A startup australiana Symex Labs está a desenvolver um biossensor hormonal vestível em formato de patch que se encontra em fase de validação clínica e que, segundo a empresa, poderá substituir as repetidas colheitas de sangue durante tratamentos de fertilização in vitro (FIV), detetando progesterona, estradiol, gonadotrofina coriónica humana (hCG) e hormona luteinizante diretamente no fluido intersticial da pele. A empresa foi fundada pelos alumni da Universidade de Melbourne Edgar Charry e Muhammad Umer, cujas companheiras têm experiência pessoal de infertilidade, e desenvolve o projeto em parceria com a RMIT University, a Universidade de Melbourne e a Monash IVF.

O problema que o biossensor hormonal resolve
Durante um ciclo de FIV, os clínicos precisam de monitorizar com precisão os níveis hormonais para determinar o momento exato da recolha de ovócitos e da transferência de embriões. O processo atual implica múltiplas colheitas de sangue em laboratório. Quando esse momento coincide com um fim de semana, período em que a maioria dos laboratórios está encerrada, os médicos podem ser obrigados a escolher janelas de tratamento subótimas, com impacto direto nas taxas de sucesso.
Como funciona o patch
O dispositivo usa microagulhas microscópicas que penetram a pele e acedem ao fluido intersticial, o líquido entre células que transporta nutrientes e resíduos metabólicos. “As hormonas ligam-se a recetores na superfície do sensor, produzindo um sinal elétrico proporcional à sua concentração”, explicou o co-fundador Edgar Charry. Os dados são transmitidos em tempo real para o sistema de monitorização da clínica, permitindo às equipas de enfermagem acompanhar os resultados remotamente.
A referência ao monitor contínuo de glicose é evocada pelos fundadores como modelo conceptual. “A ideia foi: porque não podemos fazer para a fertilidade o que os monitores de glicose fizeram para a diabetes, onde aliviamos as pessoas de picar o dedo?”, questionou Umer. A lógica subjacente é a mesma: substituir um procedimento invasivo e pontual por uma leitura contínua e não traumática.
Financiamento e parceiros
Estudo clínico e calendário
A Symex Labs conduz o que descreve como o primeiro estudo clínico do género a nível mundial, na Monash IVF, com o objetivo de estabelecer valores de referência das hormonas no fluido intersticial por comparação com amostras de sangue. A equivalência clínica entre os dois métodos é, precisamente, a premissa central ainda por provar. O primeiro estudo piloto em seres humanos está previsto para arrancar nos próximos 12 meses, com comercialização projetada para início de 2028. Mark Green, diretor de investigação da Monash IVF, considerou o biossensor hormonal vestível um potencial “gamechanger” para as mulheres em zonas rurais, que percorrem longas distâncias para colheitas de sangue.
Aplicações além da FIV
A plataforma tecnológica subjacente, desenvolvida na RMIT desde 2018 e com mais de quatro milhões de dólares australianos em financiamento científico captado, vai além da medicina reprodutiva. A startup alega potencial nas áreas do síndrome do ovário poliquístico (SOP), perimenopausa e menopausa, onde o acompanhamento contínuo de hormonas pode substituir o rastreamento baseado em sintomas. Os investigadores exploram ainda aplicações na deteção de risco de insuficiência cardíaca, doença renal crónica e rastreio de cancro em fase inicial.
Fontes do artigo
- RMIT University: “RMIT research opens door to better IVF experience” (22 de março de 2026)
- FemTech World: “Hormone sensor could streamline IVF process” (10 de março de 2026)
- Mirage News: “New Hormone Sensor Developed To Streamline IVF Process” (9 de março de 2026)
- The West: “Melbourne-based Symex Labs to enhance fertility outcomes with wearable hormone tracker” (março de 2026)
- Monash IVF: “IVF patients will soon be able to monitor hormone levels with wearable patch” (março de 2026)
- Melbourne Insider: “Melbourne Startup Develops IVF Sensor with RMIT” (22 de março de 2026)
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