O chip de IA da OpenAI, denominado Jalapeño, superou sistemas baseados nos aceleradores NVIDIA GB200 e GB300 nos primeiros testes de desempenho publicados pela empresa. O processador, desenvolvido com a Broadcom, apresentou maior eficiência energética e menor latência na execução de modelos de inteligência artificial.

A comparação abrangeu três modelos públicos e diferentes níveis de utilização, desde cargas destinadas a servir muitos pedidos até tarefas interativas sensíveis ao tempo de resposta. Os resultados colocam o Jalapeño entre as alternativas ao domínio da NVIDIA, mas ainda não demonstram o seu desempenho numa instalação comercial de grande escala.
Pontos principais
- O Jalapeño é o primeiro processador personalizado da OpenAI.
- O equipamento destina-se à inferência e não ao treino de modelos.
- A OpenAI declara entre 1,5 e 1,9 vezes mais desempenho por watt.
- A latência total ficou entre 1,7 e 3,6 vezes abaixo dos sistemas comparados.
- A instalação começa em volumes reduzidos no final de 2026.
- A OpenAI continuará a utilizar processadores da NVIDIA.
Jalapeño combina eficiência e menor latência
A OpenAI avaliou o Jalapeño através do InferenceX, um teste público desenvolvido pela empresa de análise de semicondutores SemiAnalysis. O processo mediu a execução integral de pedidos de inferência, com atenção ao número de tokens processados, ao consumo energético e ao tempo necessário para apresentar as respostas.
Os testes abrangeram os modelos GPT‑OSS 120B, DeepSeek R1 670B e Kimi K2.5 1T. De acordo com os resultados publicados pela OpenAI, o Jalapeño processou entre 1,5 e 1,9 vezes mais trabalho de inteligência artificial por watt do que os sistemas usados na comparação. A latência total ficou entre 1,7 e 3,6 vezes abaixo dos valores registados nos equipamentos concorrentes.
No teste com o GPT‑OSS 120B, o processador alcançou 85 448 tokens mistos por segundo e por quilowatt, face a 44 960 no sistema baseado no NVIDIA GB200. A latência total caiu de 1,80 para 1,03 segundos.
A diferença aumentou com o DeepSeek R1. O Jalapeño registou 19 641 tokens mistos por segundo e por quilowatt, contra 11 781 no sistema NVIDIA GB300. O tempo total de resposta foi de 1,65 segundos, face a 5,99 segundos no equipamento de comparação.
Com o Kimi K2.5, o maior modelo público usado no ensaio, o processador da OpenAI apresentou cerca de 1,5 vezes mais desempenho por watt e uma latência 3,4 vezes inferior. A empresa também declara um desempenho entre 2,1 e 4,1 vezes superior nas cargas mais interativas.
A potência térmica nominal do Jalapeño é de 700 watts. A OpenAI afirma que o consumo sustentado não ultrapassou 550 watts durante os testes. Os cálculos comparativos, contudo, recorreram à potência nominal publicada para cada acelerador, o que não representa necessariamente o consumo total dos servidores e da infraestrutura associada.
A SemiAnalysis acompanhou os testes com a equipa de engenharia da OpenAI e confirmou o desempenho do processador no InferenceX. Esta participação acrescenta escrutínio técnico, mas não equivale a uma avaliação independente num centro de dados comercial.
OpenAI desenvolveu o processador com a Broadcom
O Jalapeño é um circuito integrado de aplicação específica, ou ASIC, concebido para a inferência de grandes modelos de linguagem. Ao contrário de um processador gráfico generalista, a arquitetura procura responder às características das cargas que sustentam serviços como o ChatGPT, o Codex e os futuros agentes de IA.
A inferência corresponde à fase em que um modelo já treinado recebe um pedido e produz uma resposta. Esta etapa exige capacidade de cálculo, acesso rápido à memória e comunicação entre processadores. Nos agentes de IA, pequenas demoras acumulam-se ao longo das várias ações necessárias para concluir uma tarefa.
