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Ransomware: Por que pagar não é a solução?

Vitor Urbano por Vitor Urbano
01/04/2025
Em Segurança

Os ataques de ransomware estão a aumentar de forma inquietante e, infelizmente, não mostram sinais de abrandar. Dados recentes destacam que um ataque deste tipo ocorre a cada 39 segundos, resultando em mais de 2.200 incidentes por dia. Com uma sofisticação crescente, estas ameaças tornam-se cada vez mais difíceis de conter, representando um enorme desafio para empresas que procuram manter a sua segurança intacta.

Os cibercriminosos adotam métodos cada vez mais inovadores. Entre os mais recentes incluímos técnicas de encriptação lenta, substituição de bytes e encriptação sombreada. Além disso, os ataques focam-se cada vez mais em exfiltração de dados, com ameaças de exposição pública de informação sensível caso o resgate não seja pago. Indústrias como saúde, cadeias de abastecimento e governos locais e estaduais têm sido fortemente visadas, demonstrando que nenhuma área de atividade está a salvo.

Governo australiano considera tornar ilegal o pagamento a cibercriminosos

O perigo de pagar pela recuperação

Ainda que muitas organizações acreditem que pagar o resgate é a forma mais rápida de retomar as operações, a realidade é bem diferente. Estudos revelam que o custo total de recuperação de um ataque de ransomware pode ser até dez vezes superior ao valor pedido pelo resgate. Para agravar a situação, os atacantes têm como alvo os sistemas de backup das empresas, fundamentais para recuperação de dados. Estatísticas indicam que 94% dos ataques procuram comprometer backups, com uma taxa de sucesso de 57%.

Os impactos financeiros vão para além do pagamento do resgate. As empresas enfrentam tempos de inatividade, despesas de recuperação, eventuais multas regulatórias e, em casos extremos, encerramento de atividades. Acresce ainda a perda de confiança por parte dos clientes, que pode ser difícil de recuperar, especialmente quando informação sensível é violada, resultando em sanções legais sob regulamentações como o GDPR.

Mesmo pagando o resgate, não há garantias de que os dados sejam restaurados. Por vezes, o conteúdo é corrompido ou eliminado de forma permanente. Além disso, empresas que escolhem pagar ficam mais vulneráveis a ataques futuros e enfrentam frequentemente aumentos nas taxas de seguro cibernético.

Prioridade na recuperação: solução para quebrar o ciclo

Financiar hackers ao pagar resgates apenas perpétua o ciclo de crimes cibernéticos. A solução passa por adotar uma abordagem centrada na recuperação. Isso inclui a implementação de backups imutáveis e sistemas de deteção avançada de ransomware que garantam que os dados restaurados não voltem a infetar o sistema. A validação contínua da integridade dos backups e estratégias de recuperação comprovadas são essenciais para minimizar o impacto dos ataques sem recorrer ao pagamento.

Ao investir em medidas seguras e confiáveis de recuperação, as empresas conseguem contrariar os incentivos económicos que alimentam os cibercriminosos, enquanto fortalecem a sua postura de segurança a longo prazo. Cada ataque evitado representa menos recursos para os hackers aprimorarem as suas táticas e atingirem mais vítimas.

Preparação e resiliência: um caminho para o futuro cibernético

Embora muitas empresas invistam fortemente em soluções de prevenção, a vulnerabilidade ao ransomware permanece. Para fazer face ao futuro, é crucial apostar numa estratégia abrangente de integridade de dados. Um plano robusto de recuperação pós-ataque requer análises forenses para identificar falhas de segurança, deteção precisa de comportamentos de ransomware e objetivos claros de recuperação, como prazos definidos e priorização de sistemas críticos.

Além disso, medidas preventivas, como autenticação multi-factor e segmentação de rede, devem ser adotadas, complementadas por auditorias regulares de segurança. Simulações e formação de equipas para resposta a incidentes ajudam as organizações a reagir de forma coordenada e eficaz.

Os especialistas concordam: a questão não é se, mas quando o ransomware vai atacar. Investir em estratégias de recuperação testadas e atualizadas regularmente permite que as empresas retomem operações com o mínimo de interrupção. Um compromisso com a integridade dos dados e a recuperação como prioridade pode mudar o rumo das empresas, fortalecendo as suas defesas no cenário de ameaças cibernéticas do futuro.

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Vitor Urbano

Vitor Urbano

Frequentou a licenciatura de Desporto em Setúbal e atualmente reside na Letónia. Apaixonado por novas tecnologias e fã do "pequeno" Android desde 2009.

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