Primeira vacina contra o ebola fica mais perto de testes em grande escala

Vacina contra o ebola, composta por um vírus provido de um gene que codifica a capa proteica do ebola, está um passo mais próxima dos testes em larga escala. Foto: NIAID/National Institutes of Health
Vacina contra o ebola, composta por um vírus provido de um gene que codifica a capa proteica do ebola, está um passo mais próxima dos testes em larga escala. Foto: NIAID/National Institutes of Health




Uma vacina experimental contra o ebola acaba de ser aprovada em um importante teste de segurança e está mais perto de ser empregada em testes de larga escala nos países do oeste africano mais atingidos pela epidemia que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), já matou mais de 5,6 mil pessoas no continente.

Os experimentos com a vacina elaborada pela companhia farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK) tiveram início em 2 de setembro, e os pesquisadores responsáveis esperam poder realizar testes amplos, com milhares de pessoas em situação de risco, em meados de janeiro de 2015, informou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID).

Produzida pela GSK em parceria com o instituto norte-americano, a vacina — que se encontra no mais adiantado estágio de desenvolvimento entre todas as atualmente estudadas — foi capaz de provocar respostas imunológicas contra o vírus ebola em 20 pessoas saudáveis sem que lhes causasse efeitos colaterais graves.

A técnica de imunização consiste em um adenovírus de chimpanzé equipado com um gene inofensivo que codifica a proteína que reveste o ebola. É esta proteína o agente que causa a reação imunológica, levando o organismo humano a reconhecer o vírus ebola e atacá-lo.

Os testes com a vacina, descritos no periódico The New England Journal of Medicine, envolveram a aplicação de duas doses distintas, uma mais elevada e outra menos, tendo a mais elevada provocado respostas de anticorpos mais robustas, embora também tenha causado uma febre passageira em dois indivíduos. Nesse caso, apesar de parecer ameno, o efeito colateral pode levar a um efeito psicológico ainda mais desagradável: a febre é um dos primeiros sintomas do próprio ebola, o que poderia fazer as pessoas pensarem que estão contaminadas pela doença. Outros testes já trabalham com uma dose intermediária que não cause febre mas que preserve a capacidade de imunização.

Ao todo, as pesquisas com a vacina ainda devem levantar dados de mais 260 pessoas no Mali, no Reino Unido e na Suíça até o final de dezembro; apenas então a GSK decidirá que dosagem aplicar nos testes de larga escala. No entanto, mesmo que os resultados sejam favoráveis à nova vacina, resta saber se as empresas do consórcio terão condições de fabricar milhares, ou até milhões de unidades dela para que a presente epidemia seja efetivamente controlada.

P.S.: É muito bom estar de volta ao TecheNet após um (interminável) afastamento por razões pessoais. Aos poucos, a frequência com que escrevo deve voltar ao normal. Agradeço imensamente aos leitores e colaboradores do portal pela paciência. 

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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