TecheNet
  • Mobile
  • Tech
    • AUTOMÓVEIS
    • MOBILIDADE ELÉTRICA
    • IMAGEM & SOM
    • ENTREVISTAS
  • Gaming
  • IA
  • Opinião
  • Segurança
  • Negócios
    • EMPRESAS
    • CRIPTOMOEDAS
    • MARKETING
  • Mais
    • ARTE E CULTURA
    • DICAS
    • LIFESTYLE
    • DIREITOS COM CAUSA
    • INTERNET
    • GUIAS
    • PROMOÇÕES
    • REVIEWS
    • SUSTENTABILIDADE
    • TUTORIAIS
Sem resultados
Ver todos os resultados
TecheNet
Sem resultados
Ver todos os resultados

Oliver Sacks: “Let’s talk about love for a minut!” – A última entrevista

Ana Reis Felizardo por Ana Reis Felizardo
08/10/2015 - Atualizado a 15/05/2019
Em Arte e Cultura

Oliver Sacks, neurologista, professor de neurologia e psiquiatria na Universidade de Columbia, escritor e químico amador, nasceu no norte de Londres em 9 de Julho de 1933. Deixou-nos no dia 30 de Agosto de 2015, com uma obra onde mostra como a ciência, a medicina, andam de mãos dadas com o amor. Complementam-se.

Podíamos dizer que nos deixou vários best-sellers – um deles adaptado ao cinema, no filme “Awakenings” (Despertares) – vários estudos de casos de pacientes que passaram pela sua vida, ainda dois livros por publicar, mas o Dr. Oliver Sacks deixou mais: deixou uma lição de amor, compaixão e empatia com os seus doentes. Não os via como casos, mas como pessoas, seres humanos.

Livro o homem que confundiu a mulher com um chapéu

É linda e emocionante a lição que tiramos, por exemplo, de um dos casos que relata em “O Homem que Confundiu a Mulher com um Chapéu”, a propósito das pessoas com deficiência mental: Rebecca, uma jovem que não se orientava na rua, não era capaz de abrir uma porta com uma chave, era capaz de passar horas a encaixar uma mão na outra, mas não tinha qualquer dificuldade em compreender as metáforas e os símbolos, adorava histórias e poesia. Um dia, ao olhar para o jardim, Rebecca diz-lhe: “Primavera, nascimento, crescer, movimento, despertar para a vida, estações, um tempo para tudo”. Oliver Sacks reconhece que Rebecca tem uma personalidade, uma personalidade profunda, poética, e viu o seu potencial. Conclui: “aquilo que vi nela, aquilo que ela me ensinou, vejo agora em todos.”

Tivemos acesso à sua última entrevista, que cedeu à Radiolab, quando já sabia que não lhe restava muito tempo de vida.


Quando lhe perguntam se sentia medo perante a proximidade da morte, diz que o primeiro sentimento que teve foi de tristeza, por saber que há muitas coisas que não vai ver nem fazer.

Nesta entrevista Sacks abre-se, já não tem nada a perder, revela a sua intimidade, fala de amor, fala da sua relação com o amor. Como médico destacou-se pelo afecto com que tratava os seus doentes, mas foi durante muito tempo uma pessoa só.

Também se ri de si próprio, das experiências que teve ao experimentar drogas recreativas, como quando depois de tomar cerca de 20 comprimidos que não devia, viu uma aranha na parede que o cumprimentou e com quem conversou. Todas estas experiências estranhas, loucas, são vistas com a naturalidade de quem sabe que está a desafiar a percepção e brinca com ela.

Fala de amor, dos seus desgostos e do impacto na sua vida amorosa que teve a reacção da sua mãe quando soube que Oliver era homossexual: ” – És uma abominação! Preferia que nunca tivesses nascido!”

Mais tarde conheceu Richard, a quem declarou o seu amor, mas Richard, um poeta e um homem brilhante, não sentia que o amava da mesma maneira. Pouco depois, Oliver diagnosticou-lhe um linfossarcoma e ele afastou-se, nunca mais o viu… como se tivesse sido castigado por ser o mensageiro da sua morte.

Não teve sexo durante trinta e cinco anos. Oliver decidiu que não queria nunca mais estar com pessoas, nunca mais apaixonar-se nem partilhar vidas. Vivia para os seus pacientes, para os seus alunos.

