O SUV elétrico da Tesla continua a dominar o mercado global, superando toda a concorrência a combustão, apesar dos novos desafios na China e na Europa.
O cenário automóvel mundial vive um momento histórico que confirma a mudança de paradigma na mobilidade. Pelo terceiro ano consecutivo, o Tesla Model Y sagrou-se o carro de passageiros mais vendido do planeta. Esta proeza, partilhada pela marca de Elon Musk com base em dados de consultoras como a JATO Dynamics e a Statista, marca a primeira vez que um veículo puramente elétrico consegue manter este trono de forma tão prolongada, deixando para trás modelos icónicos a combustão e propostas híbridas de marcas tradicionais.
Ao longo de três anos de liderança ininterrupta, o Model Y já colocou nas estradas mais de quatro milhões de unidades. Só no último ano de 2025, a Tesla conseguiu produzir cerca de 1,65 milhões de veículos, tendo entregado 1,63 milhões aos seus clientes em todo o mundo. Se olhares para estes números com atenção, percebes a escala gigantesca da operação da marca americana, que parece ter encontrado no Model Y a fórmula perfeita entre espaço, tecnologia e desempenho.

O papel fundamental da super-fábrica de Xangai
Não se pode falar do sucesso global da Tesla sem mencionar a Gigafactory de Xangai. Esta unidade de produção tornou-se o verdadeiro coração batente da empresa. Em 2025, foi responsável por entregar 851.732 veículos, o que equivale a mais de metade (52%) de todas as vendas mundiais da Tesla. É daqui que saem não só os carros para o gigantesco mercado chinês, mas também muitas das unidades que chegam a outros continentes.
Após alguns meses de incerteza e quedas nas vendas, a Tesla parece estar a recuperar o fôlego na China. Em fevereiro, os dados mostram um crescimento homólogo superior a 42% nas vendas a retalho, permitindo à marca recuperar uma quota de mercado de quase 14% no segmento dos elétricos. Se procuras o responsável por este balão de oxigénio, encontras novamente o Model Y, cujas vendas dispararam de forma impressionante nesse mês face ao período homólogo.
A pressão da concorrência e o fenómeno Xiaomi
Contudo, nem tudo são notícias perfeitas para a Tesla. O mercado chinês está mais competitivo do que nunca e a pressão dos fabricantes locais é constante. A BYD continua a ser uma sombra persistente, mas a grande surpresa veio do setor tecnológico. O Xiaomi YU7 conseguiu roubar o título de elétrico mais vendido na China em períodos recentes, provando que o domínio da Tesla já não é inquestionável.
Se analisarmos o balanço total de 2025 na China, o Model Y sofreu uma quebra de 34,44% nas vendas a retalho face ao ano anterior. Apesar desta descida acentuada, o modelo continua a ser o pilar que sustenta a operação da Tesla em território chinês, representando quase 68% do volume total de vendas da marca naquele país.
A situação do Model Y no mercado português
Se estás em Portugal e estás a pensar juntar-te à comunidade de proprietários de um Model Y, o acesso nunca foi tão facilitado. Atualmente, podes adquirir este SUV a partir de 39.990 euros. A introdução da versão Standard em outubro ajudou a baixar a barreira de entrada, tornando o modelo mais competitivo face a outras propostas europeias e chinesas que começam a inundar o nosso mercado.
No entanto, o início de 2026 trouxe alguns sinais de alerta para a marca em solo nacional. Registou-se uma descida de 3% nas vendas da Tesla em Portugal durante o primeiro mês do ano, uma tendência que, curiosamente, se espelha no resto da Europa. No mercado europeu, o cenário é ainda mais desafiante, com o setor a registar o 13º mês consecutivo de quedas nas vendas de automóveis. Em janeiro de 2026, o Model Y perdeu a liderança europeia, ficando-se pelo terceiro lugar do pódio.
Ainda que o mercado europeu mostre sinais de fadiga ou de espera por novos incentivos, a verdade é que o Model Y já garantiu o seu lugar nos livros de história. Ser o carro mais vendido do mundo três anos seguidos, sendo exclusivamente elétrico, é um feito que poucos acreditariam ser possível há apenas uma década. Fica agora a dúvida se a Tesla conseguirá renovar o modelo a tempo de travar a ascensão meteórica de marcas como a Xiaomi e manter a sua coroa por um quarto ano consecutivo.
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