A Google apresentou o Gemini 4 Carbon, um novo modelo de inteligência artificial desenvolvido para programação, engenharia de software e cibersegurança. O sistema foi concebido para identificar vulnerabilidades, avaliar a possibilidade de exploração de falhas e produzir correções de código, mas o acesso inicial ficará limitado a equipas selecionadas de defesa informática.
A apresentação ocorre após a disponibilização mais alargada do Gemini 4 Argon, a 13 de outubro. A principal diferença está nas capacidades de cibersegurança, uma área em que a Google afirma ter conseguido melhorias substanciais, tanto na identificação de falhas como na produção de código seguro.

Gemini 4 Carbon melhora a deteção e correção de vulnerabilidades
Segundo os resultados apresentados pela Google, o Gemini 4 Carbon conseguiu mais do dobro da taxa de sucesso do Argon na produção de código seguro, em avaliações internas.
A empresa divulgou também resultados de três testes especializados.
| Teste | Resultado | Capacidade avaliada |
|---|---|---|
| SEC-bench Pro | 88,2% | Identificação de vulnerabilidades |
| ExploitGym | 54,8% | Exploração de falhas |
| CWE-bench | 71,0% | Correção de vulnerabilidades |
Estes resultados foram comunicados pela Google a partir de testes que incluem benchmarks externos. Não representam, por si só, uma validação independente de todas as capacidades anunciadas, nem permitem concluir que o modelo terá o mesmo desempenho em ambientes empresariais reais.
O Carbon foi também concebido para executar tarefas de engenharia de software durante períodos prolongados. A Google afirma que, em experiências internas, o modelo conseguiu trabalhar durante vários dias na análise de problemas complexos, com recurso a ferramentas e sucessivas etapas de investigação.
Esta capacidade poderá ser particularmente relevante na manutenção de grandes projetos de software, nos quais identificar a origem de uma vulnerabilidade exige analisar diferentes componentes e compreender as relações entre eles.
Google restringe o acesso às capacidades de cibersegurança
A possibilidade de utilizar inteligência artificial para identificar e explorar vulnerabilidades coloca um problema de segurança. As mesmas capacidades que ajudam uma equipa a corrigir falhas podem ser utilizadas por atacantes para encontrar sistemas vulneráveis.
Por esse motivo, a Google decidiu disponibilizar inicialmente o Gemini 4 Carbon apenas a um grupo selecionado de profissionais de cibersegurança.
O acesso será posteriormente alargado através do programa Fairwind, criado para permitir que organizações governamentais, operadores de infraestruturas críticas e parceiros de confiança utilizem modelos avançados em operações defensivas.
A empresa afirma ainda que participa num processo voluntário de avaliação de segurança conduzido pelo Governo dos Estados Unidos, antes de disponibilizar o modelo de forma mais abrangente.
A distribuição limitada não constitui uma novidade absoluta. A Google adotou uma estratégia semelhante com o Gemini 4 Argon, inicialmente reservado a equipas de defesa e posteriormente disponibilizado a outros utilizadores.
A diferença está nas capacidades anunciadas para o Carbon e no potencial de automatização de tarefas que anteriormente exigiam intervenção humana especializada.
Melhorias na resistência a ataques e na fiabilidade
Além das capacidades de programação e cibersegurança, a Google apresentou resultados relacionados com a fiabilidade do Gemini 4 Carbon.
Nos testes internos, o modelo terá reduzido aproximadamente para metade as afirmações sem fundamento, em comparação com o Argon. A empresa refere ainda melhorias no cumprimento das instruções e na execução de tarefas sem ultrapassar os limites definidos pelo utilizador.
Outro resultado diz respeito aos ataques de prompt injection, que procuram manipular um sistema de IA através de instruções maliciosas inseridas em conteúdos que o modelo consulta.
Segundo a Google, o Carbon registou uma taxa de sucesso dos ataques de 0% no benchmark Gray Swan Indirect Prompt Injection. O resultado significa que resistiu às tentativas incluídas nessa avaliação, mas não demonstra imunidade perante todas as técnicas de ataque.
Estas melhorias são relevantes para sistemas de IA que executam tarefas autonomamente e utilizam ferramentas externas, uma vez que um erro de interpretação ou uma instrução maliciosa pode desencadear ações não autorizadas.
Preços anunciados e disponibilidade
A Google anunciou que o Gemini 4 Carbon terá o mesmo preço introdutório do Argon.
| Utilização | Preço introdutório | Preço posterior |
|---|---|---|
| 1 milhão de tokens de entrada | 2 dólares | 4 dólares |
| 1 milhão de tokens de saída | 10 dólares | 20 dólares |
Os tokens de entrada em cache terão um desconto de 95% sobre o preço de entrada correspondente.
A empresa não indicou quando terminará o período promocional do Carbon, nem anunciou uma data para a disponibilização geral através das suas plataformas.
Para já, o acesso permanece reservado a equipas selecionadas de cibersegurança. A Google prevê alargar posteriormente a disponibilidade a programadores, empresas e consumidores, mas não apresentou um calendário.
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