A OpenAI afirma ter concebido em conjunto o processador, a memória, o sistema de rede e o software de execução. A arquitetura procura reduzir a movimentação de dados e conservar localmente o estado do modelo, com destaque para a memória intermédia usada durante a geração das respostas.
A Broadcom ficou responsável por componentes da implementação do processador e pelas tecnologias de rede. A fabricante canadiana Celestica trata da integração dos servidores, enquanto a TSMC assegura o fabrico dos semicondutores, de acordo com a informação publicada pela Reuters.
O projeto avançou do desenho inicial até à fase de tape-out, que antecede o fabrico físico, em cerca de nove meses. A OpenAI atribui parte desta redução do tempo de desenvolvimento à utilização dos seus modelos para apoiar tarefas de engenharia e otimização.
A empresa também utilizou o Codex com o modelo GPT‑Astra para adaptar três modelos abertos que não faziam parte do plano inicial. O trabalho ficou concluído em dois meses, o que serviu para demonstrar a capacidade de adaptação do processador a modelos externos.
O TecheNet já tinha analisado esta estratégia no artigo sobre a aposta da OpenAI num chip próprio com a Broadcom. Os novos resultados acrescentam os primeiros dados técnicos a um projeto que, até agora, se apoiava sobretudo em previsões de desempenho.
O chip de IA da OpenAI não elimina dependência da NVIDIA
A OpenAI prevê instalar as primeiras unidades do Jalapeño até ao final de 2026. Richard Ho, responsável pelo programa de hardware da empresa, esclareceu que esta fase terá volumes reduzidos. Uma instalação mais ampla deverá começar em 2027, sem números públicos sobre a quantidade de processadores prevista.
Este calendário limita o alcance imediato dos resultados. Quando o Jalapeño entrar numa fase comercial mais ampla, a NVIDIA já poderá dispor de sistemas mais recentes do que os GB200 e GB300 usados nos testes. A comparação atual demonstra o potencial da arquitetura, mas não estabelece a posição competitiva que o processador terá em 2027.
O equipamento também não executa o treino dos modelos. A OpenAI continuará a depender de processadores externos para esta fase, que exige elevados recursos computacionais. A empresa mantém acordos com a NVIDIA e afirma que continuará a utilizar aceleradores de vários parceiros.
O Jalapeño deve, por isso, ser entendido como um instrumento de diversificação. O processador oferece à OpenAI maior controlo sobre a infraestrutura que executa os seus modelos e pode reduzir o custo de cada resposta. Também permite adaptar o hardware às necessidades dos produtos sem depender exclusivamente do calendário de outros fabricantes.
A estratégia segue a direção adotada pela Google, Amazon e Meta, que desenvolveram processadores personalizados para partes específicas das suas cargas de inteligência artificial. A Anthropic também estuda soluções próprias, como o TecheNet explicou no artigo sobre a possível parceria da empresa com a Samsung.
Os primeiros testes mostram que a OpenAI conseguiu criar uma alternativa competitiva para inferência. A relevância comercial do Jalapeño dependerá agora da capacidade de fabrico, da integração nos centros de dados e da confirmação dos ganhos de eficiência numa operação de grande escala.
Perguntas frequentes – FAQ
O que é o Jalapeño?
O Jalapeño é o primeiro processador personalizado da OpenAI. Foi desenvolvido com a Broadcom para executar a inferência de grandes modelos de linguagem.
O Jalapeño serve para treinar modelos de IA?
Não. O processador destina-se à execução de modelos já treinados. A OpenAI continuará a utilizar outros aceleradores para o treino.
O chip da OpenAI é mais rápido do que o NVIDIA Blackwell?
Nos testes publicados, o Jalapeño apresentou maior desempenho por watt e menor latência do que sistemas baseados nos NVIDIA GB200 e GB300. Os resultados dependem das configurações avaliadas e ainda não representam uma instalação comercial de grande escala.
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