A dependência tecnológica da Europa em relação aos gigantes norte-americanos e chineses parece ter os dias contados. Numa jogada de mestre para recuperar o controlo do seu futuro, a União Europeia acaba de apresentar o mais ambicioso pacote de soberania digital da sua história.
Há muito que a dependência externa era o calcanhar de Aquiles do velho continente, com faturas anuais na ordem das centenas de milhares de milhões de euros pagos a fornecedores estrangeiros de cloud e software. Agora, o foco muda das regulações burocráticas diretas para a construção de infraestrutura pesada, supercomputadores e fábricas de semicondutores.
Este novo rumo estratégico promete agitar as águas no mundo tecnológico, colocando a Europa na corrida pelos modelos de inteligência artificial de ponta. A ideia é clara: garantir que os dados, os chips e o software que tu usas no teu dia a dia se mantêm protegidos em solo europeu.

O ambicioso plano europeu para recuperar terreno
O novo “Pacote Europeu de Soberania Tecnológica” não anda com meias medidas e ataca o problema em várias frentes. O diagnóstico interno foi cruelmente honesto: atualmente, mais de 80% da infraestrutura digital usada no continente provém de fora, um cenário insustentável para quem quer liderar a nova revolução da IA.
Para virar o jogo de forma definitiva, Bruxelas desenhou uma estratégia robusta e focada. O objetivo é parar de alugar o poder de computação a grandes corporações externas e começar a construir uma base sólida de hardware feita por e para o mercado europeu.
Os eixos centrais desta autêntica revolução digital incluem as seguintes medidas:
- Aprovação do Chips Act 2.0 para impulsionar o fabrico local de semicondutores de última geração
- Criação do Cloud and AI Development Act para promover o crescimento das infraestruturas cloud
- Adoção de uma estratégia de open source que prioriza o software livre nas compras públicas
- Implementação de um roteiro dedicado à digitalização inteligente e eficiente do setor energético
Código aberto assume o papel principal na nova estratégia
Um dos detalhes mais surpreendentes e bem-vindos deste pacote é a aposta declarada no mundo do open source. A velha máxima do “dinheiro público, código público” ganha finalmente força legislativa, o que vai obrigar as administrações públicas a priorizarem soluções abertas em detrimento de software proprietário estrangeiro.
Alguns Estados-Membros, como é o caso de Espanha, já estão a pôr as mãos na massa com a criação de modelos de linguagem (LLMs) abertos e investimentos fortíssimos em supercomputadores. É a prova provada de que a Europa está finalmente a acordar, apostando as suas fichas na verdadeira independência tecnológica para o futuro.
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