Um smartphone comprometido pode apresentar comportamentos estranhos, mas lentidão, aquecimento ou uma bateria que dura menos não provam, por si só, que exista malware ou acesso não autorizado. Muitos destes sintomas também aparecem devido a aplicações mal otimizadas, atualizações do sistema, desgaste da bateria ou utilização mais intensa.

O importante é procurar vários sinais em conjunto e, sobretudo, verificar aquilo que pode ser confirmado. Aplicações desconhecidas, permissões que não reconhece, sessões abertas noutros dispositivos ou alertas de segurança merecem muito mais atenção do que uma simples quebra de desempenho.
Smartphone comprometido ou simples problema de software?
Antes de assumir que alguém controla o telemóvel, convém separar sintomas técnicos de sinais concretos de intrusão.
Um equipamento que aquece durante uma atualização, uma sessão de jogos ou uma cópia de segurança na cloud pode estar a funcionar normalmente. O mesmo acontece com um consumo elevado de bateria provocado por aplicações legítimas que trabalham intensamente em segundo plano.
A suspeita torna-se mais relevante quando existem alterações que o utilizador não consegue explicar, como aplicações que não instalou, novas permissões, definições de segurança modificadas, sessões desconhecidas ou alertas sobre software potencialmente prejudicial.
No Android, o Google Play Protect verifica aplicações instaladas através da Play Store e de outras fontes, pode alertar para aplicações potencialmente prejudiciais e, em alguns casos, desativá-las ou removê-las. A Google explica estas funções no seu guia sobre Google Play Protect.
1. Existem aplicações que não reconhece
Uma aplicação desconhecida merece investigação, sobretudo se tiver acesso ao microfone, localização, SMS, notificações ou serviços de acessibilidade.
Nem todas as aplicações que não reconhece são maliciosas. Fabricantes e operadores podem instalar componentes do sistema com nomes pouco familiares. Por isso, não elimine uma aplicação apenas porque o nome lhe parece estranho.
Verifique primeiro de onde veio, quais as permissões que possui e se corresponde a um serviço legítimo do sistema.
A atenção deve ser maior quando uma aplicação foi instalada fora da loja oficial ou quando possui permissões muito superiores à função que aparenta desempenhar.
2. As permissões mudaram sem explicação
Malware para dispositivos móveis procura frequentemente permissões que permitem ler notificações, aceder a mensagens, controlar o ecrã ou utilizar serviços de acessibilidade.
Se uma aplicação que antes não tinha acesso ao microfone, câmara ou localização passar a tê-lo sem uma decisão consciente do utilizador, vale a pena investigar.
O TecheNet já analisou este risco no artigo sobre permissões concedidas a aplicações no smartphone, onde explicámos por que razão serviços de acessibilidade, microfone e localização podem ter particular impacto na segurança e privacidade.
No Android, o Painel de privacidade permite rever o acesso recente a permissões sensíveis. No iPhone, as definições de Privacidade e segurança cumprem uma função semelhante.
3. O consumo de dados aumentou sem razão aparente
Uma aplicação maliciosa pode comunicar com servidores externos, enviar informação ou receber instruções.
Isso pode refletir-se no consumo de dados móveis, embora um aumento isolado não seja prova de comprometimento.
Atualizações automáticas, streaming, sincronização de fotografias ou aplicações de redes sociais também podem consumir grandes quantidades de dados.
O que deve procurar é uma discrepância clara entre a utilização normal e aquilo que aparece nas estatísticas do sistema.
Se uma aplicação que raramente utiliza surgir entre as que mais dados transferem, investigue as permissões, atividade em segundo plano e origem da aplicação.
4. A bateria acaba muito mais depressa
Malware ativo em segundo plano pode aumentar o consumo de energia, mas este é um dos sinais mais fáceis de interpretar mal.
Baterias envelhecem. Atualizações podem alterar temporariamente o consumo e aplicações legítimas podem manter GPS, Bluetooth ou processamento em segundo plano.
Por isso, uma redução da autonomia apenas deve levantar suspeitas quando coincide com outros comportamentos invulgares.
Consulte a área de utilização da bateria e verifique quais as aplicações responsáveis pelo consumo. Uma aplicação desconhecida ou que consome energia de forma desproporcionada merece uma análise mais detalhada.
5. Surgem pop-ups, redirecionamentos ou alterações que não fez
Publicidade inesperada fora do navegador, páginas que abrem sozinhas ou alterações persistentes ao navegador podem indicar adware, aplicações potencialmente indesejadas ou outro software problemático.
