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Google Pixel 11: a maldição do Tensor G6 e o erro que se repete

Vitor Urbano por Vitor Urbano
29/04/2026
Em Google, Mobile

O silício da Google continua a ser uma montanha-russa de emoções para quem acompanha o mercado dos smartphones. Se por um lado a gigante de Mountain View parece ter finalmente acertado no “coração” do processador, as notícias que chegam sobre a componente gráfica são um autêntico balde de água fria. O Pixel 11, que deverá chegar às nossas mãos em 2026, promete ser uma máquina de produtividade impressionante, mas corre o risco de ser um “carro de corrida” com pneus de bicicleta no que toca ao processamento visual. O Tensor G6 está a desenhar-se como um gigante de pés de barro, e eu explico-te porquê.

Vamos começar pelas boas notícias, porque elas existem e são substanciais. De acordo com as mais recentes fugas de informação, a Google vai finalmente deixar de jogar na defensiva no que toca ao CPU. O Tensor G6 deverá adotar as novas arquiteturas da Arm, conhecidas como C1 Ultra. Estamos a falar de um núcleo de alto desempenho capaz de atingir uns impressionantes 4,11 GHz. Para teres uma noção, este é o mesmo tipo de “músculo” que se espera encontrar no Dimensity 9500 da MediaTek, um processador que habitualmente não brinca em serviço.

Google pixel 11

A configuração parece mudar para uma estrutura de 7 núcleos, focando-se na eficiência térmica e na potência bruta quando ela é realmente necessária. É um passo em frente que coloca o Pixel 11 num patamar de competitividade que raramente vimos na linha Tensor. Se o G5 já prometia melhorias com a transição para o fabrico da TSMC, o G6 quer consolidar a Google como uma fabricante de semicondutores que não se limita a adaptar designs antigos.

A sombra do PowerVR e o fantasma de 2021

Agora, o momento em que a conversa fica desconfortável: o GPU. Enquanto a Apple e a Qualcomm investem biliões em arquiteturas gráficas que permitem jogos com Ray Tracing e desempenho de consola no bolso, a Google parece querer reciclar o passado. Os dados indicam que o Tensor G6 voltará a utilizar o GPU PowerVR CXTP-48-1536.

Se este nome não te diz nada, eu traduzo: é uma arquitetura que viu a luz do dia originalmente em 2021. Sim, leste bem. Num mundo onde a tecnologia fica obsoleta em seis meses, a Google planeia lançar um porta-estandarte em 2026 com tecnologia gráfica de há cinco anos. Isto não é apenas conservador; é uma decisão que pode condenar o desempenho do telemóvel em tarefas pesadas, como edição de vídeo em 4K de alta taxa de bits ou jogos de última geração.

Drivers obsoletos e o gargalo tecnológico

O problema não é apenas o hardware físico, mas como ele comunica com o software. O atual Tensor G5 já sofre com drivers que parecem ter ficado esquecidos na gaveta, faltando-lhe suporte para o Vulkan 1.4. No Tensor G6, o cenário pode ser idêntico. Mesmo que a Google tente “puxar” pelas velocidades de relógio (o chamado overclock), a base tecnológica é antiga e pouco eficiente.

  • Arquitetura gráfica: Baseada na Imagination Technologies de 2021.
  • Limitações de software: Falta de suporte nativo para as APIs gráficas mais recentes.
  • Consequências: Menor fluidez em jogos exigentes e maior aquecimento ao tentar compensar a idade do hardware com potência bruta.
  • Ponto positivo: A mudança para o modem não-Samsung poderá resolver finalmente os problemas de rede.

Um smartphone para quem não joga?

Esta estratégia da Google deixa-nos uma mensagem clara, mas algo amarga. O Pixel 11 será, muito provavelmente, o melhor smartphone do mercado para inteligência artificial, fotografia computacional e tarefas de produtividade diária, graças aos novos núcleos C1 Ultra da Arm. No entanto, se tu és um entusiasta de gaming móvel ou se esperas que o teu investimento de mil euros dure muitos anos com desempenho gráfico de topo, as notícias não são as melhores.

A Google parece acreditar que o seu software consegue milagres, mas há limites para o que a otimização pode fazer quando o silício não acompanha. O Tensor G6 poderá ser o processador mais equilibrado da marca até à data, mas esta insistência num GPU ultrapassado é um erro que se repete e que nos deixa a pensar se a Google alguma vez levará o hardware gráfico tão a sério como leva os seus algoritmos de câmara. No final do dia, terás um telemóvel incrivelmente inteligente, mas que poderá engasgar-se onde os seus rivais deslizam com facilidade.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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