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O fim dos Clips no YouTube: a funcionalidade que dava dinheiro vai desaparecer

Vitor Urbano por Vitor Urbano
17/04/2026
Em YouTube

O ecossistema do YouTube está prestes a sofrer uma purga que promete dividir opiniões, especialmente entre aqueles que transformaram a plataforma numa ferramenta de rendimento passivo. A Google decidiu colocar um ponto final na funcionalidade de “Clips” para o utilizador comum, uma ferramenta que permitia recortar e partilhar pequenos segmentos de vídeos longos. Se para muitos era apenas uma forma prática de mostrar uma piada ou um momento específico a um amigo, para outros era o alicerce de um “side hustle” que chegava a render mil euros por mês. Agora, o cenário muda radicalmente e a simplicidade ganha prioridade sobre a criatividade da comunidade.

Enquanto retira com uma mão, a Google parece querer compensar com a outra, trazendo de volta uma funcionalidade que já devia ser standard há muito tempo na experiência mobile. O YouTube atualizou recentemente a sua documentação de suporte para confirmar que a opção “Partilhar no Timestamp” está finalmente a chegar às aplicações de Android e iOS.

Youtube

Esta ferramenta permite que, ao clicares no botão de partilha, possas ativar um pequeno interruptor que adiciona o momento exato do vídeo ao URL. Até agora, se quisesses enviar a um amigo aquele segundo específico de um tutorial ou de um concerto, tinhas de o fazer manualmente, acrescentando códigos complexos ao fim do link. No ecrã do teu smartphone, a experiência passa agora a ser tão fluida como no computador, embora com uma limitação: ao contrário da versão web, onde podes digitar o tempo exato, na aplicação móvel ficas limitado ao ponto onde a barra de progresso se encontra no momento.

O adeus aos Clips e o golpe nos pequenos negócios

A grande bomba desta atualização é, sem dúvida, a remoção da capacidade de criar Clips por parte dos utilizadores. Esta funcionalidade permitia selecionar trechos de até 60 segundos, dar-lhes um título novo e partilhá-los quase como se fossem um vídeo independente. A decisão da Google não é apenas uma questão de interface; é um golpe direto em plataformas como a Whop Clipping.

Neste mercado paralelo, vários criadores de conteúdo contratavam utilizadores para “cliparem” os seus vídeos mais longos e os publicarem em contas secundárias para gerar “hype” e tráfego. Algumas destas plataformas chegavam a anunciar ganhos superiores a 1000 euros mensais para quem dominasse a arte de encontrar os momentos mais virais. Com esta alteração:

  • Apenas os donos dos canais (criadores) podem criar Clips através do YouTube Studio.
  • O utilizador comum perde a ferramenta de edição rápida integrada na plataforma.
  • A partilha de momentos específicos volta a ser feita exclusivamente através de links com marcação de tempo.
  • O YouTube justifica a medida com a existência de ferramentas externas de terceiros que oferecem opções de corte mais avançadas.
Youtube novidades

Proteção de direitos e a aposta nos Shorts

Por trás desta decisão técnica esconde-se uma estratégia mais profunda de controlo de conteúdos. Ao limitar a criação de Clips aos detentores dos canais, o YouTube trava a proliferação de vídeos não autorizados que, muitas vezes, capitalizavam o trabalho alheio sem o devido contexto. É uma forma de “limpar a casa” e garantir que a propriedade intelectual permanece sob o controlo de quem a produz.

No entanto, a Google não vai deixar o formato morrer. A ideia é integrar esta capacidade de recorte diretamente nos Shorts. Até ao final do ano, os criadores terão ferramentas automáticas para transformar partes dos seus vídeos longos em vídeos verticais de forma quase instantânea. É a prova de que o YouTube quer centralizar a produção de conteúdo curto, empurrando os utilizadores para o consumo passivo e deixando a criação para os profissionais.

O que muda para ti no dia a dia

Na prática, a tua forma de consumir vídeo vai mudar ligeiramente. Se costumavas usar os Clips para guardar momentos favoritos, terás de te habituar à nova barra de partilha com carimbo temporal. É menos visual, já que quem recebe o link verá o vídeo completo a começar num ponto específico, em vez de um pequeno “loop” isolado, mas é uma solução mais limpa e menos exigente para os servidores da plataforma.

Esta transição mostra que o YouTube está focado em simplificar a experiência móvel, removendo ruído visual e funcionalidades que, embora populares, criavam problemas de direitos de autor e facilitavam o “spam” de conteúdos reciclados. Para o utilizador médio, é uma melhoria na partilha; para quem fazia disto um negócio, é altura de procurar outra ferramenta.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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