As remessas de PCs registaram uma queda de 20,1% no terceiro trimestre de 2026, com os envios a recuarem para 62,7 milhões de unidades, segundo os dados preliminares da IDC. O resultado representa a segunda contração homóloga consecutiva e um agravamento face à descida de 3,8% registada no trimestre anterior.

A quebra é particularmente relevante porque as remessas também diminuíram 9,1% em relação ao segundo trimestre. Habitualmente, o período entre julho e setembro beneficia das compras associadas ao regresso às aulas. Desta vez, a antecipação das encomendas durante a primeira metade do ano alterou esse padrão.
Preços elevados e encomendas antecipadas penalizam o mercado
A análise publicada pela IDC a 8 de outubro associa a contração a uma combinação de fatores. Fabricantes e distribuidores anteciparam encomendas para evitar aumentos de preços, sobretudo nos componentes de memória. Essa estratégia concentrou uma parte das remessas nos primeiros meses do ano e deixou os canais de distribuição com inventários elevados.
Ao mesmo tempo, a expansão dos centros de dados de inteligência artificial aumentou a pressão sobre a cadeia de fornecimento de componentes. Os preços mais elevados contribuíram para enfraquecer a procura, enquanto os distribuidores procuraram escoar os computadores recebidos anteriormente.
A IDC admite que o excesso de inventário possa originar campanhas promocionais nos próximos meses. No entanto, a consultora não prevê um regresso dos preços aos níveis registados há um ano.
A relação entre a expansão da IA e o custo dos componentes já tinha sido abordada pelo TecheNet, nomeadamente no artigo sobre a subida dos preços da memória RAM.
Lenovo mantém liderança, mas HP regista a maior queda
Os cinco maiores fabricantes registaram reduções nas remessas, embora com diferenças significativas. A Lenovo manteve a liderança mundial, com 23,8% do mercado, enquanto a HP apresentou a maior contração entre as principais marcas.
| Fabricante | Remessas | Variação homóloga |
|---|---|---|
| Lenovo | 14,9 milhões | -22,6% |
| HP | 10,3 milhões | -30,9% |
| Dell | 7,6 milhões | -25,0% |
| Apple | 5,9 milhões | -11,3% |
| ASUS | 5,5 milhões | -8,6% |
Fonte: IDC Worldwide Quarterly Personal Computing Device Tracker, 8 de outubro de 2026. Valores preliminares e arredondados.
A Lenovo, a HP e a Dell registaram quedas superiores à média do mercado e perderam, em conjunto, 4,2 pontos percentuais de quota. A Apple e a ASUS também reduziram as remessas, mas conseguiram aumentar as respetivas quotas de mercado devido a contrações menos acentuadas.
O desempenho da HP foi particularmente negativo. A fabricante passou de 15 milhões de computadores no terceiro trimestre de 2025 para 10,3 milhões no mesmo período de 2026, o que representa uma redução de 30,9%. A sua quota de mercado diminuiu de 19,1% para 16,5%.
Em contrapartida, a Apple aumentou a sua participação de 8,5% para 9,5%, apesar de ter enviado menos computadores do que no ano anterior. A ASUS registou uma evolução semelhante, com a quota a subir de 7,6% para 8,7%.
IDC antecipa pressão sobre o mercado até 2027
As perspetivas para os próximos trimestres continuam condicionadas pelos preços dos componentes, pelas dificuldades de fornecimento e pela evolução da economia mundial.
A IDC considera que o enfraquecimento das condições macroeconómicas poderá agravar a procura durante o último trimestre de 2026 e prolongar as dificuldades em 2027.
Embora a acumulação de inventário possa levar os distribuidores a lançar campanhas de descontos, a consultora não espera uma descida significativa dos preços. O aumento dos custos dos componentes continua a limitar a capacidade dos fabricantes para oferecer computadores a preços semelhantes aos praticados em 2025.
Importa distinguir as remessas das vendas efetivas aos consumidores. Os dados da IDC contabilizam os computadores enviados para os canais de distribuição ou diretamente para os clientes finais. Por isso, a descida de 20,1% não corresponde necessariamente a uma redução da mesma dimensão nas compras realizadas pelos consumidores.
O estudo abrange computadores de secretária, portáteis e estações de trabalho, mas exclui tablets e servidores x86. Os resultados são preliminares e poderão ser revistos pela IDC.
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