Era na saudade que dormia e acordava… todo-santo-dia!

Apreciava o romper do mar nas rochas: ondas. Sabia que distante dos seus afetos, o eleito ousava brincar solitário. Tocava-se: rocha. Lembrou-se do desejo tomar-lhe de assalto: água. Desejou desaguar nele: gozo.

Como nunca dantes, percebeu-se dele. Não sabia ao certo apontar desde quando, sabia apenas que lhe pertencer era a redenção. Nunca fora tão livre, mesmo no desejo insano de atar-se nele. Excitava-lhe saber que, algures, havia um homem [menino-passarinho] que via nela a sua musa dos pensamentos mais impuros. Eram livres para tal feito. Sempre foram: pássaros! Sentiu-se viva ao pensar que aquele homem [colibri de voo a dois] despertava nela desejos, sonhos, querências varias. Quis ser dele enquanto recordava uns versos ditos na voz de Bethânia:

“Ah, quem me dera
Ir-me contigo agora
A um horizonte firme, comum
Embora amar-te
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que nem presumes

Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais cuidado
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te

 Ah, quem me dera ter-te
Morar-te até morrer-te “

– “Quem me dera ‘ser-te’, oh menino alado, que com tamanha destreza veste em  meu rosto os melhores sorrisos…”, desejou ela, sem perceber que pensava em voz alta e que sorria com todos os dentes.

Quis ser dele e, então, foi [voo avulso], por que o destino daquelas duas aves raras já estava selado há vidas inteiras e a vida que os cercava, senhoras e senhores, costumava parecer sempre mais urgente que para o resto do mundo.

O tempo voava inexorável enquanto a Menina mantinha os seus olhos no bater das ondas, como numa espécie de transe, possuída pelo desejo de ‘ser-lhe’. Deixou que os seus pensamentos voassem solitários [só mais esta vez!], rumo ao pouso certo [ninho feito]… Foi-se!

CAssis, a Menina Digital

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Cláudia Assis
Jornalista, Assessora de Comunicação e Gestora de Marcas nas redes sociais, Cláudia Assis tenta definir a si mesma como "uma menina multitask". Aquariana [logo vanguardista!] e nômade por natureza, viu a sua vida ser conduzida numa viagem transatlântica rumo a Portugal. O objetivo inicial era um mestrado em Ciências da Comunicação mas, desde então, vive num enamoramento constante com a terra de Pessoa. E, assim como o poeta, ela é também muitas "pessoas". CAssis é uma delas [talvez a mais intensa] e que nada mais é que uma versão 2.0 de si mesma, um alter-ego nas redes sociais. O que “ambas” têm em comum? Falam muito. Sobre tudo e todos. Têm sempre uma opinião a dar.

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