O TAG Heuer Connected Calibre E5 representa uma mudança importante na estratégia digital da fabricante suíça. A geração apresentada em 2025 abandonou o Wear OS da Google e passou a utilizar o TAG Heuer OS, um sistema operativo próprio, ao mesmo tempo que recebeu certificação Made for iPhone (MFi) da Apple.

A alteração dá à TAG Heuer maior controlo sobre o software e melhora a integração com o iPhone, mas também tem consequências. O Calibre E5 deixou de ter acesso à Google Play Store, não permite instalar aplicações de terceiros e perdeu o suporte para pagamentos contactless através do Google Wallet.
A TAG Heuer apresenta o TAG Heuer OS como uma plataforma desenvolvida internamente e concebida especificamente para os seus relógios. A empresa mantém, contudo, a compatibilidade com Android e iOS através da aplicação TAG Heuer Connected.
TAG Heuer OS substitui o Wear OS
A mudança rompe com uma relação que acompanhava a linha Connected desde a primeira geração, lançada em 2015. Os modelos anteriores utilizaram Android Wear e, posteriormente, Wear OS.
O próprio TecheNet acompanhou essa evolução quando apresentou o TAG Heuer Connected Calibre E4, lançado com Wear OS e acesso ao ecossistema de aplicações da Google.
No Calibre E5, a TAG Heuer optou por controlar diretamente a interface, atualizações e aplicações disponíveis. Segundo a documentação de suporte da empresa, todas as aplicações são agora instaladas e geridas pela própria TAG Heuer.
A decisão reduz a dependência da Google, mas também restringe a capacidade de expandir as funcionalidades do relógio através de aplicações externas.
Certificação Made for iPhone reforça ligação ao iOS
Uma das principais consequências da mudança é a maior integração com os equipamentos da Apple. O Calibre E5 tem certificação Made for iPhone, ou MFi.
A certificação permite, entre outras funções, partilhar automaticamente as credenciais da rede Wi-Fi do iPhone com o relógio. A TAG Heuer refere também melhorias no processo de emparelhamento e sincronização.
O relógio é compatível com iOS 18 ou posterior e Android 13 ou posterior, segundo a TAG Heuer.
A aposta no iPhone não é indiferente ao perfil dos clientes da marca. Durante a apresentação do relógio, a TAG Heuer indicou à imprensa especializada que cerca de 70% dos utilizadores da sua linha Connected utilizam iPhone.
Sem Google Play Store e pagamentos contactless
O controlo integral do software implica algumas perdas face ao Wear OS.
A TAG Heuer confirma que o Calibre E5 não permite instalar aplicações através de uma loja. O relógio utiliza apenas as aplicações disponibilizadas pela fabricante, entre as quais se encontram as ferramentas dedicadas à atividade física, corrida, golfe e bem-estar.
Os pagamentos contactless também desapareceram. A documentação oficial da TAG Heuer indica que o Calibre E5 não suporta Google Wallet, independentemente de estar ligado a um telemóvel Android ou a um iPhone. Os modelos E2 e E3 tinham suporte para esta função, enquanto o E4 mantinha-a quando utilizado com Android.
O assistente de voz funciona de forma diferente. Um toque prolongado no botão inferior do relógio ativa o assistente configurado no telemóvel, que pode ser o Siri ou o Google Assistant.
Duas dimensões e Snapdragon Wear 5100+
O TAG Heuer Connected Calibre E5 está disponível em versões de 40 mm e 45 mm. Ambas utilizam ecrãs OLED protegidos por vidro de safira e o chipset Qualcomm Snapdragon Wear 5100+.
O modelo de 45 mm tem um ecrã de 1,39 polegadas com resolução de 454 × 454 píxeis, bateria de 419 mAh e autonomia anunciada até três dias em modo de baixo consumo. A TAG Heuer indica até 17 horas de utilização contínua do GPS durante corrida.
A versão de 40 mm utiliza um painel OLED de 1,2 polegadas com resolução de 390 × 390 píxeis e uma bateria de 300 mAh. A autonomia indicada pela fabricante é de um dia e meio em utilização normal ou até dois dias em modo de baixo consumo.
Nos dois modelos, a resistência à água é de 50 metros. O conjunto de sensores inclui monitor de frequência cardíaca, acelerómetro, giroscópio, altímetro e bússola. Há ainda GNSS e Bluetooth 5.3.
Corrida, sono e golfe continuam no centro da plataforma
Apesar da redução do ecossistema de aplicações, a TAG Heuer manteve o foco no acompanhamento de atividade física.
O Calibre E5 inclui monitorização da frequência cardíaca, atividade diária e sono, com métricas como SpO₂, frequência respiratória e variabilidade da frequência cardíaca. O GPS de dupla frequência procura melhorar a precisão durante atividades ao ar livre.


A corrida recebe planos de treino desenvolvidos em colaboração com a New Balance, enquanto a aplicação TAG Heuer Golf continua integrada diretamente no relógio.
Esta abordagem aproxima o Calibre E5 de outros smartwatches que utilizam sistemas operativos próprios. Em troca de maior controlo sobre autonomia, interface e integração de hardware, o utilizador fica dependente das funcionalidades que a própria fabricante decide disponibilizar.
TAG Heuer Connected Calibre E5 custa a partir de 1.750 euros
A coleção está disponível no site português da TAG Heuer. Em setembro de 2026, as versões convencionais de 45 mm surgem com preços a partir de 1.750 euros, enquanto algumas configurações em titânio atingem 2.550 euros.
Existem ainda edições específicas, entre as quais a Golf Edition e a versão desenvolvida em colaboração com a TaylorMade, ambas apresentadas com preços de 2.550 euros no mercado português.
A mudança para o TAG Heuer OS torna o Calibre E5 um produto bastante diferente do seu antecessor. A plataforma própria oferece maior integração com o ecossistema da marca e com o iPhone, mas troca a abertura do Wear OS por um ambiente mais controlado, sem loja de aplicações e, pelo menos atualmente, sem pagamentos contactless.
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