A Google alargou o acesso ao SynthID Detector, uma ferramenta que permite identificar conteúdos gerados por inteligência artificial através de marcas de água digitais invisíveis. O serviço passa a estar disponível para qualquer utilizador a nível mundial, embora a interface esteja, para já, limitada ao inglês.

A novidade representa uma mudança no acesso à tecnologia. O SynthID Detector foi apresentado em maio de 2025, mas a utilização inicial ficou limitada a jornalistas, investigadores e outros profissionais. A abertura ao público permite agora verificar conteúdos produzidos com ferramentas de IA da Google e de empresas parceiras, entre as quais a OpenAI, a NVIDIA e a Kakao.
Como funciona o SynthID Detector
O SynthID utiliza marcas de água digitais incorporadas diretamente nos conteúdos gerados por IA. Estes sinais não são percetíveis pelo utilizador, mas podem ser identificados por sistemas de verificação compatíveis.
O utilizador pode carregar uma imagem, um vídeo ou um ficheiro de áudio no portal de verificação. A ferramenta analisa o conteúdo à procura de marcas SynthID e apresenta os resultados. Em determinados casos, consegue também identificar as partes do ficheiro onde foram encontrados esses sinais.
Ao contrário dos sistemas que procuram identificar conteúdos sintéticos através de características visuais ou sonoras, o SynthID depende de marcas introduzidas durante o processo de geração.
Esta diferença é importante. A deteção de uma marca de água fornece informação sobre a origem tecnológica do conteúdo, mas a sua ausência não permite concluir que uma imagem, um vídeo ou uma gravação são autênticos.
OpenAI e NVIDIA integram o ecossistema SynthID
A expansão não se limita às ferramentas da Google. Segundo o artigo publicado no blogue oficial português, o SynthID Detector permite verificar conteúdos produzidos com tecnologias de parceiros como a OpenAI, a NVIDIA e a Kakao. A Apple deverá também integrar este ecossistema, embora a Google não tenha indicado uma data concreta.
A colaboração entre empresas tem relevância para a eficácia das ferramentas de identificação. Quanto mais fornecedores incorporarem marcas de água compatíveis nos seus sistemas, maior será o universo de conteúdos que podem ser verificados.
A Google afirma que já aplicou a tecnologia a mais de 180 mil milhões de imagens e vídeos, além de conteúdos de áudio cuja duração acumulada equivale a 240 mil anos.
Estes valores mostram a escala de utilização comunicada pela empresa, mas não representam o número de conteúdos identificados pelo público ou sujeitos a verificações independentes.
Identificar conteúdos de IA continua a ter limitações
A disponibilização pública do SynthID Detector não resolve todos os problemas associados à identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial.
A ferramenta depende da presença de marcas digitais compatíveis. Um conteúdo criado por um sistema que não utilize SynthID poderá não ser identificado, mesmo que tenha sido integralmente produzido por IA.
Também não permite determinar, por si só, se a informação apresentada num conteúdo é verdadeira ou falsa. Uma imagem gerada por IA pode representar uma situação real, enquanto uma fotografia autêntica pode ser utilizada fora do seu contexto original.
A Google tem procurado complementar estas verificações através das credenciais de conteúdo C2PA, que permitem registar informações sobre a origem e as alterações efetuadas em ficheiros digitais.
A evolução destas ferramentas já tinha sido abordada pelo TecheNet quando o Gemini passou a identificar vídeos criados por IA, em dezembro de 2025. A principal diferença está agora na disponibilização de um portal próprio, acessível fora da aplicação Gemini.
Segundo a Google, as funcionalidades de verificação integradas na Pesquisa, no Gemini e no Chrome processam regularmente mais de um milhão de pedidos por dia. A empresa não revelou quantos utilizadores deverão recorrer ao portal autónomo nem apresentou uma previsão para a disponibilização da interface em português.
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