A Samsung decidiu finalmente “abrir o livro” sobre algumas das decisões mais polémicas que têm moldado o seu catálogo recente. Num formato pouco habitual para uma gigante tecnológica — uma sessão de perguntas e respostas (AMA) no Reddit —, Annika Bizon, vice-presidente de marketing da marca na Europa, confrontou as críticas dos utilizadores sobre o peso excessivo da inteligência artificial e a morte lenta, mas aparente, dos smartphones compactos. A mensagem é clara: o mercado mudou, e a marca não vai olhar para trás para satisfazer uma minoria nostálgica.
Se és um dos que ainda suspira por um sucessor potente para o Galaxy S10e ou por um topo de gama que se consiga usar confortavelmente apenas com uma mão, temos más notícias. A Samsung foi direta ao assunto: a procura dos consumidores simplesmente não justifica o investimento num modelo pequeno. Segundo a marca, a forma como hoje utilizamos os nossos dispositivos — desde o consumo intensivo de vídeo à produtividade em movimento — dita que o ecrã grande é uma necessidade e não um luxo.
Para os puristas do formato compacto, a solução proposta pela marca sul-coreana passa obrigatoriamente pelos dobráveis. A linha Galaxy Z Flip é agora o porto de abrigo oficial para quem quer um telemóvel que não ocupe metade do bolso das calças. No entanto, esta resposta ignora o facto de que muitos utilizadores procuram a ergonomia de um ecrã pequeno e rígido, sem os compromissos de bateria e durabilidade que um dispositivo dobrável ainda acarreta.

A inteligência artificial como uma “eletricidade invisível”
Um dos pontos mais quentes da discussão foi o Galaxy AI. Muitos utilizadores manifestaram o seu desconforto com a sensação de que a inteligência artificial lhes está a ser imposta como um “fardo” ou uma ferramenta de produtividade forçada. A resposta da Samsung tenta suavizar este atrito, comparando a tecnologia à rede elétrica: algo que está lá, que é essencial, mas que não notamos que existe até precisarmos dele.
A visão da marca é que a IA deve tornar-se invisível. Enquanto não chegamos a esse estágio de integração total, a empresa sublinha que:
- O Galaxy AI é totalmente opcional e pode ser desativado durante a configuração inicial do aparelho.
- Os utilizadores têm controlo granular sobre quais as funcionalidades que desejam manter ativas.
- A recomendação para os céticos é que comecem por adotar apenas uma funcionalidade específica para ganhar confiança no sistema.
- A privacidade é um pilar central, permitindo que o processamento seja feito localmente em vez de na nuvem em diversos casos.
Esta postura de “escolha do utilizador” parece ser uma tentativa de acalmar as águas, especialmente num momento em que a indústria parece sofrer de um cansaço generalizado perante a promessa de que a IA vai mudar tudo, todos os dias.
O salto do S26 Ultra e o segredo do ecrã de privacidade
Para quem ainda não está convencido a trocar o seu S24 ou S25, a Samsung já começou a preparar o terreno para o Galaxy S26 Ultra. Entre as melhorias de hardware, destacam-se o ProVisual Engine refinado para fotografia e um carregamento mais veloz, mas a grande novidade é o chamado Privacy Display. Esta tecnologia promete dificultar a vida a quem gosta de espreitar o ecrã do vizinho no metro, embora a marca admita que este filtro de privacidade pode trazer alguns compromissos na qualidade visual para o utilizador principal.
Esta aposta em funcionalidades de hardware muito específicas, como o ecrã de privacidade, mostra que a Samsung percebeu que não pode depender apenas de software para vender novos modelos. Num mercado saturado, a diferenciação física continua a ser o que faz alguém abrir a carteira.
A estratégia da Samsung para os próximos anos parece estar traçada num equilíbrio delicado. Por um lado, força a barra na inteligência artificial até que esta se torne tão banal como o brilho automático do ecrã. Por outro, ignora o nicho dos telemóveis pequenos em favor da hegemonia dos ecrãs de grandes dimensões, confiando que o ecossistema e a inovação nas câmaras serão suficientes para manter a lealdade de quem, no fundo, só queria um telemóvel que coubesse na palma da mão.
O teu próximo telemóvel será, quase certamente, grande e inteligente, quer estejas preparado para isso ou não. Resta saber se esta “invisibilidade” da tecnologia será aceite com naturalidade ou vista como uma perda de controlo sobre o objeto mais pessoal que possuímos.
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