Impactos de asteroides podem ter criado ingredientes da vida

Sistema de Laser Asterix em Praga, República Tcheca. Cientistas operaram o laser para recriar o evento do impacto de uma rocha espacial na Terra primordial, evento que pode ter criado os blocos de construção do DNA e do RNA, a arquitetura da vida. Crédito: AP Photo/Dagmar Civisova
Sistema de Laser Asterix em Praga, República Tcheca. Cientistas operaram o laser para recriar o evento do impacto de uma rocha espacial na Terra primordial, evento que pode ter criado os blocos de construção do DNA, a arquitetura da vida. Crédito: AP Photo/Dagmar Civisova




Cientistas utilizaram um poderoso laser para recriar as condições que, acredita-se, existiam na Terra quando a vida surgiu, há cerca de 4 bilhões (mil milhões) de anos. Os resultados propõem que a energia envolvida no impacto de um asteroide possa ter gerado a faísca de ignição da biologia, criando compostos orgânicos nos quais se baseiam DNA e RNA a partir de moléculas encontradas nos primórdios do planeta.

Em um laboratório situado em Praga, capital da República Tcheca, o grupo de pesquisadores liderado pelo Prof. Svatopluk Civiš, do Instituto Heyrovský de Química Física, disparou o laser Asterix contra uma solução de formamida — substância composta pelos elementos carbono, oxigênio, nitrogênio e hidrogênio, essenciais para a vida como a conhecemos. O procedimento deu origem às bases nitrogenadas (blocos de construção genéticos) adenina, guanina, citosina e uracila, sendo as três primeiras comuns ao DNA e ao RNA (a uracila é exclusiva ao RNA).

Diversas pesquisas buscam identificar formas através das quais substâncias mais simples podem produzir as bases nitrogenadas acima, o que ajudaria os cientistas a descobrir sob que circunstâncias ambientais a vida pode ter se originado, argumenta Civiš. De fato, outros estudos produziram as mesmas bases por meio de reações químicas, por exemplo. O pesquisador explica que a formamida teria sido uma substância abundante na Terra quando do surgimento da vida e que, portanto, ela seria uma provável fonte de bases nitrogenadas.

Bombardeio

Com pulsos de laser — de um terço de nanossegundo de duração —, a equipe de Civiš levou a solução de formamida, que também continha barro (mistura representativa de um ambiente rico em água e substâncias orgânicas), a temperaturas máximas superiores a 4.200oC. A radiação emitida pelo pulso também imitou as condições esperadas para um impacto da magnitude do provocado por um asteroide.

Além das bases nitrogenadas, a ação do laser também produziu “radicais livres” de carbono e nitrogênio (CN) e de nitrogênio e hidrogênio (NH), substâncias químicas altamente reativas que podem ter transformado a própria formamida nas bases nitrogenadas.

Colisões como a simulada no experimento teriam sido comuns durante o Intenso Bombardeio Tardio, evento ocorrido entre 3,85 e 4 bilhões de anos atrás. Durante o bombardeio, grandes objetos atingiram os planetas rochosos do centro do Sistema Solar, quais sejam Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

As conclusões do estudo de Civiš, publicadas em 08 de dezembro no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, sugerem que o bombardeio tenha proporcionado os ingredientes necessários para a vida, que se somaram às condições ambientais da Terra:

“A emergência da vida terrestre não é resultado de um acidente, mas consequência direta das condições na Terra primordial e seus arredores”, escreveram no artigo os pesquisadores.

Artigo anteriorPróximo artigo
é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e trabalha como consultor financeiro na Valore Brasil - Controladoria de Resultados. Atualmente, cursa o MBA em Controladoria e Finanças na Universidade de São Paulo (USP). Entusiasta da razão e da ciência, fundou o espaço de divulgação científica Make It Clear Brasil, em 2013.

1 Comentário

  1. É fato que: A cada dia , apesar dos esforços de vários cientistas renomados a coisa se torna mais e mais nebulosa e sombria; não é por esse caminho que traremos alguma luz a esse enigma que pra mim está sendo tratado de forma bastante equivocada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.