Também deve prestar atenção a novas aplicações configuradas como predefinidas, alterações no navegador, VPNs que não instalou ou perfis de configuração desconhecidos.
No iPhone, a Apple disponibiliza a funcionalidade Verificação de segurança, que permite rever dispositivos associados à conta, permissões de aplicações, partilha de informação e outras definições importantes. A ferramenta encontra-se em Definições > Privacidade e segurança > Verificação de segurança, conforme explica a Apple no seu guia oficial.
Uma configuração desconhecida não significa automaticamente que exista malware, mas deve ser explicável.
6. Existem sessões ou dispositivos que não reconhece
Por vezes, o smartphone está seguro e o problema encontra-se na conta.
Uma palavra-passe comprometida pode permitir que outra pessoa aceda ao e-mail, fotografias, documentos ou outros serviços sem instalar qualquer malware no telemóvel.
Esta distinção é importante porque restaurar o smartphone não resolve uma conta já comprometida.
Na Conta Google, pode consultar os dispositivos e sessões que têm ou tiveram acesso recentemente. A Google permite rever esta informação e terminar sessões desconhecidas através da área Os seus dispositivos, conforme explica na documentação sobre dispositivos com acesso à conta.
Se encontrar um equipamento ou sessão que não reconhece, altere a palavra-passe e reveja também os eventos de segurança recentes.
7. Recebe alertas de segurança que não consegue explicar
Alertas sobre novos inícios de sessão, alterações de palavra-passe, mudanças nas informações de recuperação ou aplicações potencialmente perigosas não devem ser ignorados.
Um alerta isolado pode resultar de uma ação legítima que não recorda imediatamente, mas deve confirmar a origem.
A Google recomenda rever imediatamente eventos de segurança e dispositivos desconhecidos quando existem indícios de que outra pessoa possa estar a utilizar a conta. A empresa detalha os passos no seu guia para proteger uma Conta Google comprometida.
Não utilize ligações recebidas por mensagens suspeitas para fazer esta verificação. Entre diretamente na aplicação ou no site oficial do serviço.
O que fazer se vários sinais coincidirem
Quando apenas existe lentidão ou consumo elevado de bateria, comece pelas causas mais comuns. Reinicie o equipamento, instale atualizações e reveja as aplicações que mais recursos utilizam.
Se existirem aplicações desconhecidas, permissões suspeitas ou alertas de segurança, a abordagem deve ser mais rigorosa.
No Android, execute uma verificação através do Play Protect e remova aplicações cuja origem não consiga confirmar. Reveja também permissões sensíveis e aplicações com acesso a serviços de acessibilidade, administração do dispositivo ou instalação de software.
Nas contas associadas ao equipamento, termine sessões desconhecidas e altere palavras-passe que possam ter sido comprometidas. Ative autenticação forte, de preferência com passkeys ou outro método resistente a phishing quando disponível.
O artigo recente do TecheNet sobre definições do Android que deve verificar num smartphone novo explica onde encontrar várias das opções de segurança, proteção contra roubo, permissões e Play Protect que também são úteis nesta situação.
Quando deve considerar uma reposição de fábrica
Uma reposição de fábrica não deve ser o primeiro passo apenas porque o smartphone está lento.
Pode, contudo, fazer sentido quando existe forte suspeita de software malicioso e as medidas anteriores não permitem identificar ou remover o problema.
Antes de avançar, faça uma cópia dos ficheiros pessoais importantes, mas evite restaurar automaticamente aplicações cuja origem seja duvidosa.
Depois da reposição, instale primeiro as atualizações do sistema e apenas as aplicações de que realmente precisa, através das lojas oficiais.
Uma reposição também não resolve uma conta comprometida. Se alguém tiver acesso ao seu e-mail ou Conta Google, é necessário proteger essa conta separadamente.
Nem todos os sinais significam que o smartphone foi atacado
Aquecimento, bateria fraca, lentidão e consumo de dados são frequentemente apresentados como provas de que um smartphone foi pirateado. Na realidade, são apenas sintomas possíveis e têm muitas explicações legítimas.
Os sinais mais relevantes são aqueles que podem ser confirmados, como aplicações que não instalou, permissões alteradas, sessões desconhecidas, mudanças nas definições de segurança ou alertas emitidos pelo próprio sistema.
Se suspeitar de um smartphone comprometido, procure primeiro essas evidências concretas. Quanto mais sinais independentes coincidirem, maior é a razão para investigar e proteger tanto o dispositivo como as contas associadas.
Outros artigos interessantes:




