Com o lançamento do Firefox 149, a 24 de março de 2026, a Mozilla consolida o browser como plataforma de privacidade integrada: VPN nativa gratuita, visualização em ecrã dividido, controlos de IA granulares e a primeira implementação da Sanitizer API num browser de grande dimensão. A atualização representa a resposta mais direta da organização ao domínio do Chrome e do Edge desde há vários anos. Ajit Varma, responsável pelo Firefox, declarou à Thurrott que “o motor Gecko, o desempenho e a abertura da web estão no centro do que estamos a construir e o roteiro deste ano é o mais entusiasmante que desenvolvemos nos últimos tempos”.

Split View: dois sites, uma só janela
O modo Split View permite ao utilizador visualizar dois sites lado a lado dentro da mesma janela do browser. Para ativar a funcionalidade, basta clicar com o botão direito num separador e selecionar “Adicionar à Vista Dividida”, ou selecionar dois separadores e escolher “Abrir em Vista Dividida”. Os dois sites mantêm-se como separadores independentes, com uma barra central ajustável que permite redimensionar cada painel.
Navegadores como o Vivaldi e o Google Chrome já oferecem funcionalidades semelhantes. A implementação da Mozilla distingue-se por manter todos os separadores unificados numa única janela, sem duplicar a interface do browser. Para utilizadores com fluxos de trabalho intensivos, a funcionalidade elimina a necessidade de gerir múltiplas janelas em paralelo.
VPN gratuita integrada: proteção com reservas
A VPN nativa do Firefox 149 encaminha o tráfego de navegação por um servidor proxy, a mascarar o endereço IP do utilizador em tempo real. O serviço inclui um limite de 50 GB de dados mensais e está a ser disponibilizado de forma gradual nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França. Portugal não consta da lista de mercados no lançamento inicial.
A Mozilla afirma que o serviço foi construído segundo os seus próprios princípios de gestão de dados, sem recurso a terceiros para o tratamento do tráfego de navegação. Porém, a proteção fica restrita ao tráfego dentro do Firefox: o sistema operativo e as restantes aplicações ficam sem cobertura. A organização descreve o serviço como adequado para redes Wi-Fi públicas, pesquisas de saúde e compras online.
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Limite de dados | 50 GB por mês |
| Mercados no lançamento | EUA, Reino Unido, Alemanha, França |
| Cobertura | Apenas tráfego dentro do Firefox |
| Custo | Gratuito |
| Infraestrutura | Mozilla, sem recurso a terceiros |
Sanitizer API: o Firefox lidera em segurança web
O Firefox 149 é o primeiro browser de grande dimensão a incorporar a Sanitizer API, uma nova norma de segurança web que interceta e neutraliza conteúdo malicioso antes de chegar ao utilizador. A tecnologia bloqueia vetores de ataque como cross-site scripting (XSS) ao nível do próprio browser, sem depender de extensões ou configurações adicionais. Para programadores web, a API representa uma ferramenta nativa de sanitização de dados que simplifica a escrita de código seguro.
Controlos de IA: cada função, uma decisão
O Firefox 149 abandona o modelo de ativação global de funcionalidades de inteligência artificial e passa a oferecer controlos granulares por função. O utilizador pode ativar ou desativar individualmente cada ferramenta de IA, como resumos de artigos, definições contextuais ou comparações de produtos. A abordagem posiciona o Firefox de forma distinta face ao Chrome e ao Edge, onde as opções de IA tendem a ser apresentadas como um bloco único.
A Mozilla introduz ainda a Smart Window, anteriormente designada AI Window, uma funcionalidade de assistência por IA que apresenta definições, resumos e comparações diretamente na janela de navegação, sem redirecionar o utilizador. A funcionalidade está em fase de lista de espera para acesso antecipado e não tem data confirmada de disponibilidade geral.
Linux e o novo seletor de ficheiros nativo
No Linux, o Firefox 149 passa a utilizar por omissão o seletor de ficheiros XDG Portal, em detrimento do anterior baseado em GTK3. A mudança beneficia utilizadores de ambientes de trabalho como KDE Plasma, COSMIC e Xfce, que passam a ver diálogos de ficheiros nativos ao guardar ou carregar conteúdo. Para utilizadores GNOME, o comportamento mantém-se praticamente inalterado.
Leitor de PDF mais rápido e com novas opções
O leitor de PDF integrado recebe aceleração por hardware, com impacto especialmente visível em documentos extensos ou com muitos elementos gráficos. O menu de contexto passa a incluir a opção de descarregar imagens diretamente a partir de ficheiros PDF. São melhorias discretas, mas que respondem a pedidos recorrentes da comunidade de utilizadores.
Traduções, Tab Notes e bloqueio de notificações
A tradução no dispositivo expande-se com suporte para tailandês, bósnio, sérvio e norueguês (Bokmål), além de melhorias na precisão do croata. O Tab Notes, disponível em modo experimental no Firefox Labs, permite associar notas escritas a separadores individuais, sem necessidade de extensões externas. O browser passa também a bloquear automaticamente notificações de sites sinalizados como maliciosos pelo sistema Safe Browsing.
Novo visual e mascote Kit
A Mozilla aproveita o lançamento para introduzir um novo mascote chamado Kit, acompanhado de uma atualização visual que abrange ícones, temas e refinamentos nas barras de ferramentas, menus e página inicial. A renovação estética surge alinhada com o reposicionamento do Firefox como produto de consumo com identidade própria, num mercado dominado pela estética minimalista do Chrome.
O Firefox num mercado dominado pelo Chrome
O Firefox detém uma quota de mercado global inferior a 3%, segundo dados recentes de rastreio de utilização. A Mozilla aposta numa proposta diferenciada: privacidade nativa sem subscrição paga, num momento em que o Google enfrenta pressão regulatória crescente sobre o Chrome. A questão que fica em aberto é se funcionalidades como a VPN gratuita e a Sanitizer API são suficientes para inverter uma tendência de declínio que se prolonga há mais de uma década.
Mais informações sobre o Firefox 149 neste link.
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