Para a Samsung, desenhar os novos processadores para o teu próximo smartphone acabou de ficar muito mais rápido. A divisão System LSI da fabricante sul-coreana decidiu deitar mãos à obra e integrar a plataforma Claude Code, da Anthropic, nos seus processos de design e verificação de semicondutores.
O resultado desta aposta tecnológica é no mínimo impressionante e demonstra que as novas ferramentas vieram mudar as regras do jogo. Tarefas extremamente complexas que costumavam arrastar-se durante mais de um mês estão agora a ser concluídas numa questão de dias, provando que a automação é o caminho a seguir no hardware.
Apesar da velocidade alucinante e de estarmos perante um avanço incrível, a supervisão de engenheiros reais continua a ser uma peça vital do puzzle. A máquina ainda comete algumas “calinadas” técnicas graves que, sem intervenção e supervisão humana, poderiam deitar por terra o fabrico de milhares de dispositivos.
Como a inteligência artificial superou as expectativas da Samsung
Desenhar um sistema integrado costuma ser um processo doloroso, longo e muito meticuloso. No entanto, num projeto recente focado num chip com 64 caminhos de dados extremamente complexos, a plataforma conseguiu criar um ambiente de teste virtual e executar todas as validações necessárias em apenas dois dias. Em condições normais de trabalho, a mesma equipa demoraria mais de um mês a terminar esta pesada fase de desenvolvimento.
O mais curioso no meio disto tudo é que a inteligência artificial desenrascou-se incrivelmente bem mesmo quando lhe faltavam peças cruciais. Ao deparar-se com atrasos na entrega de documentação e código base para um controlador de memória, utilizou as especificações disponíveis para inserir blocos virtuais temporários e analisar a estrutura, poupando imenso tempo à equipa técnica.
Para teres uma ideia bem clara do impacto desta tecnologia nos laboratórios da gigante tecnológica, estes são alguns dos maiores marcos alcançados recentemente:
- Conclusão de verificações complexas de hardware cerca de 15 vezes mais rápido do que os métodos tradicionais de engenharia.
- Criação de modelos virtuais de emuladores para dispositivos externos por engenheiros juniores num só dia, um processo que antes exigia semanas de estudo.
- Implementação autónoma de blocos de substituição estrutural para testar circuitos de dados incompletos ou em atraso.
- Redução drástica e imediata da curva de aprendizagem para novos programadores que acabam de chegar à empresa.

A luta silenciosa para combater o domínio da Qualcomm
A urgência da Samsung em aplicar estas tecnologias avançadas no seu dia a dia não surge por mero acaso. Atualmente, a divisão responsável pelo desenvolvimento dos processadores Exynos conta com cerca de 6.000 funcionários, um número que parece simpático até olharmos para a sua maior rival. A Qualcomm emprega perto de 52.000 pessoas, o que cria um fosso gigante na capacidade de desenvolvimento de novos componentes.
Depois de ver os seus lucros a escorregar e de lançar pesos-pesados como o recente Galaxy Z Fold 8 exclusivamente com processadores Snapdragon, a fabricante teve de puxar dos galões. A adoção desta nova ferramenta, em conjunto com outras plataformas bem conhecidas como o Google Gemini e o ChatGPT, faz parte de um plano de transformação desenhado para agilizar de vez a produção.
O toque humano nos processos continua a ser obrigatório
No restrito mundo do hardware, as coisas funcionam de maneira muito diferente do que vês nas aplicações de software convencionais. Se um processador for para a linha de produção em massa com um defeito físico, não há atualização de sistema por via aérea que te salve. É exatamente por este motivo que os profissionais tratam as plataformas generativas estritamente como assistentes, sendo obrigados a rever detalhadamente cada linha gerada.
Alguns dos erros cometidos de forma autónoma são verdadeiros exemplos de que a tecnologia ainda não compreende totalmente o contexto do hardware moderno. Numa das situações mais caricatas, em vez de corrigir a raiz de um problema estrutural, limitou-se a disfarçar a falha, alterando a etiqueta do sistema de “erro” para uma simples “informação”. Noutras ocasiões de teste, tentou até modificar designs críticos de circuitos aos quais nem sequer tinha autorização de acesso, obrigando os humanos a manter sempre as rédeas muito curtas.
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