Portugal deverá atingir cerca de 1 GW de capacidade instalada em centros de dados até 2030, segundo projeções da Rystad Energy. O crescimento colocará o país entre os mercados europeus com maior expansão desta infraestrutura durante a segunda metade da década.

A Península Ibérica deverá reforçar substancialmente o seu peso no mercado europeu. A capacidade conjunta de Portugal e Espanha poderá representar 11,5% do total europeu em 2030, quase o dobro dos 5,8% registados em 2025.
As projeções da Rystad Energy, citadas pela Reuters, apontam para cerca de 1 GW em Portugal no final da década. Espanha deverá atingir 3,9 GW, aproximadamente quatro vezes a capacidade atual.
Portugal tem 36 centros de dados operacionais
Portugal conta atualmente com 36 centros de dados operacionais e outros 10 projetos em construção ou planeamento, segundo um levantamento da consultora portuguesa Synertics. A maior concentração encontra-se nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
O contraste entre a infraestrutura existente e os projetos anunciados mostra a escala da expansão prevista. Só a região de Lisboa aproxima-se de 1,4 GW de capacidade planeada, de acordo com a Colliers, enquanto a capacidade atualmente operacional permanece muito abaixo desse valor.
Estes números exigem, porém, alguma cautela. Capacidade anunciada ou planeada não equivale a capacidade construída, contratada ou já utilizada por clientes. Os projetos dependem de fatores como financiamento, procura, licenciamento e acesso à rede elétrica.
Sines concentra o maior projeto português
O principal projeto em desenvolvimento é o SINES Data Campus da Start Campus. A empresa prevê uma capacidade total de até 1,2 GW distribuída por seis edifícios. O primeiro, SIN01, já se encontra operacional.
A Start Campus apresenta atualmente 37,5 MW de capacidade no primeiro edifício e 200 MW para a próxima instalação planeada, SIN02. O desenvolvimento completo do campus deverá decorrer por fases.
O projeto já tinha sido abordado pelo TecheNet no contexto das novas ligações terrestres entre Sines e Madrid, uma componente da infraestrutura de conectividade necessária para transformar a região num ponto de ligação entre redes europeias e cabos submarinos internacionais.
Crescimento aumenta pressão sobre a rede elétrica
O aumento da capacidade dos centros de dados traz consigo uma procura elétrica elevada e, sobretudo, contínua. Ao contrário de muitas outras atividades industriais, estas instalações necessitam de energia disponível 24 horas por dia, o que obriga operadores e fornecedores a combinar produção renovável com redes reforçadas, armazenamento e outras fontes capazes de garantir fornecimento permanente.
A Rystad identifica precisamente a capacidade da rede elétrica como uma das limitações ao crescimento na Península Ibérica. As temperaturas mais elevadas e a disponibilidade de água também podem aumentar a complexidade e o custo do arrefecimento quando comparadas com regiões do Norte da Europa.
Em Sines, a Start Campus adotou um sistema de arrefecimento que utiliza água do mar em vez de água doce. No relatório de sustentabilidade relativo a 2025, a empresa indica que o SIN01 retirou 692.942 metros cúbicos de água do mar e devolveu o mesmo volume após utilização no sistema de arrefecimento. Os dados são apresentados pela própria operadora e referem-se apenas a esta instalação.
O potencial de crescimento é, por isso, significativo, mas os números anunciados para 2030 não representam capacidade garantida. A evolução efetiva dos centros de dados em Portugal dependerá da execução dos projetos, da contratação de clientes e, sobretudo, da capacidade de fornecer eletricidade e infraestrutura de rede à escala prevista.
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