Volvo Cars e NVIDIA anunciaram uma nova etapa no desenvolvimento de sistemas de condução automatizada, com recurso a inteligência artificial (IA). A tecnologia destina-se aos futuros automóveis da marca sueca e tem como objetivo permitir a realização de percursos completos, desde a origem até ao destino, em ambientes tão diferentes como autoestradas, ruas urbanas movimentadas e parques de estacionamento.

A novidade está na integração de uma arquitetura que combina sensores, capacidade de processamento e software de IA para aumentar as tarefas que o automóvel poderá executar sem intervenção humana. O projeto prevê também a introdução gradual de funcionalidades que dispensam a atenção visual e contínua do condutor, embora ainda não exista uma data confirmada para a sua disponibilização.
O projeto reúne três tecnologias da NVIDIA, a arquitetura Hyperion, o sistema operativo Halos OS e o software de condução Alpamayo Stack. A Volvo Cars pretende combinar estas ferramentas com os seus sistemas de segurança e a experiência acumulada no desenvolvimento de automóveis.
NVIDIA Hyperion combina sensores e inteligência artificial
A arquitetura NVIDIA Hyperion constitui a base tecnológica do projeto. A plataforma reúne sensores e recursos de processamento destinados a recolher e interpretar informação sobre o ambiente envolvente.
Esta capacidade é necessária para que um automóvel automatizado consiga identificar outros veículos, peões, obstáculos e alterações nas condições de circulação. O desafio torna-se mais complexo quando o sistema precisa de interpretar situações de trânsito e tomar decisões perante acontecimentos inesperados.
Segundo o anúncio oficial da Volvo Cars, a arquitetura será complementada pelo Alpamayo Stack, um conjunto de componentes de software destinado ao desenvolvimento de sistemas de condução automatizada.
O Halos OS acrescenta uma componente de segurança à plataforma, com o objetivo de apoiar o funcionamento dos sistemas automatizados. A integração destas tecnologias procura criar uma base comum para desenvolver funções de condução mais avançadas, sem limitar a automatização à circulação em autoestrada.
A Volvo Cars afirma que a combinação das novas ferramentas com os seus sistemas de segurança permitirá desenvolver automóveis capazes de lidar com situações rodoviárias mais complexas. Trata-se, contudo, de uma capacidade prevista para futuros modelos, cujo desempenho ainda não foi demonstrado através de resultados de testes independentes divulgados pelas empresas.
Volvo Cars prepara condução sem supervisão contínua
Um dos objetivos da colaboração é a introdução gradual de funcionalidades identificadas pelas expressões eyes-off e mind-off.
A primeira refere-se à possibilidade de o condutor deixar de acompanhar visualmente a estrada durante determinadas situações de condução automatizada. A segunda pressupõe um nível superior de automatização, no qual o sistema assume a tarefa de condução sem exigir a atenção contínua do condutor, dentro das condições para as quais foi concebido.
Estas capacidades distinguem-se dos atuais sistemas de assistência à condução, que podem controlar a direção, a aceleração e a travagem, mas continuam a exigir supervisão humana.
A diferença é relevante porque um sistema capaz de manter a velocidade e a trajetória de um automóvel não está necessariamente preparado para responder de forma autónoma a todas as situações que possam surgir durante um percurso.
A Volvo Cars ainda não esclareceu quais serão as condições operacionais das futuras funcionalidades, nem confirmou os níveis de automatização que pretende disponibilizar em cada fase.
As referências a eyes-off e mind-off representam, por isso, objetivos de desenvolvimento e não a confirmação de que os próximos modelos poderão circular sem supervisão humana em qualquer estrada ou situação.
A colaboração entre a Volvo Cars e a NVIDIA começou em 2017
A integração das novas tecnologias dá continuidade a uma estratégia que a Volvo Cars desenvolve há vários anos, assente numa arquitetura informática centralizada e na utilização crescente de software para controlar diferentes funções do veículo.
Como o TecheNet noticiou em setembro de 2024, a empresa já tinha anunciado planos para utilizar o processador NVIDIA DRIVE Thor nos futuros modelos, além da infraestrutura DGX para desenvolver e testar sistemas de inteligência artificial.
O Volvo EX90 utiliza uma arquitetura de processamento centralizado baseada no NVIDIA DRIVE Orin, responsável por suportar diferentes funções digitais, de segurança e assistência à condução.
Esta abordagem faz parte da transição para os chamados software-defined cars, automóveis cujas funcionalidades dependem cada vez mais do software e podem evoluir através de atualizações.
A colaboração, iniciada em 2017, passa agora a abranger uma integração mais alargada de sensores, processamento e software de condução automatizada.
A diferença face aos anúncios anteriores não está apenas no aumento da capacidade de processamento. A integração das tecnologias Hyperion, Halos OS e Alpamayo Stack procura fornecer os recursos necessários para interpretar ambientes rodoviários mais complexos e executar tarefas de condução com menor intervenção do condutor.
Nova tecnologia estreia-se num futuro automóvel Volvo
A Volvo Cars confirmou que a tecnologia fará a sua estreia num automóvel de próxima geração, no âmbito do plano de renovação e expansão da sua gama.
A empresa ainda não identificou o primeiro modelo que receberá a nova arquitetura, nem anunciou uma data concreta para a disponibilização comercial das funcionalidades previstas.
Também não esclareceu se todas as capacidades de condução automatizada estarão disponíveis desde o lançamento ou se serão introduzidas posteriormente através de atualizações de software.
A disponibilidade em Portugal permanece por confirmar. A introdução de sistemas que dispensam a supervisão contínua do condutor dependerá da validação tecnológica, das condições de utilização e dos requisitos regulamentares aplicáveis em cada mercado.
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