A espera de anos por um iPhone dobrável parece estar finalmente a chegar ao fim, mas se pensas que vais entrar numa loja em setembro e sair de lá com o novo iPhone Ultra no bolso, é melhor moderares as tuas expectativas. Embora o calendário da Apple aponte para um lançamento em conjunto com a família iPhone 18, a realidade das linhas de produção sugere que este será um dos dispositivos mais difíceis de encontrar de que há memória. Comprar o iPhone Ultra no lançamento vai ser uma missão quase impossível para a maioria dos mortais, transformando-se num autêntico teste de paciência para os entusiastas da marca.
O percurso até ao anúncio oficial tem sido marcado por uma montanha-russa de rumores. Recentemente, a Nikkei Asia lançou o pânico nos mercados ao sugerir que problemas graves na produção poderiam atirar o lançamento do dobrável para 2027, o que fez as ações da Apple cair mais de 5%. No entanto, Mark Gurman, da Bloomberg, veio repor alguma calma — ou talvez ansiedade — ao garantir que o iPhone Ultra continua no bom caminho para setembro.

O problema não reside na data da apresentação, mas sim no que acontece no dia seguinte. Gurman avisa que a complexidade extrema do novo ecrã e dos materiais utilizados vai limitar severamente o stock durante várias semanas após o lançamento. Por outras palavras, a Apple pode até anunciar o dispositivo ao lado do iPhone 18 Pro, mas a disponibilidade real será uma fração do que a marca costuma oferecer.
O desafio técnico por trás do ecrã quase sem vinco
Mas por que motivo é que a Apple está a ter tanta dificuldade em fabricar unidades suficientes? A resposta está na engenharia do ecrã. Ao contrário de um modelo convencional, o iPhone Ultra exige um painel OLED flexível fornecido pela Samsung que utiliza múltiplas camadas especializadas para garantir durabilidade e, acima de tudo, um aspeto visual impecável.
A marca de Cupertino é conhecida por ser perfeccionista e, alegadamente, exigiu um painel que seja praticamente isento de vinco, algo que tem sido o calcanhar de Aquiles da concorrência. Esta complexidade traduz-se em rendimentos de produção mais baixos: muitas das unidades fabricadas acabam por não passar no rigoroso controlo de qualidade da Apple, o que abranda significativamente o ritmo de saída das fábricas. É um processo de fabrico meticuloso que não permite, para já, a produção em massa desenfreada a que estamos habituados.
Números que não chegam para a procura global
Para teres uma ideia da escala do problema, os analistas apontam para metas de produção bastante conservadoras. Ming-Chi Kuo já tinha antecipado que a escassez se poderia prolongar até 2027, e os dados mais recentes indicam que a Apple está a planear uma tiragem inicial de apenas 7 a 8 milhões de unidades.
Pode parecer muito, mas convém analisar o contexto:
- O iPhone 18 Pro e Pro Max deverão ser produzidos em dezenas de milhões de unidades para o lançamento.
- A procura global por um iPhone dobrável está acumulada há anos.
- Revendedores e colecionadores vão esgotar as primeiras unidades em segundos.
- Tim Long, analista do Barclays, chega mesmo a sugerir que o envio efetivo das encomendas pode só acontecer em dezembro.
O preço da exclusividade num mercado de luxo
Se a dificuldade em encontrar stock não for suficiente para te travar, o preço poderá ser o golpe final. Espera-se que o iPhone Ultra ultrapasse a barreira dos 2.000 euros, posicionando-se não apenas como um smartphone, mas como um objeto de luxo tecnológico. Quem conseguir deitar as mãos a um exemplar nas primeiras semanas terá pago uma pequena fortuna pelo privilégio de ser um “early adopter” desta nova era da Apple.
A estratégia da empresa parece passar por um lançamento controlado, onde o prestígio da escassez ajuda a mascarar as dificuldades técnicas de produzir um dispositivo tão inovador em larga escala. No final de contas, o iPhone Ultra promete ser o maior salto tecnológico da marca na última década, mas a tua melhor ferramenta para o conseguir não será o cartão de crédito, mas sim a rapidez com que clicas no botão de reserva. Se não fores dos primeiros, prepara-te para passar o resto do ano a olhar para o ecrã do teu modelo atual enquanto esperas que o stock normalize.
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