A Xiaomi acaba de alcançar um marco importante na sua estratégia de desenvolvimento de processadores próprios. Segundo os dados divulgados pelo AnTuTu relativos ao terceiro trimestre de 2026, os chips Xiaomi XRING conquistaram a terceira posição no mercado Android chinês, ultrapassando os processadores Exynos da Samsung.
Embora a Qualcomm e a MediaTek continuem a dominar o setor, a presença da Xiaomi no pódio merece destaque, especialmente porque os seus processadores são utilizados exclusivamente nos dispositivos da própria fabricante.
O resultado surge poucos meses depois da apresentação do Xiaomi XRING O3, um processador de 3 nm com suporte para memória LPDDR6, que representa um passo importante na independência tecnológica da empresa chinesa.
Qualcomm continua a dominar o mercado com quase 69%
O relatório do AnTuTu revela uma enorme concentração do mercado chinês de processadores Android nas mãos de duas fabricantes.
A Qualcomm lidera com 68,9%, enquanto a MediaTek ocupa a segunda posição, com uma quota de 28,9%. Juntas, representam praticamente 98% dos dispositivos considerados nesta análise.
Os dados completos do terceiro trimestre de 2026 são os seguintes:
| Fabricante | Quota de utilização |
|---|---|
| Qualcomm | 68,9% |
| MediaTek | 28,9% |
| Xiaomi XRING | 1,2% |
| Samsung Exynos | 0,5% |
| Outras fabricantes | 0,4% |
A Qualcomm mantém uma presença particularmente forte nos smartphones de gama alta e média-alta, enquanto a MediaTek consegue competir em segmentos mais abrangentes, incluindo dispositivos acessíveis.
Este domínio também se reflete nas classificações de desempenho. Como já vimos anteriormente no Techenet, o RedMagic 11S Pro conseguiu liderar o ranking AnTuTu de maio de 2026, equipado com uma versão otimizada do Snapdragon 8 Elite Gen 5.
Importa, contudo, esclarecer que o relatório mais recente apresenta a distribuição dos processadores nos equipamentos Android representados na base de dados chinesa do AnTuTu. Estes valores não devem ser confundidos com quotas globais de vendas de smartphones ou semicondutores.

Xiaomi XRING ultrapassa Samsung Exynos e conquista o terceiro lugar
A grande surpresa do relatório está na terceira posição.
Os processadores Xiaomi XRING conseguiram atingir uma quota de 1,2%, superando os Samsung Exynos, que ficaram pelos 0,5%.
À primeira vista, estes números podem parecer pouco expressivos. No entanto, o resultado ganha outra dimensão quando analisamos as diferenças entre as estratégias das fabricantes.
A Qualcomm e a MediaTek fornecem processadores a inúmeras marcas de smartphones. A Xiaomi, por outro lado, desenvolve os XRING para utilização nos seus próprios equipamentos.
Isto significa que a presença dos seus processadores no mercado está diretamente condicionada pela disponibilidade e popularidade dos dispositivos Xiaomi que os integram.
A terceira posição sugere, por isso, que a fabricante chinesa está a conseguir dar os primeiros passos no estabelecimento de uma alternativa aos fornecedores tradicionais.
Ainda assim, ultrapassar a Samsung nesta classificação não significa que a Xiaomi tenha conquistado uma posição superior no mercado global de semicondutores. Os dados dizem respeito apenas à amostra analisada pelo AnTuTu.
Xiaomi 18 Fold demonstra o potencial do XRING O3
O crescimento dos processadores próprios da Xiaomi coincide com o lançamento de um dos smartphones mais interessantes da fabricante em 2026.
O Xiaomi 18 Fold, apresentado oficialmente em setembro, tornou-se o primeiro equipamento comercial a integrar o novo XRING O3.
Este processador foi desenvolvido internamente pela Xiaomi e utiliza um processo de fabrico de 3 nanómetros, aproximando-se das tecnologias utilizadas pelos chips mais avançados do mercado.
O smartphone dobrável conseguiu conquistar a primeira posição no ranking de desempenho do AnTuTu referente a setembro, ultrapassando equipamentos equipados com o Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6 e o Dimensity 9600 Pro.
Este resultado demonstra que a Xiaomi não pretende limitar os seus processadores aos equipamentos mais acessíveis. Pelo contrário, a empresa está a desenvolver soluções capazes de competir diretamente no segmento premium.
Naturalmente, uma posição de destaque num benchmark não garante automaticamente uma experiência superior em todas as situações.
A autonomia, a eficiência energética, a gestão térmica e a otimização do software continuam a desempenhar um papel importante no desempenho real de qualquer smartphone.
Desenvolvimento de chips próprios é uma aposta estratégica
A decisão de criar processadores próprios representa muito mais do que uma tentativa de alcançar pontuações elevadas nos testes de desempenho.
Ao controlar o desenvolvimento de componentes essenciais, a Xiaomi pode adaptar o hardware às necessidades específicas dos seus dispositivos e melhorar a integração com o sistema operativo.
O XRING O3 constitui um exemplo dessa estratégia, combinando uma arquitetura avançada com suporte para memória LPDDR6.
A fabricante pretende, assim, reduzir gradualmente a dependência de fornecedores externos, embora continue a recorrer a parceiros para a produção física dos chips.
Esta abordagem também poderá oferecer maior flexibilidade no desenvolvimento de futuras gerações de smartphones, tablets e outros produtos do ecossistema Xiaomi.
O projeto não surgiu de forma repentina. A empresa já tinha dado sinais claros das suas ambições quando começaram a circular as primeiras informações sobre um novo smartphone dobrável equipado com o processador XRING O3.
O lançamento comercial do Xiaomi 18 Fold confirmou posteriormente que a estratégia estava a avançar para produtos concretos.
Xiaomi poderá reforçar a presença dos XRING nos próximos anos
Apesar dos resultados encorajadores, a distância para Qualcomm e MediaTek continua a ser enorme.
As duas fabricantes representam 97,8% dos dispositivos analisados, deixando uma margem muito reduzida para os restantes concorrentes.
Ainda assim, a Xiaomi tem uma vantagem potencial: pode aumentar a utilização dos XRING nos seus próprios equipamentos sem depender da adoção por parte de outras marcas.
Se conseguir expandir progressivamente esta tecnologia para mais famílias de smartphones, a sua presença nas classificações poderá continuar a crescer.
O desafio será assegurar que os processadores oferecem uma combinação competitiva de desempenho, eficiência energética e custos de produção.
Também será importante perceber se a Xiaomi pretende disponibilizar internacionalmente mais equipamentos equipados com os seus próprios chips.
Por enquanto, o Xiaomi 18 Fold e o XRING O3 permanecem associados ao mercado chinês, sem confirmação de lançamento global.
A aposta da Xiaomi também acompanha uma tendência mais ampla de diferenciação tecnológica entre fabricantes. No entanto, a fiabilidade dos resultados continuará a depender de avaliações independentes. O Techenet já abordou, por exemplo, a importância da integridade dos benchmarks no caso dos RedMagic 11 Pro, removidos de classificações da 3DMark devido à manipulação dos resultados.
O terceiro lugar conquistado pelos XRING não altera, para já, o domínio da Qualcomm e da MediaTek. Mas representa um sinal de que a Xiaomi está a transformar o desenvolvimento de processadores próprios numa componente cada vez mais importante da sua estratégia.
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