A Iberdrola fechou um acordo para implementar a IA da Harvey em todos os serviços jurídicos e fiscais do grupo. A ferramenta especializada vai apoiar mais de 300 profissionais em diversas jurisdições onde a energética opera, depois de ter passado por uma fase de testes operacionais em vários países.

O projeto é coordenado pela Secretaria-Geral da elétrica europeia e foca a resposta a matérias regulatórias complexas, análise documental e apoio societário. A estrutura jurídica global da multinacional reúne mais de 400 advogados e técnicos fiscais, pelo que a integração alcança a maioria direta dos especialistas da empresa.
Das minutas contratuais à auditoria regulatória
A plataforma da Harvey funciona como um ambiente de trabalho digital construído para áreas do direito e fiscalidade. Em vez de atuar como um assistente de conversação generalista, o sistema foi treinado com documentação jurídica para acelerar processos de auditoria prévia (due diligence), análise e redação de contratos, monitorização de conformidade regulamentar e suporte a litígios.
No setor elétrico, as empresas lidam em permanência com alterações legislativas transfronteiriças, normas tarifárias e licenciamentos ambientais morosos. A adoção desta tecnologia visa diminuir as horas gastas na triagem de cláusulas e na pesquisa preliminar de jurisprudência. A intenção declarada é libertar os consultores internos para a análise de risco e para as decisões estratégicas do negócio.
Segundo João Fonseca, responsável da Harvey Iberia, a colaboração direta com a Secretaria-Geral da Iberdrola quer colocar o sistema ao serviço dos mais de três centenas de juristas da energética, de modo a assegurar aconselhamento mais célere perante temas regulatórios complexos.
Testes prévios e critérios de segurança de dados
Antes de formalizar o contrato a nível global, a Iberdrola realizou projetos-piloto em várias subsidiárias geográficas. O objetivo passou por testar a precisão das respostas fornecidas pelo modelo, a taxa de erros factuais e a facilidade de integração nos fluxos de trabalho já existentes na companhia.
A introdução de modelos de linguagem em gabinetes jurídicos suscita habitualmente reservas sobre o sigilo profissional e a proteção de informação sensível. A elétrica afirma que o plano inclui salvaguardas técnicas e formação específica para as equipas, de forma a manter os dados sob parâmetros estritos de confidencialidade e segurança empresarial. A empresa não detalhou os valores financeiros associados ao contrato de licenciamento.
O avanço da IA da Harvey no segmento corporativo
Fundada nos Estados Unidos, a Harvey tornou-se um dos casos de maior tração na aplicação de modelos generativos a fluxos corporativos complexos. A tecnológica reúne o apoio financeiro de sociedades de capital de risco como a Sequoia, Andreessen Horowitz, Kleiner Perkins e o fundo de investimento para novas empresas da OpenAI, além de instituições financeiras como o J.P. Morgan.
A empresa contabiliza atualmente mais de 3.000 clientes corporativos e sociedades de advogados distribuídos por 70 países. Com a transição de projetos-piloto para acordos globais em gigantes industriais como a Iberdrola, o mercado jurídico corporativo consolida a transição das experiências laboratoriais de inteligência artificial para sistemas de produção diária.
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