Anel de poeira cósmica aponta para origens da Nebulosa de Órion

Nebulosa de Órion. Crédito: NASA, ESA, M. Robberto (Space Telescope Science Institute/ESA) e Hubble Space Telescope Orion Treasury Project Team
Nebulosa de Órion. Crédito: NASA, ESA, M. Robberto (Space Telescope Science Institute/ESA) e Hubble Space Telescope Orion Treasury Project Team





Em uma noite de pouco luar, fuja da poluição luminosa das cidades e observe a região do céu logo ao sul das três estrelas que compõem o cinturão de Órion (ou Três Marias). Ali, verá uma luz que, embora difusa, se faz perceber a mais de 1,3 mil anos-luz de distância: trata-se da Nebulosa de Órion, uma das nuvens de gás e poeira da Via Láctea mais ativas na formação de estrelas.

Eis que uma equipe de pesquisadores, operando um telescópio no Havaí, descobriu que a nebulosa — com seus “modestos” 24 anos-luz de extensão — é apenas parte de um imenso anel de poeira cósmica. A descoberta, possibilitada por uma nova técnica de mapeamento da poeira interestelar, pode ajudar a elucidar o próprio surgimento da Nebulosa de Órion.

Mapa da poeira no Complexo Molecular de Órion. O anel de poeira recém-descoberto pelo telescópio Pan-STARRS está à esquerda da imagem, em verde. Regiões em amarelo marcam a interação entre gás e poeira, estando a Nebulosa de Órion dentro de uma delas, a mais próxima do canto inferior esquerdo da figura. Crédito: Eddie Schlafly et al. (2015)
Mapa da poeira no Complexo Molecular de Órion. O anel de poeira recém-descoberto pelo telescópio Pan-STARRS está à esquerda da imagem, em verde. Regiões em amarelo marcam a interação entre gás e poeira, estando a Nebulosa de Órion dentro de uma delas, a mais próxima do canto inferior esquerdo da figura. Crédito: Eddie Schlafly et al. (2015)

O anel encontrado surpreendeu a equipe do astrônomo Eddie Schlafly, que utilizou uma premissa bastante intuitiva para obter imagens da poeira cósmica. Assim como a poeira suspensa na atmosfera da Terra avermelha o pôr do sol, ela pode modificar a luz das estrelas. Assim, os cientistas observaram as cores e distâncias de 23 milhões de estrelas visíveis na maior parte do céu para localizar a poeira interestelar, compondo um mapa tridimensional da poeira da constelação de Órion.

Em artigo publicado no periódico The Astrophysical Journal, a equipe relata a existência de um anel de poeira com 330 anos-luz de diâmetro, tendo a nebulosa se desenvolvido em uma das regiões mais densas de tal estrutura.

Os resultados do estudo permitem que os estudiosos elaborem algumas hipóteses para explicar o surgimento da nebulosa. Há mais de 10 milhões de anos, propõe uma delas, teria existido um conjunto de estrelas maciças cuja luz ultravioleta extirpou elétrons do gás hidrogênio situado ao seu redor. Essa escalada de radiação teria empurrado o gás em todas as direções, como em uma bolha que se expandiu ainda mais rapidamente quando as estrelas originais entraram em colapso sob a forma de supernovas.

Completando a hipótese, acredita-se que algumas partes da bolha de gás e poeira tenham se tornado suficientemente densas para originar novas estrelas. Uma dessas regiões, onde as jovens estrelas iluminam o gás ao seu redor, seria a Nebulosa de Órion.

Para que o cenário proposto seja confirmado, é necessário, no entanto, que se estimem a direção do movimento da poeira do anel e sua velocidade. Caso se conclua que o anel continua se expandindo, será possível estimar quando a expansão teve início, e a causa apontada pelo cenário exposto (a existência do grupo de estrelas maciças) poderá ser validada.

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é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

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