A proibição de redes sociais para menores de 16 anos ganhou um defensor inesperado: Bill Ready, CEO do Pinterest, apelou esta semana aos governos mundiais para que adotem legislação vinculativa que impeça crianças e adolescentes de aceder às principais plataformas digitais. O pedido foi publicado simultaneamente na Time Magazine e no LinkedIn, em março de 2026, numa altura em que um julgamento histórico sobre saúde mental juvenil decorre em Los Angeles. Ready justifica a posição tanto como executivo como enquanto pai.

O CEO do Pinterest contra a corrente do setor
Bill Ready não se limita a assinar um manifesto. O CEO do Pinterest diz claramente o que os seus pares recusam admitir: “As redes sociais, tal como existem, não são seguras para crianças com menos de 16 anos.” A posição isola-o num setor onde empresas como a Meta e a Google continuam a resistir a qualquer forma de proibição, preferindo controlos parentais voluntários e ferramentas de moderação que os críticos consideram insuficientes.
A divergência é pública e assumida. Ready refere-se diretamente aos colegas CEO que classificaram a proibição australiana de “prematura e performativa”, e recusa esse enquadramento. Para o executivo, a inação das plataformas retira-lhes legitimidade para se oporem a uma regulação externa.
O que o Pinterest já fez antes da lei
O Pinterest permite o registo a partir dos 13 anos, o que torna o apelo de Ready passível de escrutínio. A resposta da empresa é concreta: a plataforma já eliminou todas as funcionalidades sociais para utilizadores com menos de 16 anos. Perfis privados, mensagens de desconhecidos, gostos e comentários de terceiros deixaram de estar disponíveis para este grupo etário.
A medida foi implementada de forma unilateral, sem pressão regulatória direta. Ready usa esse facto como argumento para sustentar que a mudança é possível, e que as restantes plataformas a podem adotar se houver vontade política e empresarial para tal.
O modelo australiano como referência
Bill Ready, CEO do Pinterest, aponta a Austrália como o precedente a seguir. A lei australiana, em vigor desde 10 de dezembro de 2025, proíbe menores de 16 anos de criar ou utilizar contas em dez plataformas principais, entre as quais Facebook, Instagram, TikTok, X, YouTube, Snapchat e Reddit. As empresas que não cumpram a legislação ficam sujeitas a coimas até 49,5 milhões de dólares australianos por infração grave ou reiterada.
A experiência é recente e os dados empíricos sobre o seu impacto real no bem-estar dos jovens são ainda escassos. O próprio executivo não apresenta evidência causal direta entre a proibição e a melhoria da saúde mental dos adolescentes, o que deixa em aberto a questão central: a lei funciona?
Pressão judicial e legislativa nos EUA
O apelo de Ready coincide com um julgamento em Los Angeles em que a autora, identificada como K.G.M., alega que as plataformas da Meta e da Google foram deliberadamente concebidas para criar dependência, contribuindo para automutilação e ideação suicida. O caso integra um conjunto de cerca de 1.500 ações de indemnização por danos pessoais com alegações semelhantes.
No plano legislativo, Bill Ready, CEO do Pinterest, apoia o App Store Accountability Act, que obrigaria as lojas de aplicações a verificar a idade dos utilizadores e a restringir o acesso de menores sem consentimento parental. O diploma foi aprovado na Comissão de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, mas enfrenta resistência jurídica ao abrigo da Primeira Emenda.
A pressão regulatória a nível global
| País / Região | Estado da regulação |
|---|---|
| Austrália | Proibição em vigor desde dezembro de 2025 |
| França | Legislação aprovada numa das câmaras do parlamento |
| Reino Unido | Evidências recolhidas pelo Parlamento; decisão pendente |
| União Europeia | Apoio ao limite de 16 anos, sem caráter vinculativo |
| Dinamarca, Noruega, Espanha | Medidas semelhantes em análise |
| EUA | Oito estados com leis aprovadas; vários contestados judicialmente |
O inventor da World Wide Web, Tim Berners-Lee, manifestou o seu desagrado face ao design aditivo de plataformas como o TikTok numa conferência em Barcelona, citando o Pinterest como uma alternativa menos prejudicial. A declaração reforça a narrativa que Ready está a construir, mas não substitui evidência regulatória sólida.
Implicações para o setor
O apelo de Bill Ready, CEO do Pinterest, representa uma rutura com a posição coletiva da indústria tecnológica, mas o seu peso real depende do que se seguir. Se outros executivos adotarem posições semelhantes, o argumento de que a autorregulação é suficiente torna-se progressivamente insustentável perante legisladores. O julgamento de Los Angeles, independentemente do resultado, vai alimentar o debate sobre responsabilidade civil das plataformas por um período prolongado.
A verificação de idade em escala global continua a ser o obstáculo técnico e jurídico mais complexo. Sem um mecanismo robusto e neutro do ponto de vista da privacidade, qualquer proibição corre o risco de ser simbólica.
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