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China prepara robôs humanoides para missões militares

Investigação identifica projetos do Exército chinês para reconhecimento, patrulha e operações urbanas, mas não confirma robôs armados no ativo

Alfredo Beleza por Alfredo Beleza
07/09/2026
Em Tecnologia

A China prepara robôs humanoides para missões militares, com projetos destinados a reconhecimento, patrulha, logística e operações em ambientes perigosos. Instituições ligadas ao Exército Popular de Libertação testam estas máquinas face a requisitos militares e estudam a sua utilização ao lado de soldados.

Operador testa robôs humanoides para missões militares num centro de investigação.
Imagem conceptual gerada por IA (ChatGPT)

Uma investigação da Reuters analisou mais de 100 avisos de contratação, estudos académicos, patentes, publicações oficiais, registos governamentais e materiais de empresas de defesa. A agência não encontrou provas de que a China tenha colocado um robô humanoide armado numa unidade militar operacional.

Pontos principais

  • Instituições militares chinesas investigam robôs humanoides para reconhecimento, logística e operações urbanas.
  • Um estudo da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa descreve uma força de assalto composta por soldados e robôs.
  • A empresa estatal Norinco desenvolveu o Fuxi para patrulha, vigilância e missões perigosas.
  • O Fuxi depende de controlo humano à distância e não constitui um sistema de combate autónomo.
  • A autonomia, o consumo energético e a fiabilidade ainda limitam a utilização militar.

Robôs humanoides para missões militares saem dos laboratórios

O interesse militar chinês ganhou visibilidade após os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, realizados em agosto, em Pequim. As demonstrações mostraram máquinas capazes de correr, lutar, ultrapassar obstáculos e executar movimentos coordenados.

Dois dias após o evento, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação defendeu uma transferência mais rápida destas tecnologias dos laboratórios para os campos de treino. A publicação referiu a possibilidade de desenvolver novos tipos de “combatentes” robóticos.

Os documentos consultados pela Reuters mostram um aumento do investimento militar em sistemas de perceção, manipulação de objetos e recolha de dados para treino. Estas capacidades são necessárias para que um robô possa interpretar o ambiente, manter o equilíbrio e executar tarefas físicas.

Os projetos abrangem os próprios robôs e as tecnologias que lhes permitem reconhecer pessoas, mapear espaços, reagir a obstáculos e reproduzir os movimentos de um operador humano. A investigação também identificou estudos sobre a coordenação entre máquinas e tropas no terreno.

O Ministério da Defesa chinês e a Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa não responderam às questões da Reuters sobre a utilização militar dos humanoides.

Estudo descreve força robótica para operações urbanas

Um estudo publicado em agosto de 2025 por investigadores do centro de testes da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa, em Xi’an, descreve um cenário de combate urbano com seis robôs.

As máquinas seriam distribuídas por duas equipas de assalto e operariam em conjunto com soldados. A força robótica poderia combinar humanoides, robôs quadrúpedes e veículos terrestres não tripulados para entrar num edifício ocupado e avançar de divisão em divisão.

O estudo não descreve uma operação já executada. Os autores projetaram um cenário baseado em equipamento que poderá estar disponível dentro de cinco a dez anos. Também não especificaram que armas seriam utilizadas, como seriam selecionados os alvos ou quais seriam as regras perante a presença de civis.

A forma humana poderá oferecer vantagens em edifícios, túneis e interiores de navios. Duas pernas e dois braços permitem, em teoria, subir escadas, abrir portas e utilizar espaços e ferramentas concebidos para pessoas.

Contudo, missões simples de transporte ou vigilância podem ser executadas com menor custo por veículos com rodas, lagartas ou quatro pernas. A adoção do formato humanoide só terá utilidade militar quando a tarefa exigir capacidades físicas próximas das de uma pessoa.

Norinco desenvolve Fuxi com controlo à distância

A Norinco, grupo estatal chinês ligado à indústria de defesa, apresentou em agosto o Fuxi, um robô humanoide de tamanho real concebido para reconhecimento, patrulha e operações em áreas de risco.

De acordo com a informação divulgada sobre o Fuxi, o robô identifica pessoas, emite alertas durante tarefas de sentinela e pode executar patrulhas em diferentes condições meteorológicas. Várias unidades também podem deslocar-se em formação.

O sistema pesa cerca de 90 quilogramas e reproduz, em tempo real, os movimentos de um operador humano. A Norinco designa esta tecnologia de teleoperação como “avatar externo”.

Esta arquitetura mantém o controlo direto nas mãos de uma pessoa situada a uma distância segura. O Fuxi não deve, por isso, ser confundido com um robô militar inteiramente autónomo, capaz de decidir e executar uma missão sem intervenção humana.

A teleoperação pode permitir a entrada em edifícios instáveis, áreas contaminadas ou outros locais onde a presença humana represente um risco elevado. A ligação à distância também cria limitações, pois depende da qualidade das comunicações e pode ficar exposta a interferências ou ataques informáticos.

China ainda não colocou humanoides armados no terreno

A investigação não encontrou provas de humanoides armados ao serviço de unidades operacionais chinesas. As máquinas atuais consomem muita energia e perdem fiabilidade fora de ambientes controlados.

O terreno irregular, as condições meteorológicas, a poeira, os danos físicos e a ausência de comunicações estáveis dificultam a utilização em combate. As demonstrações públicas também podem recorrer a sequências preparadas e não representam necessariamente a capacidade de agir perante situações imprevistas.

A própria aplicação industrial permanece limitada. Outra investigação da Reuters sobre a robótica chinesa mostrou que muitos humanoides ainda executam tarefas simples com menor rapidez e precisão do que um trabalhador ou um braço robótico convencional.

A utilização militar exige um nível de fiabilidade superior. Uma falha numa fábrica pode interromper uma tarefa, enquanto um erro num campo de batalha pode colocar soldados e civis em perigo.

Autonomia militar levanta questões legais

A utilização de robôs para reconhecimento, transporte de material ou remoção de pessoas feridas não apresenta as mesmas implicações de um sistema capaz de selecionar e atacar alvos.

A China afirma que os sistemas militares permanecerão sob controlo humano. Contudo, os documentos analisados não esclarecem o grau de autonomia previsto para os robôs futuros nem as salvaguardas aplicáveis à utilização de força.

A distinção entre controlo remoto, autonomia de navegação e autonomia letal será determinante. Um robô pode deslocar-se sozinho sem receber autorização para utilizar uma arma. Também pode reconhecer pessoas ou objetos sem decidir se constituem um alvo.

Os projetos documentados mostram uma passagem gradual da investigação civil e industrial para aplicações de defesa. Não demonstram, porém, que soldados humanoides autónomos estejam prestes a entrar em serviço. A evolução dependerá dos progressos na inteligência artificial, nas baterias, na perceção do ambiente e na capacidade de manter controlo humano em condições de combate.

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Tags: chinamissões militaresrobôs humanoides
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Alfredo Beleza

Alfredo Beleza

É o fundador e director editorial do TecheNet. Com carreira internacional como CEO e director comercial e de marketing em empresas em Portugal, na Suíça e no Brasil, desenvolveu uma perspectiva aprofundada sobre a intersecção entre tecnologia, negócios e mercados globais. Com formação em Gestão, Administração e Marketing pela Webster University, na Suíça, criou o TecheNet como um projecto editorial comprometido com o rigor e a imparcialidade da informação tecnológica em língua portuguesa.

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