Vestiu-se de poesia, quis ser desassossego… E foi!

“Para compreender, destruí-me. Compreender é esquecer de amar. Nada conheço mais ao mesmo tempo falso e significativo que aquele dito de Leonardo da Vinci de que se não pode amar ou odiar uma coisa senão depois de compreendê-la.” *

Já lá ia muito tempo desde a última vez que se perdera entre uma página e outra do seu livro favorito. Era demasiado tempo, é certo. Mas naquela tarde ensolarada, típico dia primaveril, fora tomada de assalto pela recordação de um trecho dos escritos do Pessoa. “Desassossego não combinada com dias assim”, disse a si mesma, enquanto dava seguimento à aventura do dia.

Parou na primeira esplanada capaz de atrair o seu instinto. Bebeu mais um chá, enquanto apreciava os raios de sol a dourar a sua pele. Sentiu a alma revigorada, pronta para os próximos devaneios. Quis, mesmo que por breves instantes, ser musa, resplandecer inspiração. Pegou papel e caneta. Vestiu-se de poesia. Quis ser Desassossego.

[Sou livro.
Daqueles que a cada [re]leitura
percebe-se novas figuras de linguagem
personalidades atraentes
dos mais diversos personagens.
Sou livro.
Daqueles de capa dura
e muitas, muitas, muitas páginas
onde mora a liberdade de ser-se
conforme os próprios desejos
e [re]nascer.
Sou livro.
Sou livre!]

E como se nada fosse, depois de se deixar levar pelas tantas pessoas que também sabe que é, pegou nas suas coisas e deu seguimento à sua jornada. Ainda tinha consigo muitas páginas em branco e sua tarefa era simples: preenchê-las todas!

*in Livro do Desassossego de Fernando Pessoa

CAssis, a Menina Digital

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Cláudia Assis
Jornalista, Assessora de Comunicação e Gestora de Marcas nas redes sociais, Cláudia Assis tenta definir a si mesma como "uma menina multitask". Aquariana [logo vanguardista!] e nômade por natureza, viu a sua vida ser conduzida numa viagem transatlântica rumo a Portugal. O objetivo inicial era um mestrado em Ciências da Comunicação mas, desde então, vive num enamoramento constante com a terra de Pessoa. E, assim como o poeta, ela é também muitas "pessoas". CAssis é uma delas [talvez a mais intensa] e que nada mais é que uma versão 2.0 de si mesma, um alter-ego nas redes sociais. O que “ambas” têm em comum? Falam muito. Sobre tudo e todos. Têm sempre uma opinião a dar.

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