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Microsoft cede à pressão e apaga conselho polémico sobre 32 GB de RAM

Vitor Urbano por Vitor Urbano
05/05/2026
Em Microsoft

Se montaste ou compraste um computador para jogar recentemente, é garantido que te deparaste com o dilema mais antigo do PC gaming: quanta memória RAM é realmente necessária para correr os jogos modernos sem sofrer com soluços e quebras de fluidez? A resposta a esta pergunta costuma variar imenso dependendo de para quem perguntas, dos jogos que preferes e da tua tolerância a eventuais problemas de desempenho. No entanto, a Microsoft decidiu recentemente vir a público dar a sua própria “sentença” oficial sobre o assunto. O único problema? A comunidade de jogadores não achou muita piada à sugestão e a gigante tecnológica viu-se forçada a recuar de fininho.

Num artigo publicado (e já extinto) no seu site oficial, a dona do Windows e da Xbox decidiu estabelecer o que considerava serem as novas regras de ouro para a configuração ideal de memória num computador dedicado aos videojogos.

Segundo o texto da empresa, os 16 GB de RAM deveriam começar a ser encarados apenas como o “ponto de partida prático” ou a linha de base mínima. A verdadeira recomendação da Microsoft, que rotulou audaciosamente como a “atualização sem preocupações” (no worries upgrade), fixava-se nos imponentes 32 GB de memória. A justificação oficial até tinha alguma base lógica: ter 32 GB dá-te uma margem de manobra gigantesca se fores o tipo de jogador que gosta de ter o jogo a correr enquanto mantém o Discord aberto para falar com os amigos, tem o navegador (como o faminto Google Chrome) cheio de separadores com guias e tutoriais, ou usa ferramentas de streaming a funcionar em segundo plano.

Microsoft ram

Além de tudo isto, a marca argumentava que esta capacidade extra daria mais “espaço para respirar” aos títulos AAA mais recentes, cujas exigências técnicas continuam a disparar de ano para ano.

A fúria da comunidade: quem tem carteira para isso?

A teoria corporativa parecia muito sensata no papel, mas a Microsoft esqueceu-se rapidamente de um detalhe crucial e incontornável: o orçamento finito do jogador comum.

Assim que o portal especializado Windows Latest descobriu este artigo de aconselhamento e o partilhou com o resto do mundo, a reação nas redes sociais, subreddits e fóruns dedicados a hardware foi imediata e implacável. Os jogadores não pouparam nas críticas e muitos recorreram ao sarcasmo para ridicularizar a recomendação da empresa.

A queixa principal é muito fácil de compreender. Num mercado onde as placas gráficas de última geração e os processadores de topo já custam autênticas fortunas, exigir ou tentar normalizar que os jogadores gastem mais umas largas dezenas ou centenas de euros (ou dólares) apenas para duplicarem a sua memória RAM é uma atitude que soa a total desconexão com a realidade económica. O consenso generalizado da comunidade foi claro: pedir às pessoas que abram os cordões à bolsa para atingir a marca dos 32 GB não passa uma boa imagem, especialmente quando muitos ainda lutam para montar uma máquina básica.

O “apagão” ninja da Microsoft

O desfecho desta história é um caso clássico de gestão de crises e controlo de danos corporativo, executado da forma mais silenciosa que conseguires imaginar. Perante a avalanche de comentários negativos e o tom de ridicularização por parte da comunidade gamer, a Microsoft concordou implicitamente que tinha dado um belo tiro no pé com aquela publicação.

Qual foi a solução encontrada? A empresa simplesmente removeu o artigo do seu site oficial durante a noite, sem deixar qualquer tipo de rasto, nota de rodapé ou pedido de desculpas. A manobra foi de tal forma rápida e furtiva que nem sequer o famoso Wayback Machine (o arquivo digital que preserva páginas da internet) conseguiu capturar uma cópia da página original para a posteridade, transformando as palavras da Microsoft num autêntico fantasma digital.

A verdade nua e crua é que, independentemente desta polémica, os videojogos modernos estão efetivamente a tornar-se cada vez mais pesados. Ter 16 GB no teu sistema ainda te permite jogar a esmagadora maioria do catálogo atual de forma super decente, mas a inevitável transição para capacidades superiores está a desenhar-se no horizonte. O erro da Microsoft não foi um erro de previsão técnica, mas sim um gigante erro de timing e de empatia com a tua carteira.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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