A Samsung acaba de demonstrar porque é considerada um autêntico “peso-pesado” na indústria tecnológica global. Enquanto muitos olhos estão postos nos próximos smartphones e nos avanços da inteligência artificial, é nos bastidores que a gigante sul-coreana está a fazer os verdadeiros milhões.
Os números do primeiro trimestre de 2026 acabam de ser revelados pela Omdia e pintam um cenário de domínio quase absoluto. A empresa não só recuperou o primeiro lugar no mercado global de memórias DRAM, como o fez com uma margem de crescimento que deixou a concorrência a comer pó.
O mais interessante no meio de toda esta reviravolta financeira é a estratégia adotada. Este salto astronómico não foi conseguido a vender mais chips para os computadores e consolas que tens em casa, mas sim a apostar as fichas todas no mercado corporativo e na febre da IA.

A loucura da inteligência artificial gera lucros recorde
Para teres uma ideia da dimensão deste negócio, o mercado global de DRAM atingiu um recorde absoluto de 97,1 mil milhões de dólares logo no arranque do ano. Deste bolo gigantesco, a Samsung meteu ao bolso cerca de 37,4 mil milhões, o que representa um aumento impressionante de 95,4% face ao trimestre anterior.
A justificação para estes números absurdos é simples: a expansão massiva de data centers para suportar os novos e famintos modelos de inteligência artificial generativa. Estas infraestruturas devoram quantidades colossais de High Bandwidth Memory (HBM) e das mais avançadas DDR5.
Para perceberes melhor como ficou o pódio deste lucrativo mercado de semicondutores, eis o atual estado das forças:
- A Samsung lidera o mercado com uma quota dominante de 38,6%.
- A SK Hynix caiu para a segunda posição, garantindo agora 28,8% do mercado global.
- A Micron Technology fecha o pódio no terceiro lugar, segurando uma respeitável quota de 22,4%.
- A chinesa CXMT tem vindo a ganhar terreno rapidamente, triplicando as receitas e atingindo os 7,6% de quota.
O futuro do mercado de semicondutores
Com estes resultados, a Samsung solidifica a sua vantagem competitiva e mostra que sabe exatamente onde as empresas rivais têm as suas fraquezas. O aumento generalizado dos preços médios de venda destas memórias de alta performance ajudou a compor os lucros e a afastar os fantasmas dos trimestres menos fulgurantes.
Ainda assim, os analistas avisam que esta festa poderá abrandar. À medida que mais oferta entra no mercado e a produção global estabiliza, é provável que a escalada dos preços comece a perder força, obrigando as fabricantes a adaptarem novamente as suas projeções.
Resta saber se a sede do mundo por inteligência artificial vai continuar a alimentar as fábricas sul-coreanas a este ritmo louco, ou se o mercado está prestes a entrar num ciclo mais contido. Para já, a Samsung tem motivos de sobra para sorrir.
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