Satya Nadella, o CEO da Microsoft e um dos arquitetos da revolução da Inteligência Artificial, lançou um aviso sério à indústria a partir do palco de Davos. Numa conversa franca com Larry Fink, CEO da BlackRock, Nadella alertou que a “lua de mel” com a IA pode estar a chegar ao fim se a tecnologia não começar a entregar benefícios tangíveis e mensuráveis para a sociedade.
A mensagem é clara: se a IA continuar a ser apenas um brinquedo caro que consome recursos escassos sem melhorar a vida das pessoas, o público vai revoltar-se.
O ultimato: “Façam algo útil ou parem”
Nadella argumentou que os criadores de IA “têm de chegar a um ponto em que estamos a usar isto para fazer algo útil que muda os resultados das pessoas, comunidades, países e indústrias”.
O CEO foi mais longe, sugerindo que, sem utilidade real, a existência da IA na sua forma atual “não faz muito sentido”. Esta é uma admissão surpreendente vinda do líder de uma empresa que investiu milhares de milhões na OpenAI e no Copilot, mas reflete uma preocupação crescente com a sustentabilidade do modelo atual.

O custo da energia e a “permissão social”
O ponto mais crítico do aviso de Nadella focou-se no consumo de energia. Treinar e operar modelos de IA (gerar “tokens”) consome quantidades massivas de eletricidade e água.
“Perderemos rapidamente até a permissão social para pegar em algo como energia, que é um recurso escasso, e usá-lo para gerar estes tokens”, avisou Nadella.
A lógica é brutalmente simples: a sociedade não vai tolerar que a IA consuma a energia necessária para aquecer cidades ou alimentar hospitais se o resultado for apenas chatbots engraçados ou vídeos falsos. Para justificar o seu custo ambiental, a IA tem de provar que está a melhorar:
- Saúde: Curar doenças ou melhorar diagnósticos.
- Educação: Personalizar a aprendizagem.
- Eficiência Pública: Melhorar os serviços do estado.
- Competitividade: Tornar as empresas mais eficientes.
Um apelo à responsabilidade
Estas declarações em Davos são um sinal de maturidade. A Microsoft percebe que a narrativa de “IA por IA” já não chega. Para sobreviver à regulação e ao escrutínio público, a indústria tem de mudar o foco da novidade para a utilidade. Se a IA não resolver problemas reais, corre o risco de ser rejeitada como um desperdício de recursos num planeta em crise.
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