O lançamento da coleção Royal Pop, a 16 de maio de 2026, transformou dezenas de lojas Swatch em palcos de caos em vários países da Europa, do Médio Oriente e da América do Norte.

A procura muito superior à oferta disponível, agravada pela presença em massa de revendedores profissionais nas filas, obrigou a marca suíça a encerrar pontos de venda em França, no Reino Unido, nos Países Baixos e no Dubai, e a apelar publicamente aos consumidores para que não se deslocassem em grande número às lojas.
A coleção Royal Pop, criada em parceria com a Audemars Piguet e disponível entre 385 e 400 euros em Portugal, esgotou em minutos onde as vendas chegaram a acontecer.
O que aconteceu loja a loja
França foi o país onde os incidentes assumiram maior gravidade. Na região de Paris, no centro comercial Westfield Parly 2, em Chesnay-Rocquencourt, mais de 200 pessoas forçaram os acessos antes da abertura. Cerca de 300 pessoas foram dispersadas com gás lacrimogéneo pelas autoridades francesas. Parte das grades de segurança da loja foi danificada e elementos das forças de segurança e seguranças privados foram agredidos. A Swatch cancelou a venda sem data de reagendamento imediata, com a marca a justificar que “os organizadores haviam subestimado o dispositivo de segurança necessário”. Filas foram registadas nas Champs-Élysées, na Rue de Rivoli, no Forum des Halles e em Haussmann, com centenas de pessoas a passar a noite de sexta para sábado à porta das lojas. A Swatch França encerrou ainda as lojas em Lyon, Deauville, Rennes, Lille, Saint-Tropez e Montpellier durante todo o dia 16 de maio.
No Reino Unido, a BBC confirmou que a Swatch encerrou as lojas em sete cidades: Londres, Liverpool, Manchester, Birmingham, Sheffield, Glasgow e Cardiff, invocando “considerações de segurança tanto para os clientes como para os funcionários“. Em Liverpool, clientes permaneceram junto à loja na Paradise Street durante dois dias consecutivos. A polícia de Merseyside deslocou-se ao local pelas 07h00 de sábado, após denúncia de um grupo de homens a agir de forma agressiva no exterior. Em Cardiff, a polícia do Sul do País de Gales foi chamada às 06h20, perante cerca de 300 pessoas a tentar entrar no centro comercial St. Davids; um homem de 25 anos foi detido e alvo de uma ordem de dispersão. Em Londres, a polícia deslocou unidades caninas ao Battersea Power Station e ao Westfield para controlo de multidões. Em Manchester, foi reportada uma briga no Trafford Centre. As lojas de Manchester e Liverpool permaneceram encerradas por um segundo dia consecutivo, no domingo, 17 de maio.
Nos Países Baixos, as lojas de Amesterdão e Utrecht encerraram e o Westfield Mall of the Netherlands anunciou no seu site que “o lançamento da Swatch em colaboração com a Audemars Piguet não vai acontecer”, segundo a CNN Portugal. Não foi indicada data de reabertura.
No Dubai, o Dubai Mall e o Mall of the Emirates cancelaram os eventos de lançamento, por iniciativa dos próprios centros comerciais, devido a grandes aglomerações formadas ao longo de vários dias antes da data oficial.
Em Nova Iorque, alguns entusiastas permaneceram junto à loja da Times Square durante uma semana antes do lançamento, com relatos de pessoas que se sentiram mal durante a espera. John McIntosh, que estava na fila desde quarta-feira, descreveu o momento da abertura ao The Guardian como “parecia um mosh pit“. Registaram-se ainda ajuntamentos em Tóquio, Milão, Singapura e Mumbai, com a Swatch a encerrar lojas em todas estas cidades por razões de segurança.
Em Portugal, o 24horas.pt confirmou grandes aglomerações no lançamento, com vídeos partilhados nas redes sociais a mostrar filas extensas à entrada da loja do Centro Colombo, em Lisboa, e a presença de elementos policiais no local para prevenção de incidentes.
A resposta da Swatch
A Swatch reagiu com comunicados nas redes sociais durante o próprio dia do lançamento. “A coleção Royal Pop ficará disponível durante vários meses. Em alguns países e regiões, filas com mais de 50 pessoas não podem ser aceites e as vendas poderão ter de ser suspensas“, publicou a marca. Segundo a People, a Swatch anunciou ainda o encerramento de nove lojas nos Estados Unidos “face a considerações de segurança pública”, com a declaração a acrescentar que “o lançamento registou uma procura extraordinariamente elevada” e que “algumas lojas tiveram de ser encerradas em coordenação com o pessoal de segurança e as autoridades locais, para garantir um ambiente seguro para todos”. Até ao fecho desta edição, a Swatch não emitiu qualquer declaração sobre alterações ao modelo de distribuição para os próximos dias de venda.
O papel dos revendedores profissionais
Uma parte significativa das filas era composta por revendedores profissionais, designados no setor como “scalpers”, que adquirem unidades no lançamento com o objetivo exclusivo de as revender a preços superiores. No Reino Unido, exemplares apareceram em plataformas de revenda por valores até 16.000 libras, mais de 18.000 euros, face a um preço de tabela de 335 libras, segundo o LADbible. Na plataforma StockX, algumas unidades estão listadas com preços superiores a 1.800 dólares. Na Chrono24 os modelos à venda continuam muito acima do preço de tabela, entre 1.700 e 4.900 dólares.
