A batalha pela supremacia na condução autónoma está ao rubro, e as palavras estão a ficar tão perigosas quanto as ações. John Krafcik, fundador da Waymo, ganhou as manchetes esta semana ao criticar duramente a abordagem da Tesla à condução autónoma total (FSD), classificando a dependência exclusiva de câmaras como “míope”. No entanto, enquanto Krafcik apontava o dedo a Elon Musk, a empresa que ele ajudou a fundar enfrenta uma crise de relações públicas muito mais grave: os seus táxis autónomos continuam a ultrapassar ilegalmente autocarros escolares, colocando crianças em risco.
O incidente mais recente, reportado pelo Distrito Escolar Independente de Austin (Austin ISD), no Texas, expõe uma falha crítica na promessa de segurança absoluta dos veículos sem condutor.

A “miopia” da Tesla vs. a cegueira da Waymo
Krafcik argumenta que a Tesla falha por não usar sensores LiDAR e radares, confiando apenas na visão computacional. Ironicamente, os sensores avançados da Waymo parecem estar a falhar numa tarefa básica de trânsito: reconhecer e respeitar o sinal de “STOP” de um autocarro escolar.
O Austin ISD afirma que o último incidente registado ocorreu apenas dois dias depois de a Waymo ter completado uma atualização de software desenhada especificamente para corrigir este problema. Esta falha repetida levou o distrito escolar a tomar uma posição drástica: pedir formalmente que a Waymo cesse as operações durante os horários de transporte escolar (manhãs e tardes).
Atualizações que não resolvem
A cronologia dos eventos é preocupante. A Waymo garantiu ao distrito escolar que as atualizações de software implementadas a 5 de novembro de 2025 resolveriam o problema. Contudo, um memorando legal datado de 20 de novembro revela que ocorreram pelo menos cinco novas violações após essa data.
“Simplesmente, as atualizações de software da Waymo não estão a funcionar como pretendido nem tão rapidamente quanto necessário”, lê-se no comunicado do Austin ISD. A frustração é palpável: “Não podemos permitir que a Waymo continue a colocar os nossos estudantes em perigo enquanto tenta implementar uma correção.”
A promessa quebrada da segurança
Este não é um caso isolado. A Waymo já está sob escrutínio da NHTSA (a autoridade rodoviária dos EUA) após um dos seus carros ter sido filmado a ultrapassar ilegalmente um autocarro escolar parado em Atlanta.
A grande promessa dos veículos autónomos é que eles seriam mais seguros do que os humanos, pois não se distraem com telemóveis nem ignoram as regras. Se a tecnologia mais avançada do mercado (Waymo) não consegue cumprir a regra sagrada de parar para um autocarro escolar, a confiança do público na condução autónoma sofre um golpe duro. Enquanto Krafcik critica a “miopia” tecnológica da Tesla, a Waymo precisa urgentemente de resolver a sua própria cegueira operacional antes que uma infração se transforme numa tragédia.
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