Sentir o computador a arrastar-se enquanto tentas ver um simples vídeo de dez minutos não é fruto da tua imaginação, nem sinal de que precisas de comprar uma máquina nova. Nas últimas semanas, uma falha crítica no código do YouTube transformou a plataforma de streaming num autêntico pesadelo para o hardware, provocando um consumo de memória RAM que, em muitos casos, ultrapassa os 7GB para um único separador aberto. O problema, que começou por ser detetado em fóruns como o Reddit, está a deixar os utilizadores desesperados com ecrãs bloqueados e ventoinhas a trabalhar no máximo.
Ao contrário do que se possa pensar, a culpa desta lentidão extrema não reside na qualidade do vídeo ou na descodificação do codec AV1. O vilão desta história é um erro de lógica no design responsivo da página. No centro da questão está a barra de ferramentas situada logo abaixo do leitor de vídeo — aquela onde encontras as opções de “Gostar”, “Partilhar” ou “Guardar”.
Os programadores que analisaram o rastreador de erros da Mozilla descobriram que o YouTube entrou num ciclo vicioso de renderização. O código da página tenta esconder um botão quando o espaço horizontal é reduzido; no entanto, ao ocultar esse elemento, o contentor do menu expande-se ligeiramente. Essa expansão engana o sistema, fazendo-o acreditar que agora já tem espaço suficiente, o que leva o site a tentar mostrar o botão novamente. Este processo repete-se centenas de vezes por segundo, forçando o navegador a recalcular o layout de forma incessante e consumindo recursos de forma descontrolada.

Do Firefox ao Edge ninguém parece estar a salvo
Embora as primeiras queixas tenham surgido com maior incidência entre a comunidade do Firefox — levando muitos a acreditar que se tratava de uma falha específica do motor Gecko ou de uma atualização recente do browser da Mozilla — a realidade provou ser muito mais abrangente. Utilizadores do Brave e do Microsoft Edge começaram rapidamente a reportar os mesmos sintomas:
- Picos súbitos de utilização do processador, com núcleos a atingir os 100% de carga.
- Consumo de memória RAM a escalar rapidamente dos 500MB para valores superiores a 7GB.
- Interface do YouTube completamente lenta ou sem resposta aos cliques.
- Bloqueio total de outros separadores abertos no mesmo navegador.
Como browsers como o Chrome, Edge e Brave partilham a base Chromium, e o Firefox utiliza a sua própria tecnologia, o denominador comum é apenas um: o código fornecido pela própria Google. Isto descarta a teoria de que o problema estaria relacionado com extensões de terceiros ou atualizações do sistema operativo, focando as atenções na manutenção da plataforma de vídeos.
Como travar o consumo excessivo de recursos
Até que a Google lance uma correção oficial para este erro de renderização, os utilizadores viram-se obrigados a encontrar soluções criativas para manter o computador funcional. A solução mais eficaz encontrada até agora passa pela utilização de filtros personalizados em bloqueadores de conteúdos, como o uBlock Origin.
Ao adicionar uma regra específica que bloqueia o elemento ytd-menu-renderer, é possível impedir que o browser tente desenhar a linha de botões problemática. É verdade que, ao fazer isto, deixas de ter acesso imediato aos botões de interação direta, mas o alívio para o processador e para a memória RAM é imediato. Outra alternativa passa por manter a janela do navegador maximizada num ecrã de alta resolução, o que por vezes evita que o algoritmo de “esconder e mostrar” botões seja acionado, embora não seja uma solução garantida para todos os formatos de ecrã.
O silêncio da Google perante o caos técnico
Apesar de o problema estar amplamente documentado e de os fóruns técnicos estarem repletos de provas sobre este comportamento errático, a Google ainda não emitiu qualquer comunicado oficial ou reconhecimento público do erro. Este silêncio é particularmente frustrante para quem trabalha com o browser aberto e vê a sua produtividade interrompida por uma falha de layout que parece básica no papel, mas catastrófica na execução.
Não é a primeira vez que o YouTube enfrenta críticas por alterações na interface que prejudicam o desempenho, mas a escala deste consumo de memória é inédita. Enquanto a equipa de engenharia de Mountain View não limpa o código, o conselho é manteres um olho atento no Gestor de Tarefas do teu sistema operativo. Se o teu PC começar a “ganhar voo”, já sabes que o culpado pode ser aquele vídeo que deixaste em pausa no separador ao lado.
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