O negócio de fabrico de chips da Samsung está a viver um momento de ouro. Depois de um primeiro trimestre de 2026 com lucros operacionais a bater recordes, a fabricante sul-coreana prepara-se para acolher ainda mais peso-pesados da indústria tecnológica, que procuram desesperadamente uma alternativa viável.
O motivo por trás desta migração em massa é simples: a TSMC não está a dar conta do recado. A explosão na procura por chips de inteligência artificial e de alto desempenho esgotou por completo a capacidade de produção da gigante de Taiwan, forçando as empresas a diversificarem rapidamente as suas linhas de fornecimento.
Para não ficarem reféns de estrangulamentos na cadeia de abastecimento, tecnológicas como a Google e a AMD estão a virar agulhas para a Samsung. É o clássico caso de “não colocar os ovos todos no mesmo cesto”, e a marca sul-coreana está a capitalizar esta crise da concorrência de forma exemplar.

Quem está a mudar para os braços da Samsung
Com a TSMC praticamente lotada, a lista de clientes a adotar a estratégia de “dual-sourcing” (dividir encomendas entre duas fundições) não para de crescer. A AMD, por exemplo, já está em negociações para que a Samsung fabrique os seus futuros processadores a partir de 2028.
Se achavas que a Google ia ficar a ver navios, desengana-te. A gigante das pesquisas está a aprofundar laços para a produção dos processadores Axion de próxima geração e já pediu à Samsung para assumir parte dos críticos Tensor Processing Units (TPUs) destinados a tarefas pesadas de inteligência artificial.
Como deves calcular, este movimento de diversificação não se fica apenas pelas tecnológicas mais óbvias. Até a indústria automóvel está a precaver-se contra a escassez, garantindo desde já o seu espaço nas linhas de montagem da marca sul-coreana:
- Tesla: Já confirmou que o seu próximo chip AI6 será integralmente fabricado nas instalações da Samsung localizadas no Texas.
- BYD: A maior fabricante de veículos elétricos do mundo está em discussões avançadas para a produção dos seus chips de condução autónoma.
- Groq: A conhecida startup de IA apoiada pela NVIDIA já utiliza a fundição da Samsung e deve manter a parceria para as futuras versões dos seus chips especializados.
O mercado de chips afunila-se
Se olharmos de forma fria para o mercado atual, a realidade é que existem apenas três nomes capazes de fabricar semicondutores verdadeiramente avançados: TSMC, Samsung e Intel. Como a divisão de manufatura externa da Intel ainda está a dar os primeiros passos, a Samsung assume o estatuto natural de grande e única alternativa ao domínio da TSMC.
É inegável que a TSMC ainda detém a coroa na produção dos chips mais avançados do mundo. No entanto, esta incapacidade crónica de dar resposta à procura desenfreada está a custar-lhe caro a longo prazo, abrindo a porta para que a sul-coreana ganhe um embalo que parecia quase impossível há bem pouco tempo.
Restará saber se a Samsung conseguirá manter este ritmo alucinante e convencer estas empresas a ficarem nos seus quadros, mesmo quando a tempestade passar. Para já, é no mínimo curioso observar como a crise da concorrência acabou por ser a melhor notícia que os executivos da marca podiam receber este ano.
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