Os dados roubados ao FBI incluem avaliações psiquiátricas, exames médicos e outros registos de saúde associados a funcionários e candidatos à agência norte-americana. A informação consta de documentos analisados pela Reuters após o ataque ao portal de recrutamento FBIJobs.gov.

A nova documentação amplia a dimensão conhecida do incidente. As primeiras amostras divulgadas incluíam nomes, moradas, contactos e informação profissional de funcionários ligados a áreas como contraespionagem e vigilância. Os ficheiros agora analisados acrescentam dados de saúde particularmente sensíveis.
O FBI confirmou que investiga a alegada violação do FBIJobs.gov, mas ainda não determinou se a origem da intrusão esteve num fornecedor externo ou na própria infraestrutura da agência. A investigação decorre em conjunto com empresas que prestam serviços ao portal.
Dados roubados ao FBI: registos incluem saúde mental e exames médicos
A Reuters analisou seis documentos que incluem avaliações de saúde mental anteriores à contratação, resultados de eletrocardiogramas e outros registos clínicos.
Um dos documentos refere que um candidato apresentava sintomas de depressão durante o ensino secundário. Outro indica a utilização diária de aspirina e alergias. A Reuters conseguiu confirmar parcialmente alguns dos registos através de informação de agências de crédito, perfis profissionais e uma fonte familiarizada com os processos de avaliação do FBI.
A BBC analisou separadamente outros documentos que incluíam resultados de análises ao sangue e à urina, observações médicas e alergias.
A presença de informação clínica aumenta o impacto potencial do incidente. Eric O’Neill, antigo operacional do FBI citado pela Reuters, considera que este tipo de dados pode interessar a serviços de informações estrangeiros e comparou a situação com a violação de dados do Office of Personnel Management, revelada em 2015.
Nesse incidente, atacantes obtiveram informação de milhões de trabalhadores e candidatos a cargos federais, incluindo dados utilizados em processos de credenciação de segurança.
ShinyHunters reclama entre dois e três terabytes
O grupo ShinyHunters afirma ter obtido entre dois e três terabytes de informação e diz ter comprometido outros serviços internos do FBI além do portal de recrutamento.
Estas alegações não foram confirmadas de forma independente. A amostra analisada pela Reuters demonstra a existência de documentos sensíveis, mas não permite determinar a dimensão nem a composição do conjunto completo de dados que o grupo afirma possuir.
Os ShinyHunters já surgiram associados a outras campanhas de roubo e extorsão de dados. Horas antes desta publicação, o TecheNet noticiou como o grupo terá conseguido contornar regras de firewall de aplicações Web em sistemas Oracle PeopleSoft, numa campanha distinta dirigida a ambientes empresariais.
O FBI mantém o FBIJobs.gov sob investigação e ainda não revelou quantas pessoas foram afetadas nem confirmou a extensão dos dados expostos.
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