Relata, com o bom humor que o caracteriza, que um dia conheceu alguém que lhe disse que “desenvolveu um amor profundo” por ele. Nessa altura percebeu que também tinha “desenvolvido um amor profundo” por essa pessoa. Foi com surpresa que constatou que aconteceu de novo, que conseguiu sentir amor, depois de tanto tempo.

Oliver Sacks ri-se das expressões “desenvolver um amor profundo por…”, sarcasticamente refere que a pessoa em questão revela um “profundo amor” pela língua inglesa. Uma forma de nos dizer que “amar” não teria que ser tão complicado e implicar frases tão longas.

Por fim, o entrevistador convida-o a falar de uma experiência passada a que chamou “índigo”: durante muito tempo, Sacks, foi fascinado pela cor “índigo”, uma cor entre o azul e o violeta, conta que em 1965… tomou muitas drogas, ácidos, canábis e quando estava “eficientemente” pedrado disse:” – eu quero ver índigo agora!” E viu puro índigo na parede branca em frente a si, uma luz maravilhosa, pensou que isso era a cor do paraíso, apesar de não ser religioso. Ainda teve outro momento igual, mais tarde, sem drogas num museu. Mas isso desapareceu, nunca mais viu a cor “índigo”.

Gostaríamos de pensar que Oliver Sacks, que desejava tanto ver mais e fazer mais, viu de novo a cor índigo e faz agora parte dela.

Tags: best-sellersentrevistaescritorfilmelivrosOliver Sacks
Partilha
Tweet
Envia
Ana Reis Felizardo

Ana Reis Felizardo

É licenciada em Sociologia pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas da Universidade de Lisboa, onde também está a fazer Mestrado em Família e Género. Tem uma paixão atribulada pela escrita, com a qual por vezes corta relações. Tem uma relação estável e igualmente apaixonada com a música, o teatro, o cinema, a literatura e demais expressões artísticas.

Artigos relacionados

Power: a série que redefiniu o drama criminal na tv

Power: a série que redefiniu o drama criminal na TV

29/10/2026
Mobland (2)

MobLand regressa à Paramount+ com uma segunda temporada verdadeiramente explosiva

16/09/2026
Mobland

Segunda temporada de MobLand chega à Paramount+ com dez episódios

14/09/2026
I know what you did last summer netflix

Os três thrillers que não podes perder esta semana na Netflix

17/08/2026

Últimas notícias

Casa Branca oculta regras de avaliação de modelos de IA

Série OPPO Find X10 já está à venda em Portugal desde 1.499,99 euros

Novo ciberataque a supermercados atinge Portugal e Europa

HyperOS 4 já tem calendário global: veja as datas

One UI 9: utilizadores Galaxy relatam falhas no Android Auto

Novembro junta GTA VI, Zelda e um novo Warcraft

Binance regista saídas líquidas de 3,64 mil milhões após reabertura

SMS invisível pode cortar chamadas e bloquear smartphones Android

Supermercados europeus voltam a sofrer ataques aos sistemas de refrigeração

Apple remove 19 apps com deepfakes sexuais ocultos

Phantom Blade Zero ultrapassa 800 mil jogadores em simultâneo no Steam

Google Messages estreia novo ícone com gradiente na versão beta

Antropic muda nomes do Claude: troca Max 20x por Ultra e altera limites

MB WAY alerta para burlas que imitam SMS e chamadas oficiais

Ataques a bancos sul-coreanos expõem papel da IA

Apple enfrenta pressão com subida do custo da memória

China aposta na IA para criar robôs humanoides autónomos

Série Xiaomi TV A Pro e chega ao site global com 9 modelos

Auscultadores PlayStation Pulse chegam a Portugal por 99,99 euros

Xiaomi Smart Doorbell 4 Pro vigia visitas e encomendas

Techenet LOGO
  • Quem somos
  • Fale connosco
  • Termos e condições
  • Política de comentários
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • O uso de IA no TecheNet
Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Mobile
  • Tech
    • AUTOMÓVEIS
    • MOBILIDADE ELÉTRICA
    • IMAGEM & SOM
    • ENTREVISTAS
  • Gaming
  • IA
  • Opinião
  • Segurança
  • Negócios
    • EMPRESAS
    • CRIPTOMOEDAS
    • MARKETING
  • Mais
    • ARTE E CULTURA
    • DICAS
    • LIFESTYLE
    • DIREITOS COM CAUSA
    • INTERNET
    • GUIAS
    • PROMOÇÕES
    • REVIEWS
    • SUSTENTABILIDADE
    • TUTORIAIS

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.