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Pensando em uma viagem intergaláctica? Confira este novo mapa do cosmos

Luiz Guilherme Trevisan Gomes por Luiz Guilherme Trevisan Gomes
03/09/2014 - Atualizado a 04/09/2014
Em Ciência, Espaço
Mapa de superaglomerados de galáxias que se estende por 1,5 bilhão (mil milhões) de anos-luz. O círculo amarelo limita o superaglomerado laniakea, dentro do qual se encontra a via láctea (ponto azul no centro). Áreas verdes e vermelhas representam densidades maiores de galáxias, enquanto áreas azuis representam regiões relativamente vazias. Crédito: tully et al. (2014); nature
mapa de superaglomerados de galáxias que se estende por 1,5 bilhão (mil milhões) de anos-luz. O círculo amarelo limita o superaglomerado laniakea, dentro do qual se encontra a via láctea (ponto azul no centro). Áreas verdes e vermelhas representam densidades maiores de galáxias, enquanto áreas azuis representam regiões relativamente vazias. Crédito: tully et al. (2014); nature




Laniakea: este foi o nome dado por uma equipe de astrônomos ao superaglomerado de galáxias — que inclui a Via Láctea — recentemente identificado por ela. A palavra, que significa “céu imensurável” em havaiano, traduz bem o que representa a estrutura descoberta, 100 vezes maior em massa e volume do que o superaglomerado de Virgem, ao qual normalmente aludimos quando pensamos em nosso endereço cósmico.

As galáxias tendem a se agrupar em grupos, ou aglomerados. Os superaglomerados, por sua vez, são regiões enormes do espaço nas quais se concentram os aglomerados. Em um novo estudo, pesquisadores liderados pelo astrônomo Brent Tully, da Universidade do Havaí, utilizaram dados de velocidade de 8 mil galáxias para redefinir os limites entre superaglomerados.

As informações foram obtidas subtraindo-se da velocidade das galáxias a taxa média da expansão cósmica; em seguida, obteve-se um modelo tridimensional do fluxo e densidade das galáxias (vídeo abaixo). O uso do fluxo/movimento como determinante das regiões limítrofes de um superaglomerado é “superior” à simples observação direta da matéria, baseando-se nas interações entre as galáxias para mapear áreas ainda não visualizadas diretamente pela astronomia, afirma Paulo Lopes, astrofísico do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que não se envolveu no estudo. Ressalte-se ainda que o movimento das galáxias reflete a própria distribuição da matéria, tanto a visível quanto a matéria escura.

Bacia hidrográfica celeste

Dentro dos superaglomerados, os membros se movem submetidos à força gravitacional de uma região local formando linhas como as grafadas em branco na imagem acima. Assim, as fronteiras entre os superaglomerados são representadas por pontos em que as linhas divergem, ou seja, as galáxias de determinada região têm seu fluxo determinado por outro centro de gravidade.

De acordo com o líder do estudo, publicado na revista Nature, os superaglomerados se comportam como bacias hidrográficas que se separam por uma forma de relevo mais elevada, nas quais a água corre para um lado ou para o outro, sucumbindo à força gravitacional.

As análises de Tully e sua equipe inserem a Via Láctea em uma estrutura muito maior do que o superaglomerado de Virgem, onde, segundo a visão prevalecente, está o Aglomerado Local, grupo de galáxias vizinhas da nossa. Estimou-se que Laniakea se estenda por 520 milhões de anos-luz e contenha a massa de 100 quadrilhões (mil biliões) de Sois, o equivalente a 100 mil Vias Lácteas.

A nova definição de superaglomerado não é consensual, entretanto. Gayoung Chon, astrônoma do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre na Alemanha, alega que o método empregado por Tully não leva em conta o fato de que algumas galáxias que compõem os superaglomerados não vão se fundir em um único centro gravitacional, como sugerem as linhas traçadas no novo estudo, mas para sempre se afastarão umas das outras. Além disso, o mapa de Tully e seus pares se torna menos preciso conforme aumentam as distâncias, sugere Lopes, que reconhece que a inserção de mais dados de distância e velocidade melhorarão o mapa e ajudarão os cientistas a acompanhar o movimento de objetos alheios ao nosso aglomerado de galáxias.

Caso o leitor esteja planejando uma jornada intergaláctica, talvez seja melhor adiá-la um pouco.

O vídeo empregado neste artigo é de propriedade do portal Nature.

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Tags: astronomiaespaçogaláxias
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Luiz Guilherme Trevisan Gomes

Luiz Guilherme Trevisan Gomes

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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