Uma vulnerabilidade no Android permite interromper chamadas telefónicas através de um SMS invisível, um SMS especialmente preparado, sem que o utilizador tenha de abrir a mensagem ou receba qualquer notificação. A falha, conhecida como SMS of Death, afeta o processamento de mensagens WAP Push e pode terminar chamadas em curso, incluindo ligações para serviços de emergência.
O investigador de segurança Mark Blaszczyk divulgou os detalhes técnicos do problema após um processo de comunicação à Google iniciado em maio de 2026. A vulnerabilidade foi reproduzida num Google Pixel 9 e em vários equipamentos Samsung Galaxy. Embora a Google tenha desenvolvido uma correção, subsistem dúvidas sobre a sua distribuição pelos diferentes fabricantes.

Como funciona o ataque por SMS invisível
O ataque explora uma falha no processamento de mensagens WAP Push, um mecanismo utilizado pelas redes móveis para transmitir determinados tipos de informação aos telemóveis.
Segundo o investigado de segurança Mark Blaszczyk, uma mensagem especialmente preparada pode provocar uma falha no processo com.android.phone, responsável por funções essenciais do serviço telefónico no Android.
O problema está relacionado com a interpretação incorreta do comprimento de um cabeçalho da mensagem. Quando o sistema recebe determinados valores malformados, pode ocorrer uma exceção que provoca a interrupção do processo telefónico.
A particularidade desta vulnerabilidade é que o ataque não exige qualquer interação da vítima. A mensagem pode ser processada automaticamente, sem aparecer na caixa de entrada ou produzir uma notificação visível.
Nos testes realizados pelo investigador, a falha provocou uma interrupção temporária do serviço telefónico, suficiente para terminar uma chamada em curso. O problema pode afetar também uma chamada para o número europeu de emergência 112, caso a mensagem maliciosa seja recebida durante a comunicação.
Mensagens repetidas podem prolongar a interrupção
As consequências não se limitam necessariamente à interrupção de uma única chamada.
A análise publicada pela eSecurity Planet descreve os riscos associados ao envio repetido de mensagens maliciosas, que podem provocar novas falhas no serviço telefónico.
Blaszczyk documentou situações em que a repetição do ataque deixou equipamentos temporariamente incapazes de utilizar normalmente as funções de telefonia. O investigador refere ainda que determinados mecanismos de reenvio de mensagens podem agravar o problema.
O alcance destas consequências depende, contudo, do equipamento, da versão do Android e das condições em que o ataque ocorre. Os testes divulgados não demonstram que todos os telemóveis Android apresentem o mesmo comportamento.
A vulnerabilidade constitui um ataque de negação de serviço. Não existem, nos resultados apresentados, provas de que permita aceder aos dados pessoais, instalar aplicações ou assumir o controlo completo do dispositivo.
Google desenvolveu uma correção antes da divulgação
A cronologia da vulnerabilidade revela diferenças entre a avaliação inicial do problema e a resposta técnica da Google.
Blaszczyk comunicou a falha em maio de 2026. Segundo o investigador, a ocorrência foi inicialmente classificada no programa de identificação de vulnerabilidades da Google como um problema sem implicações de segurança.
Apesar dessa classificação, os registos de desenvolvimento indicam que uma alteração destinada a corrigir o comportamento vulnerável já tinha sido preparada em junho.
A correção modifica o tratamento de mensagens malformadas para evitar que determinados erros provoquem a interrupção do serviço telefónico.
Contudo, a existência de uma correção no código do Android não significa que esta tenha chegado a todos os equipamentos.
O Android Authority analisou o estado da correção e identificou informações diferentes sobre o calendário de distribuição. Enquanto algumas referências apontam para as atualizações de outubro, outras associam a resolução ao ciclo de segurança de novembro.
O projeto GrapheneOS também incluiu uma correção para esta vulnerabilidade nas suas versões de segurança antecipadas, conforme documentado no respetivo histórico oficial de atualizações.
A distribuição nos equipamentos Android depende dos fabricantes, das versões do sistema operativo e dos respetivos calendários de atualização.
O que devem fazer os utilizadores Android
A principal medida de proteção consiste em manter o sistema operativo atualizado e instalar as correções de segurança disponibilizadas pelo fabricante.
Os utilizadores podem consultar o nível de atualização de segurança nas definições do telemóvel, embora a localização exata desta informação varie entre fabricantes e versões do Android.
As atualizações de segurança são particularmente importantes porque algumas vulnerabilidades podem ser exploradas sem qualquer intervenção do utilizador. Ainda assim, a presença de uma atualização recente não garante, por si só, que a correção específica esteja instalada.
A distribuição destas atualizações também pode apresentar diferenças entre modelos. Como o TecheNet já noticiou, alguns equipamentos Google Pixel registaram problemas após a atualização de setembro, um incidente distinto e sem relação conhecida com a vulnerabilidade agora divulgada.
Até ao momento, as informações disponíveis descrevem testes de segurança e demonstrações técnicas. Não foi confirmada uma campanha de exploração ativa desta falha contra utilizadores Android.
A divulgação dos detalhes técnicos aumenta, contudo, a importância da distribuição das correções, sobretudo porque o problema pode afetar uma função essencial do telemóvel e interromper comunicações de emergência.




