A Binance registou uma saída líquida de aproximadamente 3,64 mil milhões de dólares nas primeiras nove horas e meia após retomar os levantamentos. O movimento ocorreu a 1 de novembro, na sequência do ataque que retirou cerca de 6,3 mil milhões de dólares à plataforma.
Segundo os dados da empresa, os clientes levantaram aproximadamente 4,649 mil milhões de dólares durante esse período, enquanto os depósitos totalizaram cerca de 1,01 mil milhões.
A corretora de criptomoedas mantém que assumirá o impacto financeiro do roubo. Numa atualização publicada a 2 de novembro, confirmou ainda a conclusão de uma nova prova criptográfica das reservas para dez ativos.
O saldo negativo corresponde à diferença entre entradas e saídas
Os 3,64 mil milhões de dólares representam levantamentos superiores aos depósitos durante o intervalo analisado. Este valor é distinto dos fundos retirados no ataque informático.
A Binance comparou o saldo líquido com aproximadamente 171 mil milhões de dólares em ativos sob gestão, tomando como referência a prova de reservas de 28 de outubro. Nessa comparação, a saída correspondia a cerca de 2,1% dos ativos.
A empresa afirmou também que os pedidos de levantamento tiveram um pico inicial e depois diminuíram, enquanto continuavam a entrar depósitos. São dados e uma avaliação divulgados pela própria Binance sobre o período imediatamente posterior à reabertura.

Os levantamentos regressaram por fases
No comunicado de 1 de novembro, a Binance explicou que a recuperação seria progressiva, com cada combinação de ativo e rede sujeita a verificações de segurança e estabilidade.
A primeira fase abrangia 15 redes, incluindo Bitcoin, Ethereum, BNB Smart Chain, Solana, XRP, Tron e Base. A disponibilidade dependia também do ativo escolhido: a inclusão de uma rede não significava a reabertura de todos os tokens que nela circulam.
A empresa avisou que poderiam existir atrasos temporários e tempos de processamento mais longos devido ao volume de pedidos. Justificou a suspensão anterior com a necessidade de conter as perdas, avaliar o incidente e verificar a infraestrutura antes de restabelecer as transferências.
A Binance diz ter reposto 95% do montante afetado
Na atualização sobre a recuperação, a plataforma declarou ter coberto aproximadamente 95% do valor afetado recorrendo a recursos próprios. Os restantes 5% correspondiam a tokens com menor liquidez, que demoravam mais tempo a adquirir nas quantidades necessárias.
A empresa reiterou que essas perdas não seriam transferidas para os clientes e que continuava a trabalhar com parceiros do setor e autoridades na recuperação dos ativos. Também prometeu um relatório mais detalhado quando a investigação estivesse concluída.
A nova prova de reservas tem um âmbito definido
A atualização de 2 de novembro confirma que foi concluída a prova de conhecimento zero relativa à captura de reservas de 31 de outubro, às 00h00 UTC.
Segundo a Binance, os titulares de BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC podem verificar a inclusão dos seus saldos e a cobertura mínima de um para um. O processo utiliza uma árvore de Merkle e provas criptográficas para permitir essa verificação sem divulgar os saldos individuais.
O âmbito é concreto: dez ativos e uma captura feita num determinado momento. A plataforma prevê uma nova captura a 4 de novembro, abrangendo mais tokens, e estima entre 40 e 50 horas para gerar a respetiva prova. A próxima fase de reabertura de levantamentos está prevista para 3 de novembro.
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