O mercado global de tablets parece ter entrado num estado de animação suspensa, mas as águas estão tudo menos paradas nos bastidores das grandes fabricantes. Os dados mais recentes relativos ao primeiro trimestre de 2026 revelam um cenário de contrastes profundos: enquanto algumas marcas parecem ter descoberto a fórmula mágica para o crescimento, outras estão a ver o terreno fugir-lhes debaixo dos pés. A Apple continua a ser a força gravitacional deste setor, mas há movimentações no ecossistema Android que podem mudar o pódio muito em breve. Se achavas que os tablets eram todos iguais, os números de vendas vieram provar que a escolha do utilizador está a mudar drasticamente.
Não é propriamente uma surpresa ver a Apple no topo, mas a dimensão do seu domínio começa a ser verdadeiramente impressionante. No primeiro trimestre deste ano, a marca da maçã não se limitou a liderar; ela alargou a sua “fatia do bolo” para uns massivos 40,1%. Para teres uma noção da escala, isto significa que quase um em cada dois tablets vendidos no mundo ostenta o logótipo da Apple.

O grande motor deste sucesso foi o iPad Air. Quer estejamos a falar da geração mais recente ou dos modelos de 2025 que receberam descontos agressivos, a verdade é que este modelo intermédio atingiu o ponto de equilíbrio ideal para o mercado. Com um crescimento de 7,9% face ao ano anterior, a Apple prova que, mesmo num mercado estagnado que cresceu apenas 0,1% a nível global, consegue manter uma trajetória ascendente que deixa a concorrência a uma distância de segurança considerável.
A ameaça chinesa que faz tremer a Samsung
Se a Apple está isolada no topo, a luta pelo segundo lugar está a ficar perigosamente renhida. A Samsung, que durante anos foi o baluarte incontestável dos tablets Android, está a atravessar um período negro. Com uma queda de 12,6% nas vendas neste trimestre, a gigante sul-coreana soma este desaire a um recuo anterior, sinalizando que a sua estratégia para o segmento pode estar a precisar de uma revisão urgente.
Enquanto a Samsung escorrega, a Huawei e a Lenovo estão a acelerar a fundo. Os dados são claros:
- Huawei: Registou um salto impressionante de 28,1% nas vendas, consolidando a sua recuperação global.
- Lenovo: Cresceu 20%, mantendo o ritmo depois de um final de 2025 já de si muito forte.
- Mercado Global: Cresceu apenas 0,1%, o que sublinha o mérito destas marcas em roubar quota de mercado aos rivais diretos.
Embora a Samsung ainda mantenha uma vantagem em termos de volume total, a tendência atual é preocupante. Se a Huawei continuar a crescer a este ritmo e a Samsung não travar a queda, poderemos assistir a uma troca de posições histórica no mercado Android ainda este ano.

O refúgio no segmento premium
Estamos a entrar num período em que a quantidade de tablets vendidos importa menos do que o valor de cada um deles. O mercado está a dar sinais de que irá encolher nos próximos meses, mas há uma nuance importante: os utilizadores estão dispostos a gastar mais em dispositivos de topo. As marcas perceberam que o mercado de massa, focado em equipamentos baratos e com especificações modestas, está a perder fôlego.
A aposta agora recai sobre os modelos com o processador mais potente, o melhor ecrã e acessórios que transformam o tablet numa ferramenta de produtividade. É aqui que o iPad Pro e os Galaxy Tab de gama alta tentam justificar o seu preço. A Huawei também tem jogado forte nesta área, oferecendo hardware que, em muitos aspetos técnicos, rivaliza com o melhor que se faz no Ocidente, conseguindo atrair utilizadores que procuram uma alternativa premium fora do ecossistema tradicional.
A resistência dos veteranos num setor volátil
A Lenovo tem sido a “surpresa constante” deste mercado. Ao contrário de outras marcas que dependem de um único modelo estrela, a Lenovo tem conseguido manter a relevância através de uma gama diversificada que vai desde o entretenimento puro até aos dispositivos híbridos. O seu crescimento de 20% é uma prova de resiliência, especialmente num cenário onde a Xiaomi, outra gigante chinesa, parece ter perdido o balanço inicial e figura agora entre os derrotados deste último relatório trimestral.
O que estes números nos dizem é que a fidelidade à marca já não é o que era. O utilizador de hoje está mais atento à relação entre o preço e a longevidade do equipamento. Com a pressão das agências reguladoras (como a FCC nos EUA) a olhar para o ciclo de vida dos dispositivos, as fabricantes terão de garantir que o teu próximo tablet não se torne obsoleto em dois anos, independentemente de teres optado por um iPad ou por uma alternativa Android de topo.
A realidade atual do mercado é um aviso sério para quem se sentou à sombra da bananeira. A Apple continua rainha e senhora, mas o chão está a arder para as marcas que não souberem adaptar-se a um utilizador que exige cada vez mais por cada euro investido. Se estás a pensar comprar um tablet este ano, o conselho é estares atento: a concorrência nunca foi tão feroz e quem ganha com isso és tu, com mais opções e tecnologia de ponta a chegar às prateleiras.
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