A regra de “um relógio por pessoa, por dia e por loja” não impede os revendedores profissionais de atuar: basta estarem presentes com documentos de identificação válidos. Esta limitação já tinha sido amplamente discutida após o lançamento da MoonSwatch em 2022, sem que a Swatch tenha introduzido mecanismos adicionais de triagem para o lançamento da Royal Pop.
A sombra da MoonSwatch
O lançamento da Royal Pop não é um evento isolado. Em março de 2022, o lançamento da MoonSwatch gerou filas de mais de 12 horas e intervenções policiais em vários países. A Swatch lançou a Royal Pop quatro anos depois com o mesmo modelo de distribuição exclusiva em loja física, a mesma regra de compra limitada e um nível de expetativa mediática ainda maior, por se tratar da primeira colaboração com uma casa de relojoaria exterior ao Swatch Group.
Ilaria Resta, diretora-geral da Audemars Piguet, apresentou a colaboração como “uma vontade de convidar uma nova geração a descobrir a relojoaria mecânica“, acrescentando que “a totalidade dos fundos que a AP receberá no âmbito desta operação será consagrada à preservação dos saberes-fazer relojoeiros“. A declaração confere ao projeto uma dimensão de responsabilidade cultural. Porém, não responde à questão que os incidentes de 16 de maio colocam de forma direta, um lançamento com este nível de procura antecipada devia ter sido gerido com um modelo de distribuição diferente, como sistemas de reserva digital, sorteio antecipado ou lançamento faseado por país, para proteger tanto os consumidores genuínos como os funcionários das lojas.
Onde e como comprar em Portugal
Em Portugal, a coleção Royal Pop está disponível nas lojas Swatch do Centro Colombo, em Lisboa, e do NorteShopping, no Porto. A Swatch confirmou que a coleção permanecerá disponível durante vários meses, pelo que os consumidores que não conseguiram adquirir um exemplar no dia do lançamento podem deslocar-se às lojas nos dias seguintes, evitando as primeiras horas da manhã. A compra continua limitada a um relógio por pessoa, por dia e por loja, com apresentação obrigatória de documento de identificação.
Uma lição que a Swatch ainda não aprendeu
O caos do dia 16 de maio de 2026 não foi imprevisível. Foi o resultado de um modelo de lançamento que a Swatch já tinha testado em 2022 e que produziu um historial de incidentes que tornava este desfecho antecipável. A diferença desta vez é que a escala foi maior, a marca parceira ocupa um posicionamento de maior exclusividade no setor e os danos reputacionais para ambas as casas são proporcionalmente mais sérios.
A Swatch tem à sua disposição ferramentas de gestão de procura que não utilizou: sistemas de reserva digital com sorteio, limitação de acesso por código QR, pré-registo com verificação de identidade ou lançamento faseado por país e por data. A opção pelo lançamento simultâneo em mais de 200 pontos de venda, sem mecanismos de controlo de fluxo, produziu o resultado que o historial de 2022 tornava previsível. A Swatch não respondeu publicamente, até ao fecho desta edição, à questão de saber se irá alterar o modelo de distribuição para os próximos dias de venda.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que aconteceu no lançamento da Royal Pop Swatch a 16 de maio de 2026?
O lançamento gerou tumultos em vários países da Europa, do Médio Oriente e da América do Norte. Em Paris, a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar cerca de 300 pessoas. No Reino Unido, a Swatch encerrou lojas em sete cidades por razões de segurança. O Dubai cancelou o evento de lançamento. A Swatch apelou aos consumidores para não se deslocarem em grupo às lojas.
Porque é que a Swatch fechou as lojas no lançamento da Royal Pop?
A Swatch encerrou várias lojas por “considerações de segurança tanto para os clientes como para os funcionários”, segundo declaração citada pela BBC. Em França, as autoridades usaram gás lacrimogéneo e a venda foi cancelada por o dispositivo de segurança ter sido “subestimado pelos organizadores”. No Reino Unido, lojas em sete cidades permaneceram fechadas.
Ainda é possível comprar a Royal Pop em Portugal?
Sim. A Swatch confirmou que a coleção ficará disponível durante vários meses. Em Portugal, está disponível nas lojas do Centro Colombo, em Lisboa, e do NorteShopping, no Porto. A compra está limitada a um relógio por pessoa, por dia e por loja, com apresentação obrigatória de documento de identificação.
Pontos principais
- A 16 de maio de 2026, o lançamento da Royal Pop gerou tumultos em França, no Reino Unido, nos Países Baixos, no Dubai e em Nova Iorque, com a Swatch a encerrar lojas em vários países por razões de segurança.
- Em Paris, a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar cerca de 300 pessoas no centro comercial Westfield Parly 2; a venda foi cancelada sem data de reagendamento.
- No Reino Unido, lojas em Londres, Liverpool, Manchester, Birmingham, Sheffield, Glasgow e Cardiff encerraram; em Cardiff, um homem de 25 anos foi detido.
- Unidades da Royal Pop apareceram em plataformas de revenda britânicas por valores até 16.000 libras (mais de 18.000 euros), face a um preço de tabela de 335 libras.
- Em Portugal, a coleção continua disponível nas lojas Swatch do Centro Colombo e do NorteShopping; a Swatch confirma que permanecerá em venda durante vários meses.
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