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O fenómeno Samsung: lucro histórico prova que a inteligência artificial é uma mina de ouro

Vitor Urbano por Vitor Urbano
30/04/2026
Em Samsung

Quem diria que, num espaço de apenas doze meses, o cenário tecnológico mudaria de forma tão radical? Se recuarmos um pouco no tempo, a Samsung debatia-se com incertezas, mas os resultados do primeiro trimestre de 2026 acabam de estoirar com qualquer previsão pessimista. A gigante sul-coreana não se limitou a bater recordes; ela pulverizou-os, registando um lucro de 57,2 biliões de won (cerca de 90 mil milhões de dólares). Para teres uma ideia da escala deste fenómeno, a empresa lucrou mais nestes primeiros três meses do ano do que em todo o ano de 2025 combinado. É um crescimento absurdo de 750% face ao período homólogo, provando que a aposta na infraestrutura para inteligência artificial é, atualmente, o negócio mais lucrativo do planeta.

Embora estejas habituado a ver o logótipo da Samsung nos smartphones que as pessoas tiram do bolso, a verdadeira “galinha dos ovos de ouro” da marca vive longe dos holofotes, dentro dos centros de dados. A divisão de semicondutores da empresa, conhecida como Device Solutions (DS), foi a grande protagonista desta reviravolta financeira. Enquanto no primeiro trimestre de 2025 esta unidade reportava um lucro operacional modesto de 1 bilião de won, este ano saltou para uns astronómicos 53,7 biliões.

Estamos a falar de um setor que foi responsável por mais de 90% dos lucros totais do grupo. A razão é simples: a fome global por memória de alta largura de banda (HBM). Sem estes componentes, os gigantes como a Nvidia não conseguem alimentar os potentes sistemas que fazem correr ferramentas de inteligência artificial. A Samsung soube posicionar-se na linha da frente e, ao fornecer o “combustível” para a próxima fronteira da computação, garantiu que os seus cofres ficassem cheios enquanto a concorrência tentava acompanhar o ritmo.

Samsung (2)

A ironia do sucesso e o preço a pagar nos smartphones

Aqui é onde a história ganha um contorno curioso para ti, que consomes tecnologia de consumo. O mesmo sucesso que faz as ações da Samsung dispararem 90% desde o início do ano está a criar uma dor de cabeça à divisão que fabrica os telemóveis que usas. Como a procura por memórias para servidores de inteligência artificial é tão alta, o fornecimento tornou-se escasso e os preços subiram em flecha.

A divisão Mobile Experience (MX) viu-se numa situação bicuda: por um lado, pertence à empresa que está a lucrar biliões com a venda de componentes; por outro, enquanto fabricante de dispositivos, tem de pagar mais caro por esses mesmos componentes. Isto resultou numa compressão das margens de lucro dos smartphones. Na prática, a Samsung está a ganhar tanto dinheiro a vender “peças” para os outros que acaba por prejudicar ligeiramente a rentabilidade dos seus próprios dispositivos Galaxy. É um paradoxo fascinante onde o fornecedor é tão bem-sucedido que o fabricante tem dificuldade em manter as contas equilibradas.

A corrida pelo trono da memória HBM4

A rivalidade com a compatriota SK Hynix continua acesa, mas a Samsung deu um passo de gigante ao ser a primeira a produzir em massa as memórias HBM4. Este avanço técnico permitiu-lhes fechar contratos vitais com a Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo na atualidade. Embora os analistas de mercado, como Ray Wang da SemiAnalysis, apontem que a SK Hynix ainda mantém uma ligeira liderança na arquitetura global de memórias, a distância nunca foi tão curta.

Aqui tens os pontos fundamentais para compreenderes o estado atual da marca:

  • Valorização bolsista: As ações subiram cerca de 90% no acumulado do ano, refletindo a confiança dos investidores na estratégia focada em componentes.
  • Domínio do mercado: A produção em massa de HBM4 colocou a Samsung num patamar de vantagem competitiva difícil de ignorar pelos grandes nomes de Silicon Valley.
  • Capitalização de mercado: A empresa vale agora cerca de 1,45 mil biliões de won, consolidando-se como um gigante de um bilião de dólares, embora ainda distante dos valores de mercado da Google ou da Apple.

Tudo isto nos mostra que a Samsung é hoje muito mais do que uma marca de eletrónica de consumo. É o pilar invisível que sustenta a era da computação avançada. Enquanto o utilizador comum se foca na qualidade do ecrã ou no desempenho do processador do seu próximo telemóvel, a administração em Seul está mais preocupada em garantir que todos os servidores do mundo tenham o selo da Samsung nas suas memórias. Se a tendência se mantiver, 2026 ficará gravado na história como o ano em que a empresa deixou de ser apenas uma líder de vendas para se tornar o pulmão financeiro da tecnologia moderna.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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