleia de preços incrivelmente agressivos e melhorias significativas na qualidade dos seus painéis.
Dados recentes da Omdia colocam a TCL e a Hisense com 14% e 12.5% da quota de mercado global de envios de TVs, respetivamente. É uma pressão gigantesca para as velhas guardas do mercado, incluindo a Samsung e a própria LG, que veem os seus lucros sistematicamente esmagados.
Aliás, ainda há pouco tempo vimos a Sony a vender uma participação maioritária do seu negócio de televisões à TCL. O mercado de smart TVs está a mudar de forma muito rápida, e é no mínimo compreensível que as velhas glórias prefiram saltar do barco a tempo.
O que se segue para a gigante sul-coreana?
Os executivos da LG já terão viajado até Pequim para se reunirem com as altas chefias da Hisense. Até ao momento, nenhuma das partes confirmou o negócio publicamente, mas quando há fumo deste calibre na indústria, raramente o fogo anda longe.
No entanto, abandonar a produção de hardware não significa que a marca vá desaparecer da tua sala de estar. O plano de sobrevivência da fabricante deverá passar por uma forte aposta no software, replicando a estratégia usada quando mataram as suas linhas V-series e LG Wing.
Caso a divisão de TV seja efetivamente vendida, o foco de investimento da LG passará para os seguintes pilares:
- Expansão e licenciamento do sistema operativo webOS;
- Serviços de software para monitores e smart displays;
- Sistemas e componentes para o mercado automóvel (EV);
- Robótica e dispositivos conectados para smart homes.
Este é, sem dúvida, o caminho mais lógico nos dias de hoje. Apostar nos serviços e no ecossistema de entretenimento parece ser a tábua de salvação ideal para a marca fugir à sangrenta guerra de preços dos ecrãs físicos, mantendo-se perfeitamente relevante no teu dia a dia.
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