A Cloudcomputing, tecnológica portuguesa especializada em cibersegurança e gestão de identidades, anunciou a 13 de abril de 2026 a aquisição da Innovate IT Ltd, uma empresa com sede no Reino Unido. A operação visa acelerar a expansão internacional da marca de Lisboa, num momento em que a inteligência artificial (IA) generativa obriga as organizações a reforçar o investimento na proteção de acessos. O valor do negócio não foi revelado ao mercado.

O perfil das empresas envolvidas
Fundada em 2010 por Ricardo Martins, a Cloudcomputing integra o Allurity Group, um consórcio europeu de cibersegurança que soma cerca de 800 colaboradores. A tecnológica nacional executou mais de 600 projetos em 70 países ao longo dos últimos 16 anos. Gere atualmente perto de 10 milhões de identidades digitais. A empresa fechou o exercício de 2025 com uma faturação de 7 milhões de euros e operações diretas em Portugal, Espanha e Reino Unido.
Do outro lado do negócio está a Innovate IT. A empresa britânica acumula duas décadas de especialização nas áreas de identidade digital, gestão de acessos e segurança na cloud. A tecnológica tem uma presença consolidada no seu mercado de origem e operações estabelecidas nos Estados Unidos, o que justifica o interesse estratégico da aquisição.
O impacto operacional da aquisição
A compra da Innovate IT altera o alcance da Cloudcomputing em três vertentes distintas.
Escala geográfica:
A empresa portuguesa já tinha escritório próprio no Reino Unido desde 2024, mas passa agora a contar com uma estrutura local de maior dimensão. A capacidade de entrega nos mercados britânico e norte-americano regista um aumento de 400%. O comunicado oficial não esclarece a base de cálculo desta métrica, que pode referir-se a volume de faturação potencial, capacidade de processamento ou número de consultores alocados.
Diversificação de mercado:
O portefólio de clientes ganha novos contornos. Aos setores tradicionais da empresa (Finanças, Telecomunicações, Seguros, Logística, Educação e Saúde) juntam-se agora novas áreas de negócio trazidas pela Innovate IT. A Cloudcomputing avança diretamente para os segmentos de Desporto, Entretenimento, Media, Administração Pública e Retalho.
Resposta tecnológica:
A integração reforça a aptidão da empresa para gerir identidades em ambientes dominados pela IA. A principal aposta é a Agentic AI, uma área emergente onde agentes autónomos tomam decisões em nome de utilizadores humanos. Este cenário exige modelos de controlo de acesso substancialmente mais complexos do que os sistemas tradicionais.
A estratégia do grupo
O movimento insere-se num plano mais vasto de crescimento, que não depende apenas da via orgânica. Ricardo Martins, CEO da Cloudcomputing, enquadra a operação neste contexto estratégico:
“Esta aquisição permite-nos reforçar e expandir as nossas competências ao longo de toda a cadeia de valor da identidade, desde a definição estratégica à implementação e aos managed services. Para os nossos clientes, isto traduz-se numa oferta mais integrada e robusta. Para a Cloudcomputing, representa um reforço claro da sua capacidade de resposta a projetos complexos e multinacionais.”
O que fica por esclarecer
Apesar do otimismo projetado, o anúncio da operação deixa algumas zonas de sombra. O secretismo em torno do valor da transação impede uma análise independente sobre o esforço financeiro envolvido e o seu peso nos resultados previstos para 2026.
O comunicado também não detalha a estratégia de fusão das equipas. A integração cultural e de processos entre uma tecnológica de Lisboa e uma estrutura britânica com 20 anos de hábitos próprios é, historicamente, o maior obstáculo neste tipo de aquisições. A Cloudcomputing tem agora de provar que consegue converter os 400% de capacidade teórica num crescimento real e sustentado no terreno.
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