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Automóveis elétricos: os fabricantes chineses estão a chegar

António Eduardo Marques por António Eduardo Marques
23/06/2023
Em Mobilidade Elétrica, Opinião

No último artigo, incluiu numa das minhas previsões sobre o futuro dos automóveis elétricos o facto de irem chegar ao mercado mais marcas com modelos acessíveis e que o mais certo é que muitas dessas marcas seriam asiáticas.

Para que não houvesse dúvidas, linquei essa frase a uma página sobre o lançamento iminente do BYD Seagull. E a BYD é, hoje, o maior fabricante mundial de veículos elétricos – se incluirmos também os híbridos plug-in.

Automóveis elétricos: os fabricantes chineses estão a chegar

Para muita gente, isto é um problema. Sendo o “isto”, a origem chinesa dos EVs. Na verdade, os detratores dos automóveis elétricos em geral adoram usar o rótulo derrogatório de “chinês” em EVs não apenas de marcas realmente chinesas, mas de tudo um pouco, desde Teslas produzidos naquele país, até à Polestar – a marca sueca 100% elétrica que surgiu como spin-off dentro da Volvo (era a sua sub-marca “desportiva”) e que agora pertence – tal como a Volvo, a Lotus ou a Smart… – ao grupo Geely.

Os comentários destas pessoas são normalmente feitos a partir de smartphones e computadores feitos na China, muitas vezes numa casa com ar condicionado feito na China, micro-ondas produzido na China, com uma TV feita na China e iluminada por lâmpadas LED feitas na China, mas enfim…

São também feitas por pessoas com uma tremenda falta de memória. Quando, nos anos 70, os fabricantes japoneses (sobretudo a Toyota e a Datsun/Nissan) chegaram à Europa e aos EUA, foram recebidos com sorrisos displicentes. Hoje, é o que se sabe.

No final do século XX, os fabricantes sul coreanos (Hyundai e Kia, desde 1998 duas marcas do mesmo grupo) chegaram e voltaram a ser recebidos da mesma forma. Hoje, é o que se sabe.

Agora, temos os fabricantes chineses, que na era da combustão nunca foram competitivos – e nem sequer tentaram entrar nos mercados ocidentais – a mostrarem-se claramente competitivos na nova era dos automóveis elétricos. Aliás, se não vierem mais baratos, provavelmente será devido a medidas protecionistas dos governos ocidentais.

Olhá-los com desconfiança fazendo a (falsa) equivalência de chinês=mau é não só fruto de ignorância mas também falta de memória história. E, atrevo-me a dizê-lo, uma certa xenofobia. Mas entendo: para muitos, é a única desculpa que resta para não comprarem um veículo elétrico; andaram anos a dizer que eram caros e, agora que as marcas chinesas prometem trazer-nos carros mais acessíveis, é preciso dizer que são maus, mesmo usando argumentos falaciosos…

O que temos então a chegar ao mercado de automóveis elétricos?

Eis algumas marcas, sem qualquer ordem em especial:

BYD. A BYD (iniciais de Build Your Dreams) é um dos líderes mundiais na produção de baterias (segundo lugar, a seguir à também chinesa Amperex) que é também um dos maiores fabricantes de automóveis do mundo. O primeiro automóvel a chegar à Europa foi o Atto3, que recebeu 5 estrelas nos testes EuroNCAP. A empresa está também avançada em tecnologia de baterias, tem já um modelo pronto a sair com bateria estrutural e acaba de lançar um carro novo em parceria com… a Toyota. De todos os fabricantes chineses, parece-me ser o mais interessante, dada a sua excelente base de tecnologia.

Grupo Geely. O Grupo Geely inclui já marcas que nos são familiares, como a Volvo, a Lotus, a Polestar e a Smart (estas duas, neste momento 100% elétricas) – além de produzir veículos com a sua própria marca. A marca é também proprietária da LEVC, a empresa responsável pelos táxis de Londres e cujas origens remontam a 1908.

Aiways. Esta marca chinesa chegou a Portugal em 2022 e o seu primeiro EV é o SUV U5. Um concorrente direto do Tesla Model Y e do VW ID.5, designado U6, chegará em breve.

ORA. O primeiro EV da marca chinesa é um citadino. Chegou já ao Reino Unido e deverá começar a ser vendido no resto da Europa até ao final de 2024.

MG. A quase centenária marca britânica é, desde há uns anos, detida a 100% por capitais chineses. Foi vendida em 2005 à Nanjing Automobile e dois anos mais tarde integrada na empresa estatal chinesa SAIC Motor. O MG 4 é um dos meus EVs favoritos, a um preço que é (ainda) competitivo mesmo em face dos recentes descontos da Tesla.

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Tags: automóveis elétricosEVopinião
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António Eduardo Marques

António Eduardo Marques

foi jornalista entre 1983 e 2007. Foi co-fundador do suplemento Público Computadores (1994), fundou a Exame Informática (1995), a revista BIT (1998) e o canal de tecnologia do SAPO (2000). Foi ainda diretor da revista de videojogos Mega Score e da revista Vídeo&DVD. Em 2007 criou a agência de comunicação AEMpress e continua a escrever regularmente sobre tecnologia no seu blog, Tech Hoje.

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