A indústria dos wearables habituou-nos a saltos tecnológicos que, por vezes, nos deixam de queixo caído, mas a OnePlus parece estar a seguir um caminho bem mais conservador — talvez até demais. Se estavas à espera de uma rutura visual ou de um processamento que fizesse o teu pulso voar, o recente leak do OnePlus Watch 4 poderá cair como um balde de água fria. Os dados que escaparam para o domínio público revelam um dispositivo que sofre de uma crise de identidade, assemelhando-se tanto ao seu antecessor que a expressão “déjà vu” tecnológico nunca fez tanto sentido.
Os rumores ganharam uma base sólida com o aparecimento do dispositivo na listagem da Google Play Console. Para quem não está familiarizado com estas andanças, este é um passo quase final antes de um gadget chegar às prateleiras. A fuga de informação, inicialmente detetada pela XpertPick, mostra-nos um relógio com uma variante prateada acompanhada por uma bracelete verde.

No que toca aos números que alimentam o ecrã, temos uma resolução de 466×466 píxeis. É uma qualidade sólida, sem dúvida, mas é exatamente o que já encontras no modelo atual. Por baixo do capô, as notícias também não trazem o perfume da novidade: o processador escolhido é o Snapdragon Wear W5, apoiado por 2 GB de RAM. É uma configuração competente para correr o WearOS com fluidez, mas levanta a questão pertinente: onde está a evolução que justifica o número “4” no nome?
A sombra da Oppo e a bateria que “encolheu”
Não é segredo para ninguém que a OnePlus e a Oppo partilham muito mais do que apenas escritórios. Tudo indica que este OnePlus Watch 4 seja, na verdade, a versão global do Oppo Watch X3, que foi apresentado na China há pouco mais de um mês. Esta estratégia de “rebranding” é comum, mas retira parte do misticismo à marca que outrora se orgulhava de ser a “matadora de gigantes”.
Curiosamente, há um detalhe na bateria que deixa qualquer entusiasta confuso. Se os dados se confirmarem, o novo modelo virá com uma célula de 646 mAh. Se compararmos com o OnePlus Watch 3, estamos a falar de uma redução minúscula de 2 mAh. Na prática, tu não vais sentir diferença nenhuma na autonomia diária, mas é bizarro ver uma nova geração apresentar um componente que, tecnicamente, é inferior ao anterior, mesmo que de forma simbólica.
Design e variantes que já conhecemos
Graças a fugas de informação anteriores relativas às caixas de venda, sabemos que o estilo visual não vai arriscar. Além da versão prateada, espera-se uma variante em cinzento escuro com uma bracelete azul marinho, que comercialmente deverá ser batizada como “Evergreen Titanium”.
Aqui tens um resumo do que esperar desta “nova” aposta:
- Processador: Qualcomm Snapdragon Wear W5.
- Memória: 2 GB de RAM.
- Ecrã: Painel circular com resolução de 466×466.
- Bateria: 646 mAh (ligeiramente abaixo do modelo anterior).
- Sistema: WearOS (Google).
- Disponibilidade: Listagens sugerem lançamento no Reino Unido, Polónia e restante União Europeia.
O preço será o único argumento de peso?
Com especificações que parecem uma cópia carbono do Watch 3, a OnePlus coloca-se numa posição delicada. Lançar o mesmo produto com um nome novo só faz sentido se houver uma estratégia agressiva de mercado por trás. Para que tu consideres este investimento, o preço de lançamento terá de ser significativamente mais apelativo do que o do seu antecessor no ano passado.
A manter-se este cenário de estagnação técnica, o OnePlus Watch 4 corre o risco de ser apenas uma atualização de catálogo para manter a marca relevante nas montras das lojas, sem trazer qualquer benefício real para quem já tem um relógio inteligente de última geração no pulso. O lançamento oficial deverá acontecer nas próximas semanas e só aí saberemos se a marca tem algum “ás” escondido na manga ou se este é, efetivamente, um exercício de reciclagem tecnológica.
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