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Google classifica “back button hijacking” como spam

Sites que bloqueiam o botão de retroceder do browser arriscam penalizações a partir de 15 de junho de 2026.

Alfredo Beleza por Alfredo Beleza
16/04/2026
Em Google

O Google classificou o back button hijacking como violação da sua política de spam, tornando a prática uma infração explícita às suas diretrizes de “práticas maliciosas”. A nova regra entra em vigor a 15 de junho de 2026, dando aos proprietários de sites dois meses para auditar o código das suas páginas e corrigir eventuais irregularidades.

Google classifica "back button hijacking" como spam
Imagem conceitual gerada por IA (Nano Banana 2)

O que é o back button hijacking?

Quando um utilizador clica no botão de retroceder do browser, a expectativa é simples: regressar à página anterior. O back button hijacking frustra precisamente essa expectativa, ao manipular o histórico do browser para impedir que o utilizador regresse de imediato à página de origem.

Na prática, os sites que recorrem a esta técnica injetam ou substituem entradas no histórico de navegação do utilizador. O resultado pode ser um redirecionamento para páginas desconhecidas, a exibição de anúncios não solicitados ou, simplesmente, o bloqueio total da navegação normal. A técnica explora a History API dos browsers, uma ferramenta originalmente concebida para uso legítimo em aplicações de página única (single-page applications).

Uma “expectativa fundamental” violada

O Google foi direto na justificação da medida. “Quando um utilizador clica no botão de retroceder, tem uma expectativa clara: quer regressar à página anterior. O back button hijacking viola essa expectativa fundamental”, lê-se no comunicado oficial do Google Search Central, publicado a 13 de abril de 2026.

A empresa refere ainda que tem registado um aumento desta prática nos últimos meses, o que motivou a formalização da proibição nas suas diretrizes. Segundo o Google, “as pessoas reportam sentir-se manipuladas e, progressivamente, menos dispostas a visitar sites desconhecidos”. A prática enquadra-se na categoria de “práticas maliciosas”, definida como comportamentos que “criam uma discrepância entre as expectativas do utilizador e o resultado real, conduzindo a uma experiência negativa e enganadora”.

Quais as consequências para os sites infratores?

As páginas que utilizem técnicas de back button hijacking ficam sujeitas a duas formas de penalização: ações manuais de spam, aplicadas por revisores humanos do Google, ou rebaixamentos automáticos nos resultados de pesquisa. Em casos mais graves, a remoção completa dos resultados de pesquisa não está excluída.

Os sites que receberem uma ação manual após 15 de junho podem submeter um pedido de reconsideração através do Google Search Console, desde que tenham corrigido o problema previamente.

A responsabilidade recai sobre os proprietários dos sites

O Google foi inequívoco: a responsabilidade pelo cumprimento das novas regras é dos proprietários dos sites, mesmo quando o problema tem origem em código de terceiros. “Alguns casos de back button hijacking podem ter origem em bibliotecas incluídas no site ou em plataformas de publicidade”, admite o Google, acrescentando que os proprietários devem “rever a implementação técnica e remover ou desativar qualquer código, importação ou configuração responsável pelo problema”.

Esta posição tem implicações práticas relevantes para os publishers que dependem de redes de publicidade externas ou de widgets de recomendação de conteúdo. Scripts de terceiros podem manipular o histórico do browser sem o conhecimento direto do dono do site, tornando a auditoria técnica uma prioridade imediata.

Uma mudança de posição face a 2020

A nova política representa uma inversão em relação à postura anterior do Google. Em 2020, o então porta-voz de pesquisa Johannes Müller declarou, numa sessão pública com webmasters, desconhecer qualquer política que proibisse o back button hijacking e que a prática não tinha impacto no posicionamento nos resultados de pesquisa.

A equipa do Google Chrome tinha, contudo, vindo a trabalhar em proteções ao nível do browser contra a manipulação do histórico pelo menos desde 2018, sem que o lado da Pesquisa tivesse tomado medidas formais até agora. A nova política colmata essa lacuna e alinha, pela primeira vez, as regras do motor de pesquisa com o comportamento esperado do browser.

Fonte principal: Google Search Central Blog – “Introducing a new spam policy for ‘back button hijacking‘”, 13 de abril de 2026.

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Tags: back button hijackingbotão de retroceder do browsergoogle chromeGoogle Search Central Blogviolação da política de spam
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Alfredo Beleza

Alfredo Beleza

É o fundador e director editorial do TecheNet. Com carreira internacional como CEO e director comercial e de marketing em empresas em Portugal, na Suíça e no Brasil, desenvolveu uma perspectiva aprofundada sobre a intersecção entre tecnologia, negócios e mercados globais. Com formação em Gestão, Administração e Marketing pela Webster University, na Suíça, criou o TecheNet como um projecto editorial comprometido com o rigor e a imparcialidade da informação tecnológica em língua portuguesa.

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